Grupos de corrida que se reúnem aos sábados e terminam o treino em uma rota gastronômica pelos cafés da cidade. Monumentos escultóricos de animais marinhos instalados em pontos estratégicos. Um mirante para observação de baleias francas no Morro do Farol, o melhor ponto do estado para esse tipo de atração segundo o secretário de Turismo, Gabriel de Mello. Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia da secretaria municipal para criar "micro experiências" — pequenas atividades que, somadas, sustentam a percepção de que Torres vale a visita ao longo de todo o ano.
"A gente tem tentado focar em criar novas experiências para que a pessoa possa viver a grande experiência de desfrutar da qualidade de vida e segurança de Torres. Cada atividade é um passinho nessa direção", disse o secretário. Paralelamente, a gestão busca atrair eventos com perfis econômicos específicos, como o Torres Moto Beach, em novembro, e o Guariteco Festival, que combina atividades ambientais com música e um campeonato de surf capaz de trazer público nômade de toda a América do Sul.
O Inventário da Oferta Turística de 2026 mostra que a diversificação de atrativos está mais avançada do que a especialização do setor privado: 51,4% dos meios de hospedagem se identificam com o segmento "sol e praia" e quase metade diz não ter especialização turística definida. Para Mello, transformar essa oferta dispersa em produtos integrados, com roteiros que conectem hospedagem, gastronomia e atrativos naturais, é o passo necessário para aumentar a permanência e o gasto por visitante. "A gastronomia ainda funciona mais como apoio do que como motivador de viagem. Tem espaço grande para mudar isso", avaliou.
Cidade recebe perfis diferentes na baixa e na alta temporada
Essa diversificação também é relacionada à variedade de perfis de quem visita Torres ao longo do ano, e essa diferença tem moldado a estratégia da secretaria de Turismo. Mello, no verão predomina o visitante das classes C e D, especialmente gaúchos do interior, da região metropolitana e da Serra. Já na baixa temporada, o público muda: é mais velho, tem maior renda e busca qualidade de vida, tranquilidade e experiências diferenciadas.
Esse fenômeno, analista o gestor, está associado ao crescimento de Torres como destino de segunda residência. O secretário relata que famílias de grandes empresários e profissionais de destaque nacional têm apartamentos ou casas na cidade e passam períodos da baixa temporada no município. No verão, a permanência desse público é menor — justamente quando o volume de visitantes de outros perfis é mais alto. O Inventário da Oferta Turística de 2026 confirma que a cidade cresceu demograficamente e que o crescimento estimado de 73% da população no período de alta temporada traz consigo demandas e perfis muito variados.
Para aproveitar essa janela de qualidade para além dos meses de verão, a secretaria tem investido em eventos e ativações voltados para esse público. Um exemplo é o show de férias marcado para 25 de julho, que terá o cantor católico Thiago Brado. A atração é direcionada às comunidades da Serra Gaúcha que costumam visitar Torres no inverno. "A gente observou que o público predominante é católico e que esse público da Serra vem para Torres nas férias de inverno. Então a gente criou um atrativo de baixo custo para fortalecer esse fluxo", explicou Mello.