Porto Alegre,

Publicada em 06 de Julho de 2026 às 00:30

Torres quer elevar tíquete médio de turistas para R$ 1,5 mil por dia

Inventário do setor, entregue em maio, mapeou possibilidades e oportunidades para aumentar a arrecadação do trade turístico

Inventário do setor, entregue em maio, mapeou possibilidades e oportunidades para aumentar a arrecadação do trade turístico

/Prefeitura Municipal de Torres/Divulgação/JC
Compartilhe:
Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, quer triplicar o quanto os turistas gastam na cidade. O secretário de Turismo, Gabriel de Mello, afirma que o tíquete médio diário por visitante hoje não chega a R$ 500 — e o objetivo da gestão municipal é elevar esse valor para R$ 1.500, incluindo hospedagem, alimentação, passeios, experiências e compras. "Hoje é barato você ir para Torres. Você pega um hotel com vista para o mar e uma boa alimentação na baixa temporada e gasta menos de R$ 500 por dia por pessoa", disse o secretário.
Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, quer triplicar o quanto os turistas gastam na cidade. O secretário de Turismo, Gabriel de Mello, afirma que o tíquete médio diário por visitante hoje não chega a R$ 500 — e o objetivo da gestão municipal é elevar esse valor para R$ 1.500, incluindo hospedagem, alimentação, passeios, experiências e compras. "Hoje é barato você ir para Torres. Você pega um hotel com vista para o mar e uma boa alimentação na baixa temporada e gasta menos de R$ 500 por dia por pessoa", disse o secretário.
O entrave não é a ausência de atrativos. O Inventário da Oferta Turística de Torres, entregue em maio de 2026, mapeou 226 estabelecimentos de alimentação, 70 meios de hospedagem e uma gama expressiva de atrativos naturais e culturais — do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul ao balonismo, da observação de baleias à orla gastronômica. O problema, segundo Mello, está na forma como esses elementos se conectam, ou não, para converter o visitante em alguém disposto a pagar mais. "O maior déficit é fazer com que as pessoas entendam que o turismo tem um fim, que é gerar economia, movimentar dinheiro. Isso muda como a gente pensa os eventos, os atrativos, a jornada do cliente", afirmou.
Para o secretário, o caminho passa por três frentes: criar micro experiências que se somam à oferta natural da cidade, consolidar um calendário fixo de eventos que permita comparativos anuais e instalar um observatório do turismo capaz de mensurar o impacto econômico de cada ação. Sem esse último instrumento, a tomada de decisão segue fragilizada. "Se eu faço num final de semana um evento de balonismo, no outro de vôlei, no outro de música, eu não tenho um parâmetro do ano anterior. A gente precisa de boas notícias e de um calendário que permita ter a média geral", explicou.
O dado oficial mais relevante sobre o comportamento do turista em Torres é de 2022, e vem do Relatório de Fluxo Turístico, disponibilizado pelo Observatório do Turismo do governo do Estado, e realizado com o monitoramento de dados da telefonia móvel. Segundo o documento, 67% dos visitantes ficam na cidade entre um e três dias, e mais de 85% permanecem até uma semana.
Mello pondera que a curta permanência é uma tendência global: "dificilmente você vai ter um turista passando mais de três dias em uma cidade no mundo, exceto nos grandes centros" — mas avalia que Torres tem condições de ser base para roteiros mais longos pela Serra Gaúcha e pelo Litoral Norte. "A pessoa vem, se instala em Torres, um dia faz Cambará e os parques, outro dia faz Gramado e Canela, e dorme em Torres. Esse é o nosso desafio: fazer com que ela durma aqui", disse.
A sazonalidade é outro fator que distorce os dados e dificulta o planejamento, pontua o gestor. O levantamento de fluxo de 2022 mostra que Torres passou de cerca de 42 mil habitantes para um volume que chega a um milhão de pessoas no Réveillon, evento que, junto com o Festival Internacional de Balonismo, ultrapassa o tíquete médio desejado. O problema é depender de dois grandes eventos para atingir essa marca. "Eu não posso viver só de dois grandes eventos na cidade. Tenho que trabalhar um calendário mais enxuto, ao mesmo tempo sólido o suficiente para ter mais finais de semana com um gasto médio mais próximo de R$ 1.500", afirmou Mello.
O inventário também aponta um dado revelador sobre a articulação do setor: 75,7% dos estabelecimentos turísticos de Torres não participam de nenhuma associação, e nenhum citou utilização de guias turísticos, mesmo com uma oferta diversificada. Para o secretário, essa fragmentação entre os atores do trade é um dos obstáculos à criação de produtos integrados capazes de ampliar a permanência e o gasto médio. A secretaria herdou uma estrutura sem dados consolidados e tem trabalhado para mudar esse quadro, cruzando informações da construção civil, do comércio e da educação para entender a transformação do perfil de visitante e morador da cidade.

Notícias relacionadas