A ponte que liga a Ilha dos Marinheiros, em Rio Grande, ao continente, há mais de dois anos passa por intervenções para a recuperação de sua estrutura, que foi gravemente afetada pela enchente de maio de 2024 e ficou mais de um ano fechada ao trânsito de veículos. Apesar de totalmete reaberta em agosto do ano passado, no entanto, a estrutura tem limitações extra de velocidade e peso, o que só poderá ser normalizado com a conclusão das obras de recuperação.
Em maio de 2024, a força das águas avariou um dos pilares da ponte, comprometendo seu funcionamento. A coluna de sustentação de número 2 cedeu cerca de 80 centímetros abruptamente, com continuidade do afundamento a uma velocidade de 1,4 mm por dia. Segundo a secretária do Gabinete de Programas e Projetos Especiais da prefeitura, Giovana Trindade, o problema também foi agravado pela correnteza intensa, que aprofundou o canal sob a estrutura de 5 para até 11 metros, dificultando a estabilização do solo. O cenário inviabilizava a travessia segura para moradores e trabalhadores da ilha, em sua maioria pescadores e suas famílias.
O processo de recuperação vem sendo conduzido em etapas ao longo de mais de dois anos. Em janeiro de 2025, foram concretadas as estacas do pilar comprometido a aproximadamente 8 metros de profundidade — intervenção complexa que envolveu mergulhadores e engenheiros especializados. Em paralelo, uma draga foi utilizada para recompor o volume de material no leito do canal, trabalho que demandou a deposição de mais de 90 mil metros cúbicos de material. Em maio de 2025, o ensaio de carga confirmou que a estrutura estava estável e suportava as 30 toneladas para os quais foi projetada.
Em agosto de 2025, a prefeitura concluiu a primeira fase das obras e liberou a ponte para o tráfego. Desde então, a estrutura está em operação para pedestres, veículos de passeio, transporte coletivo e veículos maiores, com limite de velocidade de 30 km/h e restrição de tonelagem. Durante o período em que a travessia esteve interrompida, a prefeitura manteve um serviço de balsa operando por demanda ao longo do dia. "A balsa atuava por demanda: chegava um carro, ela levava. Não tinha que esperar. A única restrição era que ela não trabalhava de noite", relatou a secretária.
A segunda fase, agora em andamento, tem recursos aprovados pela Defesa Civil Nacional no valor de R$ 2.508.342,93, dentro do programa de recuperação dos municípios afetados pelas enchentes de 2024. "Para a comunidade, são dois anos e o problema ainda não está solucionado. Mas, se a gente olha internamente, isso é um evento extremo. A prefeitura precisou fazer licitações, respeitar todos os ritos, e cada fase só pôde avançar depois que a anterior teve êxito", esclareceu a secretária do GPPE.