Porto Alegre,

Publicada em 01 de Julho de 2026 às 00:30

O direito da cidade estar no mapa do desenvolvimento

Alexandre Wohlgemuth de Souza, Advogado, Especialista em Direito Público, Governo Digital e Licitações e Contratos. Consultor em Administração Pública.

Alexandre Wohlgemuth de Souza, Advogado, Especialista em Direito Público, Governo Digital e Licitações e Contratos. Consultor em Administração Pública.

/Leticia Wolff/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Jornal do Comércio
Algumas cidades a gente conhece primeiro pela estrada. Antes de chegar na prefeitura, no comércio, na igreja, conhecemos o caminho que leva até elas. Muitas vezes, esse caminho acaba contando uma história que nem sempre faz justiça ao seu destino.
Algumas cidades a gente conhece primeiro pela estrada. Antes de chegar na prefeitura, no comércio, na igreja, conhecemos o caminho que leva até elas. Muitas vezes, esse caminho acaba contando uma história que nem sempre faz justiça ao seu destino.
Recentemente, percorri os 17 quilômetros de estrada de chão batido que dão acesso ao município de Mariana Pimentel, que fica pertinho de Porto Alegre. É um dos poucos municípios gaúchos que ainda não possuem ligação asfáltica no seu principal acesso. Confesso que, durante a viagem de ida, pensei muito mais na estrada do que na cidade. A poeira, as curvas e o cascalho pareciam anunciar um município distante de tudo. Bastaram dois dias para perceber que eu estava completamente enganado.
Fui até lá para ministrar uma capacitação aos servidores municipais e encontrei gente comprometida, agentes públicos focados em aperfeiçoar a gestão pública e construir uma administração cada vez mais eficiente. Vou além, Mariana Pimentel é uma cidade que acolhe o visitante com uma hospitalidade difícil de descrever. É daquelas que fazem a gente se sentir em casa minutos depois de chegar.
A cidade é cercada por belezas naturais, paisagens verdes, rodeada de morros, tem a famosa Cascata do Português e uma igreja de arquitetura singular ao entorno da praça municipal, que completa o charme do município. Em pleno século XXI, ainda é difícil compreender que existam municípios cuja principal porta de entrada permaneça sendo uma estrada de chão. Não é apenas uma obra de infraestrutura e conforto. O primeiro acesso asfaltado muda a relação de uma cidade com o restante do Estado. Facilita a chegada de investimentos, reduz custos para quem produz, fortalece o comércio, impulsiona o turismo e transmite uma mensagem importante: a de que aquele município também faz parte dos caminhos do desenvolvimento e merece as mesmas oportunidades que qualquer outro.
Trata-se de desenvolvimento, de segurança para quem precisa de atendimento de saúde, de transporte escolar, de incentivo ao turismo, de valorização dos empreendimentos locais e de oportunidades para quem escolheu viver ali. Mas não pensem que Mariana Pimentel desistiu, ela está na “batalha” mobilizada na busca por recursos para asfaltar o seu acesso, e tenho certeza que em breve esse avanço será conquistado. Seu povo merece.
Quando deixei Mariana Pimentel, a estrada continuava exatamente a mesma. Os 17 quilômetros de chão ainda estavam lá. Mas eu já não os enxergava da mesma forma. Porque aqueles quilômetros não escondem uma cidade esquecida. Eles conduzem a um município cheio de potencial, de gente trabalhadora e acolhedora.
Lembrei das minhas primeiras viagens, há duas décadas, desbravando municípios do interior do Rio Grande do Sul para levar conhecimento e inovação. Em muitos deles, a estrada que um dia era de chão batido hoje deu lugar a um asfalto de qualidade, transformando não apenas a paisagem, mas a economia, o turismo, a autoestima e a perspectiva de futuro de quem vive ali. Espero voltar a Mariana Pimentel em breve e encontrar o mesmo povo acolhedor, as mesmas belezas naturais e, quem sabe, encontrar um novo caminho, então asfaltado, anunciando que o desenvolvimento finalmente chegou até a sua porta.      

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