Foi anunciada nesta semana a renúncia da provedora e 1º vice-provedor da Santa Casa de Caridade de Bagé, que passará a gestão para uma comissão provisória até dezembro deste ano. Segundo a instituição, a proposta surgiu devido à crise institucional do hospital, o qual acumula dívidas de até R$ 105 milhões, de acordo com o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). Ademais, desde o dia 15 de junho, há a paralisação dos ambulatórios destinados a atendimentos eletivos e das cirurgias eletivas, causada pelo atraso de pagamento de funcionários, com atrasos de até 9 meses, afirma o sindicato.
De acordo com a nota oficial da Santa Casa, a renúncia por parte da Provedora e 1º Vice-Provedor aconteceu voluntariamente, negando que ambos foram destituídos de seus cargos. Ademais, informa que a transição administrativa deve acontecer durante esta semana, com a renúncia da atual mesa diretora e com a posse da nova Provedoria liderada pelo empresário Lindonor Peruzzo. Segundo a nota, o objetivo da troca de gestão é que novas propostas sejam colocadas em prática, além da facilitação ao acesso de recursos na esfera federal.
Atualmente, o hospital conta com um déficit mensal superior ao de R$1 milhão e passa por negociações quanto à paralisação de atendimentos. De acordo com a Simers, ainda não houve nenhum avanço quanto à volta de atendimentos, uma vez que ainda não foi apresentada uma proposta de pagamento com maiores garantias, apenas ofertas vinculadas à possibilidade de emendas parlamentares sem prazos definidos. Por outro lado, não há discussões no sindicato sobre a interrupção total dos atendimentos.
Além disso, foi encaminhado à Promotoria de Justiça Cível de Bagé uma manifestação por parte do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) devido à escala médica do Bloco Obstétrico da instituição. De acordo com o Cremers, foram identificadas ocorrências de plantões continuados, a repetição de profissionais em turnos sucessivos e o acúmulo expressivo de horas de trabalho.
A Santa Casa de Bagé também passará por auditoria fiscal, devido à crise financeira e administrativa enfrentada pelo hospital. A solicitação foi feita pelo prefeito do município, Luiz Fernando Mainardi, e aceita pelo Ministério da Saúde, na última segunda, 22 de junho. O hospital recebe recursos federais e estaduais, por integrar a rede complementar do SUS, o que justifica a fiscalização por parte do Ministério da Saúde.
Para o prefeito de Bagé a auditoria será fundamental para conhecer detalhadamente as contas, identificar as causas da crise e apontar caminhos que garantam transparência, equilíbrio financeiro e a continuidade dos atendimentos do hospital. Mainardi também ressalta que o município seguirá articulando a participação dos governos Federal e Estadual, das prefeituras da região e das demais instituições envolvidas na busca de uma solução para a Santa Casa, a qual atende pacientes de Bagé e de diversos municípios da Campanha.