Para o professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Univates, Augusto Alves, as cidades inteligentes são aquelas que trabalham de maneira otimizada, utilizando as novas tecnologias da informação e do conhecimento. Segundo ele, a sociedade gera muitos dados e informações e, com o avanço da informatização e das novas tecnologias de comunicação, surgiram ferramentas capazes de otimizar os processos nas cidades.
“Hoje em dia, praticamente, todos têm um celular, rede social e estão ligados na internet. Então, todas as pessoas virtualmente viraram dados: como é que a pessoa circula? O que ela usa? E isso vai alimentando o sistema. Então, é a partir dessa nova realidade, dessa hiperconexão, que se começou a trabalhar e pensar como é que nós podemos otimizar os fluxos, os sistemas e o funcionamento da cidade, já que a cidade é uma coisa que acaba ficando caótica quando fica muito grande”, relata o professor.
Entre os exemplos citados pelo professor, que facilitam a vida da população e tornam a cidade inteligente, estão os aplicativos de mobilidade urbana, que informam as vias mais movimentadas e onde podem ser encontradas vagas de estacionamento, além dos semáforos inteligentes, capazes de fazer a leitura do fluxo de veículos e programar a abertura do sinal conforme a quantidade de carros existente na via.
Na área da gestão, o professor destaca a facilitação dos processos. “Antigamente, era tudo muito burocrático, no papel, e nisso Lajeado evoluiu muito”, relata. “A tecnologia aumenta a transparência. Não só a facilidade, conveniência, mas a transparência, agilidade e a democratização da cidade. Isso é usar a inteligência para atingir o fim, que é servir à população. Quanto mais se consegue agilizar os processos, os negócios também aumentam”, exemplifica.
Mas, mesmo com todos estes avanços que já podem ser percebidos em Lajeado, Alves percebe que em alguns pontos, a cidade ainda precisa evoluir. A mobilidade é um deles. O gestor acredita que a implantação do programa Sinal Verde vai melhorar o tráfego de veículos. “Pode parecer banal, mas o anda e para do carro, além de irritar, de trancar tudo, gera um custo em termos de queima de combustível”, relata. “Com o Sinal Verde tu vais de uma vez. Isso é uma revolução, do ponto de vista do ganho de tempo, de economia, de paciência das pessoas e economia de combustível, com um recurso de inteligência”, frisa.
Outra área que merece atenção é o recolhimento de lixo. “Usar a inteligência na coleta seletiva. Às vezes, se consegue montar sistemas que proporcionam uma adesão maior à reciclagem, que facilite isso. Sei que Barcelona, por exemplo, utiliza muito e a cidade é inteligente no recolhimento do lixo”, comenta.
O professor também observa que no planejamento urbano poderia ser explorada, não só a parte da tecnologia, mas o planejamento num sentido mais orgânico para deixar a cidade equilibrada e sustentável. “Pensar o crescimento da cidade, a organização espacial para ela ter uma forma mais eficiente. A gente vê, por exemplo, um esparramento urbano muito grande. A cidade se espalha demais nas bordas e isso causa deseconomia. A cidade não se torna mais tão eficiente se ela se espalha demais ou possua alguns lugares excessivamente concentrados, onde tem muito prédio, um do lado do outro”, relata.
Para contribuir nestas melhorias da cidade, a Univates auxilia na formação de capital humano. "Nos cursos de arquitetura e urbanismo, por exemplo, nós ajudamos formando bons urbanistas que tenham a consciência do que é uma cidade inteligente. Nos cursos de Tecnologia da Informação (TI) deixando os profissionais capacitados nessa parte de redes e software e habilitados a entender como otimizar esses processos. Nós temos o Tecnovates, com toda essa questão de inovação, das incubadoras. A gente trabalha muito na perspectiva da inovação”, reforça.
Alves também observa que Lajeado obteve esse destaque porque é uma cidade polo, que concentra muito a população e polariza todo o Vale do Taquari. “A gente acaba tendo muitos talentos, recursos, olhares, muita busca de investimentos e de soluções e esse capital humano também faz parte desse processo”, aponta o professor.
O propósito de uma cidade inteligente, conforme o ranking da Connected Smart Cities, é entender as demandas da sociedade e transformar cada vez mais a vida dos seus habitantes. Conforme o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Agricultura de Lajeado, Jairo Valandro, o projeto inscrito em 2025 - que trouxe prêmios para a cidade - e que está em desenvolvimento na prefeitura, aborda a digitalização das secretarias e o programa de implantação de Inteligência Artificial (IA) na solução de tarefas.
Ele explica que, na secretaria, os servidores estão trabalhando na digitalização de todo esse processo de abertura de empresas, cuja parte é feita de modo digital, mas ainda com serviços analógicos. A ideia é que alguns processos sejam automatizados, principalmente com o uso de IA, mas Valandro reitera que ainda é necessária uma melhor estruturação, tanto do uso da tecnologia, quanto sobre questões de adaptação desses processos.
Para o secretário, Lajeado, por si só, é uma cidade inteligente em sua base. "A gente tem todo um sistema de cercamento digital, e isso é um dos pontos de cidade inteligente. Agora, está se trabalhando nessa ideia de ter o Sinal Verde sem parada na Avenida Senador Alberto Pasqualini para melhorar a questão do trânsito, onde serão instaladas sinaleiras inteligentes. Além disso, temos chatbots de atendimento; Wi-Fi espalhado por toda a cidade e estamos trabalhando a questão da iluminação pública inteligente", enumera.