Liderado pela coordenadora Daniela Müller de Quevedo, o projeto "Áreas de reserva ambiental afetadas por movimentos de massa: mapeamento e restauração com vistas à prevenção de desastres, monitoramento ecológico e educação ambiental" teve início em 2025. As frentes principais de atuação da equipe, que conta com 13 pesquisadores, entre professores, doutorandos e bolsistas, se concentram na prevenção de desastres, na restauração ecológica, no monitoramento contínuo dos recursos naturais e na educação ambiental da comunidade local.
Daniela explica que Veranópolis foi escolhido por ser um dos municípios mais afetados após os eventos climáticos de 2023 e 2024, os quais originaram vários deslizamentos de terra, alterando as formações vegetais locais. Esses deslizamentos mataram animais e destruíram e interromperam corredores ecológicos, dificultando a movimentação e a dispersão da fauna. “O objetivo principal do monitoramento é realizar o mapeamento e monitoramento integrado das áreas suscetíveis a movimentos de massa em Veranópolis, promovendo a prevenção de desastres, a restauração ecológica, o monitoramento contínuo dos recursos naturais e a educação ambiental da comunidade local”, afirma.
Atualmente, os pesquisadores que estão acompanhando a fauna de vertebrados, contam com 18 câmeras instaladas em duas áreas: o Sítio Árvore Mãe e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra Parque Jaboticaba, uma Unidade de Conservação Federal, sede do Projeto Gralha-Azul. Os resultados parciais indicam a resiliência da maioria dos grupos registrados até o momento, com 14 espécies de mamíferos nas duas áreas de monitoramento e seus entornos.
Por ser integrado, o projeto também avalia os impactos em solo, ar, água e flora. A análise das condições hidrometeorológicas evidenciou precipitações acima da média histórica, enquanto o nível de umidade do solo também indicou níveis próximos aos de saturação; isso causou um significativo acúmulo de água nos sistemas superficial e subsuperficial, contribuindo para a instabilização do terreno e, consequentemente, para os movimentos de massa (deslizamentos), observados em áreas com declividade superior a 30%.
Com o objetivo de subsidiar estratégias de mitigação, foi desenvolvido um modelo de mapeamento de suscetibilidade a esses movimentos, capaz de indicar o nível de risco nas diferentes áreas do município. O modelo é capaz de indicar diferentes níveis de suscetibilidade nas diversas regiões da cidade, considerando variáveis como declividade, características do solo, estrutura geológica e uso da terra. O mapeamento foi estruturado em cinco classes, variando de muito baixa a muito alta, permitindo identificar as áreas com maior propensão à ocorrência desses processos.
Para avaliar esses possíveis impactos, são realizadas coletas mensais de água em três pontos do rio. No laboratório, são analisados parâmetros físico-químicos, como pH (que indica a acidez ou alcalinidade da água) e oxigênio dissolvido (essencial para a sobrevivência de peixes, crustáceos e outros organismos aquáticos). Essas informações ajudam a entender se a água apresenta condições adequadas para a manutenção da vida.