Os números do Detran-RS também apontam que parte significativa da frota gaúcha é composta por veículos recentes, fabricados a partir de 2020. Ao mesmo tempo, ainda existe uma grande quantidade de carros com mais de 10, 20 e até 30 anos de uso.
Esses números revelam uma discrepância: enquanto parcela da população consegue renovar e investir em veículos mais modernos, que incorporam tecnologias de segurança, menor consumo e menor impacto ambiental, outra parte mantém automóveis antigos que, em sua maior parte, consomem mais combustível, emitem mais gases poluentes e demandam manutenção constante.
O aumento da frota também acende um alerta sobre consequências ambientais. Quanto mais veículos circulam pelas ruas, maior a emissão de gases poluentes e poluição sonora. Um dos principais desafios ainda segue sendo tornar o transporte coletivo competitivo em relação ao carro. "Eu não dirijo e usava muito ônibus até alguns anos atrás, mas pela precariedade do serviço oferecido, passei a me deslocar de outras formas, como por exemplo através de carros de aplicativo", revela a empresária Carmen Pinto.
O secretário de Trânsito, Cláudio Montanelli, garante que o aumento da frota preocupa quanto ao ponto de vista ambiental na cidade. "Impacta diretamente nas emissões e na qualidade do ar" Apesar da modernidade dos veículos elétricos, eles ainda representam uma parcela muito pequena da frota estadual. De acordo com o Detran-RS, até abril de 2026 eram mais de 48 mil veículos eletrificados no Rio Grande do Sul - de leves a pesados.
O crescimento do número de condutores habilitados também é um dado importante. Em fevereiro deste ano, conforme o Detran-RS, o Rio Grande do Sul ultrapassou 5,6 milhões de motoristas. Os homens ainda são maioria entre os condutores, com cerca de 3,5 milhões de habilitados, contra 2,1 milhões de mulheres. Entretanto, o crescimento feminino chama atenção. Nas últimas duas décadas, o número de mulheres habilitadas praticamente dobrou, acompanhando mudanças sociais, maior inserção no mercado de trabalho e ampliação da autonomia nos deslocamentos.
A faixa acima dos 65 anos é uma das que mais cresce no Estado e já soma quase 1 milhão de motoristas. Isso revela que as pessoas continuam dirigindo por mais tempo e utilizam o carro como ferramenta de independência. "Eu dirijo até hoje, gosto de ter minha independência e poder fazer minhas coisas com meu carro. Pretendo seguir dirigindo enquanto puder", detalha a pelotense aposentada Neida Simões, de 84 anos.
Ela conta que já dirige há mais de 40 anos, desde que se mudou para o município, e que nota a cada dia que passa um aumento significativo no número de veículos circulando pelas ruas. "Quando me mudei para cá, muitos anos atrás, era uma cidade muito mais tranquila no quesito trânsito. Eu saía em qualquer horário. Hoje, evito nos horários de maior movimento, pela minha segurança e dos outros também" , avalia.