Porto Alegre,

Publicada em 02 de Junho de 2026 às 17:26

Motoristas veem dificuldades para transitar em Pelotas

Augusto Cabral, que utiliza o carro diariamente para chegar ao trabalho, percebe mais horários com congestionamentos

Augusto Cabral, que utiliza o carro diariamente para chegar ao trabalho, percebe mais horários com congestionamentos

/VICTORIA MEGGIATO/ESPECIAL/CIDADES
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Victoria Meggiato
Victoria Meggiato
A cidade de Pelotas já vem percebendo os efeitos do aumento de veículos no cotidiano. Em horários de pico, as ruas e avenidas mais importantes apresentam lentidão severa. Cruzamentos centrais acumulam filas e trajetos que eram considerados rápidos há alguns anos, atualmente exigem mais planejamento para não perder horários.
A cidade de Pelotas já vem percebendo os efeitos do aumento de veículos no cotidiano. Em horários de pico, as ruas e avenidas mais importantes apresentam lentidão severa. Cruzamentos centrais acumulam filas e trajetos que eram considerados rápidos há alguns anos, atualmente exigem mais planejamento para não perder horários.
O jornalista Augusto Cabral, que utiliza o carro diariamente para chegar ao trabalho, expõe que, em alguns momentos específicos do dia, o trânsito fica mais complicado na cidade. "Principalmente no final da tarde, começo do dia também. Por muitas vezes, tem que se procurar algumas rotas alternativas para não ficar trancado no trânsito", afirma. Embora Pelotas ainda esteja distante do nível de congestionamento observado em grandes capitais brasileiras, os sinais de saturação já começam a aparecer. "Tem horários que se tornam quase impossíveis de transitar. Muitos motoristas não respeitam as regras de trânsito, os congestionamentos são grandes e, se temos horário para chegar em algum lugar, precisamos sair muito antes. Está ficando cada vez mais difícil", complementa Augusto.
O aumento da circulação também gera pressão sobre estacionamento, sinalização e conservação das vias. Segundo a prefeitura de Pelotas, o crescimento da frota preocupa e exige planejamento contínuo. De acordo com o secretário de Transporte e Trânsito, Cláudio Montanelli, a cidade passou de 197.806 veículos em 2016 para mais de 238 mil em 2026, um crescimento aproximado de 20,6% em 10 anos.
O avanço, segundo ele, pressiona a infraestrutura viária e reforça a necessidade de investimentos em mobilidade urbana. "Estão previstas e em execução ações importantes. Dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade, estão a requalificação das avenidas Teodoro Müller e Manoel Antônio Peres, qualificação do caminho do ônibus em 32 ruas e avenidas, a construção de um viaduto na avenida Fernando Osório, no cruzamento com a venida Salgado Filho, que vai melorar a fluidez em ponto crítico", afirma o secretário.
Sobre o viaduto, Montanelli afirma que o projeto é considerado estratégico e apontado como uma das intervenções capazes de melhorar drasticamente o trânsito naquele ponto. Ele afirma também que o município trabalha com planejamento de médio e longo prazo focado em melhoria da circulação viária, priorização do transporte coletivo, incentivos a modais alternativos e modernização da gestão de trânsito.
A discussão sobre o crescimento da frota não envolve apenas congestionamentos. A mobilidade urbana é um conceito bem mais amplo, é sobre a forma como as pessoas conseguem se deslocar pela cidade, com eficiência, segurança, acessibilidade e qualidade de vida. O excesso de dependência do carro individual tende a gerar impactos progressivos como o aumento do tempo de deslocamento, maior emissão de poluentes, crescimento da poluição sonora, desgaste acelerado da infraestrutura e redução da qualidade de vida.

Alternativas sustentáveis surgem para tentar evitar aumento de carros nas ruas

BikePel foi criado em 2019 na cidade e, desde então, gerou mais de 91,5 mil viagens e quase 33 toneladas em créditos de carbono

BikePel foi criado em 2019 na cidade e, desde então, gerou mais de 91,5 mil viagens e quase 33 toneladas em créditos de carbono

/VICTORIA MEGGIATO/ESPECIAL/CIDADES
Alternativas sustentáveis têm se destacado e começam a ganhar importância na cidade. Atualmente, Pelotas possui cerca de 70 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, favorecida principalmente pela topografia plana. Desde 2019, a cidade também conta com um sistema de bicicletas compartilhadas, o BikePel, desenvolvido para proporcionar uma alternativa de transporte sustentável, saudável e ecologicamente amigável, integrado ao sistema de transporte úblico coletivo. 
Conforme dados fornecidos pela própria plataforma do BikePel, mais de 91,5 mil viagens já haviam sido feitas através da plataforma desde a criação. Nessas viagens, a previsão é de que quase 33 toneladas de crédito em carbono tenham sido geradas somente com a ausência de carros circulando pela cidade do Sul do Estado.
Modernização da frota de ônibus está em andamento na cidade | Ricardo Bandar/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Modernização da frota de ônibus está em andamento na cidade Ricardo Bandar/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Com o crescimento da frota, o transporte público coletivo aparece como um dos elementos centrais para evitar um colapso viário no futuro. Quanto mais eficiente, confortável e previsível for, menor tende a ser a dependência do carro individual. A prefeitura destaca que a modernização da frota de ônibus já está em andamento. Atualmente, Pelotas conta com 145 ônibus em circulação. Nos últimos meses, 13 novos veículos foram incorporados ao sistema, sendo sete em dezembro de 2025, três em fevereiro de 2026 e outros três previstos até junho.
A tecnologia Euro 6, presente na frota, define os limites máximos de emissão de poluentes veiculares. O objetivo principal é reduzir significativamente as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), partículas e outros poluentes atmosféricos emitidos por veículos a diesel. Os motores utilizados nesses ônibus reduzem 75%, em média, a emissão de NOx, 70% de HC (gases hidrocarbonetos) e 50% a menos de material particulado.

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