De Passo Fundo, especial para o Cidades
Faltam cerca de 18 meses para que a revisão final do Plano Diretor de Passo Fundo seja concluída, conforme cronograma de atualização. Quatro grandes etapas são exigidas até a revisão final do documento, de acordo com a prefeitura. A próxima etapa é a abertura do processo, seguido da etapa de Mobilização e Participação Popular, onde se institui um núcleo gestor e criam-se comissões temáticas para a realização de oficinas e consultas públicas para garantir a participação ativa da sociedade.
A mestra em Arquitetura e Urbanismo e vereadora de Passo Fundo, Marina Bernardes, destaca ao menos três outros elementos precisam ser incluídos na discussão da atualização do Plano Diretor: emergência climática, desigualdade econômica e processos migratórios, especialmente com base no crescimento recorrente que a cidade vem apresentando nos últimos anos. Segundo ela, o número de pessoas que moram em áreas de risco aumentou nos últimos anos em Passo Fundo. Ela vê que áreas que antigamente eram consideradas seguras se tornaram perigosas, por conta de fenômenos naturais, especialmente os acarretados por excesso de chuva.
A ideia da prefeitura é transformar as propostas debatidas com a comunidade desde 2017, quando iniciou esse processo, em um projeto de lei. Embora a escuta ativa com a comunidade tenha sido incentivada desde então, dois pontos exigem atenção nesse sentido, esclarece Marina. O primeiro deles é a garantia de que os dados coletados entre 2017 e 2019 ainda tenham validade e que retratem a realidade atual do município.
“Na minha visão, o que foi coletado em 2019 não vale mais, porque eu me pergunto: Será que as pessoas que concederam entrevista nessa época estão morando em Passo Fundo ainda? Como está o bairro onde elas moravam naquela oportunidade? Além disso, estamos nos encaminhando para ser uma cidade universitária, com grandes investimentos a longo prazo na área educacional e na oferta e ampliação dos serviços de saúde, mas hoje não temos nenhuma moradia estudantil. Qual vai ser a área da cidade prevista, dentro desse Plano Diretor, para a oferta de moradias que não sejam excludentes?”, questiona ela.
Marina Bernardes avaliou, também, o processo de verticalização de Passo Fundo, com cada vez mais prédios. Para ela, a quantidade de veículos circulando nessas regiões é outro fator preocupante e precisa constar no Plano Diretor, já que os novos empreendimentos tendem a impactar diretamente a mobilidade da cidade, especialmente nas áreas onde há mais concentração de veículos, ao considerar ainda que Passo Fundo conta com mais de 150 mil veículos mapeados rodando pelas ruas. “Quando um prédio passa de seis pavimentos, o modelo se torna mais hostil, porque limita o contato das pessoas com a rua, o que consequentemente gera mais necessidade de vigilância em torno daquele local", avalia.