Embora o mercado imobiliário de Xangri-lá e Capão da Canoa exaltem as vantagens da ausência de placas com anúncios de imóveis, a prática pode levantar questionamentos. Corretores locais alegam que o excesso de anúncios físicos poderia causar a impressão de que "a cidade toda estaria à venda", ou "abandonada". Ainda assim, pontuam que a prática não fere a liberdade do proprietário de anunciar diretamente seu imóvel e vendê-lo sem a intermediação de profissionais.
Em Xangri-lá, onde não há proibição legal, alguns imóveis ainda exibem placas colocadas pelos próprios donos, embora sejam casos isolados, segundo o consultor imobiliário Fabiano Braga, que passou a atuar no município após a pandemia. “Não há desestímulo. O proprietário tem liberdade para isso. Mas, como é um mercado sazonal, geralmente ele mora em outra cidade e precisa de um corretor para mostrar o imóvel”, defende.
Já o Creci-RS ressalta outro aspecto: a segurança jurídica. Segundo Atilar Júnior, delegado regional em Capão da Canoa, o órgão mantém campanhas incentivando negociações intermediadas por corretores credenciados, diante do aumento de golpes envolvendo vendas diretas de imóveis. “Não é ilegal vender diretamente, mas a intermediação profissional oferece respaldo jurídico e reduz riscos para o comprador”, adverte.
Outro ponto envolve possíveis impactos concorrenciais. Como a divulgação depende fortemente de investimento digital, imobiliárias maiores tendem a ter maior capacidade de exposição online. Braga, porém, avalia que o ambiente digital acabou ampliando o acesso ao mercado. “Antes havia um oligopólio de imobiliárias tradicionais”, pondera. Segundo o consultor, “o digital democratizou. Hoje um corretor autônomo consegue investir pouco e gerar demanda suficiente para trabalhar”, analisa.
O modelo digital alterou também a forma de acesso dos compradores aos imóveis. Braga afirma que redes sociais como Instagram, Facebook e TikTok concentram principalmente o público entre 18 e 45 anos, enquanto compradores mais velhos recorrem ao Google e a indicações, o velho boca-a-boca.
Em paralelo, Xangri-lá segue atraindo novos perfis de moradores e investidores. Após a pandemia, cresceu o número de pessoas que passaram a dividir a rotina entre a praia e outras cidades, aproveitando o trabalho remoto e a infraestrutura dos condomínios fechados.