Porto Alegre,

Publicada em 19 de Maio de 2026 às 18:14

Ecomuseu preserva o modo de fazer vinho em Faria Lemos

No parque temático da vinícola Dal Pizzol,. Rinaldo mantém uma coleção com 400 variedades de videiras dos cinco continentes

No parque temático da vinícola Dal Pizzol,. Rinaldo mantém uma coleção com 400 variedades de videiras dos cinco continentes

/Cleber Brauner/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Carol Zatt
Carol Zatt Repórter freelancer
"O vinho não é só o que está no cálice. O que está no cálice é 30%. Isso não é matemática, mas é um valor simbólico em relação a tudo o que existe em torno", alerta Rinaldo Dal Pizzol logo na entrada do Ecomuseu da Cultura do Vinho, localizado no quilômetro 5 da rodovia ERS-431 em Faria Lemos, em Bento Gonçalves.
"O vinho não é só o que está no cálice. O que está no cálice é 30%. Isso não é matemática, mas é um valor simbólico em relação a tudo o que existe em torno", alerta Rinaldo Dal Pizzol logo na entrada do Ecomuseu da Cultura do Vinho, localizado no quilômetro 5 da rodovia ERS-431 em Faria Lemos, em Bento Gonçalves.
Iniciativa pioneira na área e na própria região, a antiga propriedade da família Atílio Dal Pizzol é um polivalente ecomuseu a céu aberto focado na cultura do vinho. No parque temático com oito hectares, situado a 600 metros de altitude, o Vinhedos do Mundo tem uma coleção com cerca de 400 variedades de videiras dos cinco continentes. Além dessa raridade, lagos naturais e uma nascente de riacho, o local é povoado por bosques nativos e plantas exóticas, ornamentais e frutíferas, com mais de 300 catalogadas. 
Objetos, equipamentos, recipientes, utensílios e garrafas de vinhos antigos ficam numa sala de exposição permanente. A enoteca é típica em forno de olaria restaurado, com vinhos de produção própria da vinícola familiar, desde a sua fundação, em 1974. 
Parque temático tem oito hectares e está situado a 600 metros de altitude | Vinícola Dal Pizzol/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Parque temático tem oito hectares e está situado a 600 metros de altitude Vinícola Dal Pizzol/DIVULGAÇÃO/CIDADES
"Você acha que um paulista faz mil quilômetros para vir tomar um cálice aqui? Vinho ele tem lá de qualquer lugar do mundo com bons serviços e bons ambientes. Ele vem para cá pois existe um acervo cultural ligado ao vinho que só existe nas regiões produtoras", analisa Rinaldo, com a experiência de seus 89 anos, sobre a consolidação do enoturismo, com as regiões produtoras se convertendo em atrativos turísticos. "Hoje, em todas as adegas do mundo, os equipamentos são de aço inoxidável (característica tecnológica para assegurar a qualidade do vinho), mas do ponto de vista turístico é um repelente. A tal ponto que se escuta: 'não vim aqui para aprender a elaborar vinho, me interessam outras emoções'. E hoje o turista foge da visita à adega e prefere ir para o vinhedo", analisa.
Segundo ele, além de um estilo de vida, o vinho é uma instituição universal, pois faz parte da história do homem - trajetória que ele gosta de narrar em detalhes antes de começar a falar sobre os tempos atuais: "Não há na Bíblia nenhum outro produto que seja tantas vezes citado e, como tal, é muito mais um agroalimento líquido do que uma bebida alcoólica nociva. E, com muita razão, finalmente está surgindo, bastante sólido, esse movimento para que a Unesco reconheça a cultura do vinho como patrimônio da humanidade", percebe Rinaldo.
O objetivo de ter criado o ecomoseu, conforme Dal Pizzol, foi transpor para um ambiente físico o conceito de que o vinho é um produto cultural: "Ele é uma síntese, é uma miniatura de todo esse acervo que a cultura do vinho proporciona. Agora, isso você não compra em supermercado", confirma.

União das novas gerações e criação de associação pretende levar o destino Faria Lemos para mais turistas

Terroir do distrito é utilizado, atualmente, por sete vinícolas, que criaram a Aprolemos para se fortalecerem

Terroir do distrito é utilizado, atualmente, por sete vinícolas, que criaram a Aprolemos para se fortalecerem

FABIANO MAZZOTTI/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Outra prova desse legado vitivinícola que passa de geração em geração, em função da imigração italiana na Serra gaúcha é a trajetória profissional do jovem Lorenzo Cristofoli, que jamais imaginou seu futuro longe de Faria Lemos, onde nasceu, se criou e estudou. "Se eu não fosse enólogo, o que eu seria? Não sei, teria que parar para pensar", analisa.
Para o atual presidente da Associação de Produtores de Vinhos Finos de Faria Lemos (Aprolemos), o caminho de cursar Enologia foi natural. "Costumo dizer que todo almoço e jantar da nossa família era uma reunião de negócios. A gente estava sempre muito inteirado do que se passava na empresa. O processo de sucessão começou ainda lá na infância, sem saber.  E, hoje, estou aqui tocando a empresa junto com a minha irmã, Bruna, e com a minha prima, Letícia. Nós três somos os sucessores da Cristofoli Vinhos de Família", conta.
Em 2025, as sete empresas locais criaram a Aprolemos com a ideia de se unir para fortalecer o turismo e a produção, como um roteiro conjunto, como marca do distrito e levando seu nome ainda mais longe. Além da Cristofoli e da Dal Pizzol Vinhos Únicos, a associação é formada pelas vinícolas Buffon, Mena Kaho, Monte Rosário (Vinhos Rotava) e Vistamontese Speranza Vinhos.
Se esse chão foi crucial e definiu a vida de Lorenzo? "Sim, com certeza, e o trabalho de maturidade que a gente quer desenvolver na Aprolemos vai nesse encontro. Sabendo tudo o que o distrito entrega, como é o nosso terroir, como é a produção da uva aqui, a gente quer registrar tudo isso e depois levar para o produto: explicar o que é Faria Lemos através do nosso vinho também", complementa 
 

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