Porto Alegre,

Publicada em 07 de Abril de 2026 às 18:44

Estudo avalia motivações para o consumo de camisas de futebol no RS

Objetivo é entender a presença dos produtos oficiais e falsificados na ofertas; foco principal está nos torcedores da dupla Grenal

Objetivo é entender a presença dos produtos oficiais e falsificados na ofertas; foco principal está nos torcedores da dupla Grenal

/FABIOLA CORREA/JC
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Jornal Cidades
O futebol ultrapassa o campo e se consolida como um dos espaços mais potentes de construção simbólica e identitária na sociedade contemporânea. Camisas de clubes e seleções não são apenas produtos esportivos, mas artefatos carregados de significado, tradição e pertencimento pelos fãs. Nesse contexto, o professor Marcelo Curth, da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, vem desenvolvendo estudos que investigam a relação entre branding (construção de marca), identidade e a falsificação de materiais esportivos. As pesquisas, realizadas no âmbito do mestrado em Administração, buscam compreender como torcedores avaliam, consomem e atribuem valor a esses produtos.
 
Para esse fim, foi aplicada uma pesquisa estruturada a torcedores da dupla Grenal, com início no primeiro semestre do ano passado. Conduzida de forma online, permitindo alcançar torcedores de diversos perfis sociodemográficos, a coleta de dados contemplou conceitos como identificação com o time, qualidade percebida, atitudes em relação a produtos falsificados, intenção de compra, normas sociais e percepção de exclusividade. Até o momento, a pesquisa teve aproximadamente 300 respondentes.
 
Curth explica que os resultados obtidos indicam que o consumo no futebol é fortemente orientado por dimensões simbólicas. Isso significa que a identificação com o time é mais determinante do que a qualidade percebida dos produtos oficiais. Conforme os achados do estudo, esse entendimento vai influenciar na baixa valorização percebida dos produtos oficiais por parte dos consumidores, o que pode favorecer a abertura para o consumo de itens falsificados. “Quando o torcedor não percebe diferenciação clara, legitimidade ou valor adicional no produto original, a barreira simbólica contra a falsificação tende a diminuir. Nesse sentido, a decisão de consumo deixa de ser guiada pela autenticidade e passa a incorporar critérios como acessibilidade e custo-benefício”, afirma.
 
Outro aspecto importante refere-se à hierarquia da identidade no consumo esportivo. Segundo o pesquisador, a identidade do torcedor está, em primeiro lugar, associada ao clube ou seleção, e apenas em um segundo momento à marca fornecedora de material esportivo. Isso ajuda a explicar por que produtos falsificados continuam sendo consumidos: mesmo não sendo oficiais, eles ainda cumprem a principal função simbólica, que é o de representar o vínculo com o time.
O futebol ultrapassa o campo e se consolida como um dos espaços mais potentes de construção simbólica e identitária na sociedade contemporânea. Camisas de clubes e seleções não são apenas produtos esportivos, mas artefatos carregados de significado, tradição e pertencimento pelos fãs. Nesse contexto, o professor Marcelo Curth, da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, vem desenvolvendo estudos que investigam a relação entre branding (construção de marca), identidade e a falsificação de materiais esportivos. As pesquisas, realizadas no âmbito do mestrado em Administração, buscam compreender como torcedores avaliam, consomem e atribuem valor a esses produtos.
 
Para esse fim, foi aplicada uma pesquisa estruturada a torcedores da dupla Grenal, com início no primeiro semestre do ano passado. Conduzida de forma online, permitindo alcançar torcedores de diversos perfis sociodemográficos, a coleta de dados contemplou conceitos como identificação com o time, qualidade percebida, atitudes em relação a produtos falsificados, intenção de compra, normas sociais e percepção de exclusividade. Até o momento, a pesquisa teve aproximadamente 300 respondentes.
 
Curth explica que os resultados obtidos indicam que o consumo no futebol é fortemente orientado por dimensões simbólicas. Isso significa que a identificação com o time é mais determinante do que a qualidade percebida dos produtos oficiais. Conforme os achados do estudo, esse entendimento vai influenciar na baixa valorização percebida dos produtos oficiais por parte dos consumidores, o que pode favorecer a abertura para o consumo de itens falsificados. “Quando o torcedor não percebe diferenciação clara, legitimidade ou valor adicional no produto original, a barreira simbólica contra a falsificação tende a diminuir. Nesse sentido, a decisão de consumo deixa de ser guiada pela autenticidade e passa a incorporar critérios como acessibilidade e custo-benefício”, afirma.
 
Outro aspecto importante refere-se à hierarquia da identidade no consumo esportivo. Segundo o pesquisador, a identidade do torcedor está, em primeiro lugar, associada ao clube ou seleção, e apenas em um segundo momento à marca fornecedora de material esportivo. Isso ajuda a explicar por que produtos falsificados continuam sendo consumidos: mesmo não sendo oficiais, eles ainda cumprem a principal função simbólica, que é o de representar o vínculo com o time.
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Os resultados também demonstraram que o alto preço das camisas oficiais aparece como um fator relevante. Para parte dos torcedores, especialmente aqueles situados em faixas intermediárias de renda, o custo elevado dos produtos oficiais pode funcionar como uma barreira de acesso, ampliando a atratividade de alternativas não oficiais. Esse resultado dialoga com a dimensão econômica do consumo e evidencia que, mesmo em contextos altamente simbólicos, o preço continua sendo um elemento decisivo para compra de produtos oficiais como primeira opção.
 
Como continuidade da agenda de pesquisa, o estudo está sendo replicado em Portugal, permitindo comparações internacionais e ampliando a compreensão sobre como fatores culturais, econômicos e contextuais influenciam o comportamento de consumo de produtos esportivos em diferentes mercados. A pesquisa possui, ainda, dados em nível nacional, os quais estão sendo analisados e que, posteriormente, serão divulgados.

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