Lançado desde 2016, o Índice de Sustentabilidade e Limpeza Urbana (ISLU) é produzido pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) e analisa mais de quatro mil municípios brasileiros em questões referentes à coleta e destinação de lixo. O resultado da análise é um valor entre 0 e 1, que popularmente determina as cidades mais limpas do Brasil. Referente ao ano de 2025, cuja publicação ocorreu em dezembro do ano passado, Xangri-Lá, no Litoral Norte gaúcho, alcançou índice 0,807, o que colocou a cidade em quarto lugar no ranking nacional e em primeiro lugar no Estado, sendo considerada a mais limpa do RS.
Luiz Alberto Cabelleira, secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Xangri-Lá, afirma que ações de coleta e destinação dos resíduos foram fundamentais para o resultado do município no índice. Segundo ele, são 14 caminhões diários que percorrem toda cidade, inclusive durante a madrugada. Além disso, o convênio com recicladores gerou uma nota considerada alta na avaliação
Cabelleira também destaca as ações sazonais da prefeitura. Durante a alta temporada de verão, na região as frotas de caminhões são ampliadas, atuando mais de uma vez ao dia. Um trabalho de coleta acontece também na faixa de areia diariamente, afirma o secretário, assim como ressalta a presença de ecoponto no município para resíduos de construção civil. "É um trabalho de anos", afirma o secretário.
Antônio Januzzi, diretor técnico da Abrema, explica como o índice é calculado. Segundo ele, o ISLU baseia-se em informações autodeclaratórias, uma vez que a fonte principal da associação é o relatório do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) preenchido pelos próprios municípios anualmente. O resultado final do índice é a média ponderada de quatro dimensões: engajamento do município (E), sustentabilidade financeira (S), recuperação de resíduos (R) e impacto ambiental (I).
Para chegar ao cálculo final, é primeiro feito um cálculo para cada uma das quatro dimensões, as quais têm peso diferente na média final. A dimensão E, com peso de 31%, refere-se à coleta de lixo e o percentual da população municipal que tem acesso a ela. A dimensão de sustentabilidade financeira tem peso de 24% e analisa o gasto do município com o manejo dos resíduos sólidos. Já a R, com peso de 22%, é calculada segundo a quantidade de lixo reciclado pelo município. Para a análise do impacto ambiental, que tem peso de 23%, é usada a porcentagem de resíduos destinados corretamente, isto é, em aterros sanitários.
Nas posições gerais do ranking, o Rio Grande do Sul se destaca com a presença de três cidades no top 10, assim como diversos municípios que ficam dentre as 100 mais limpas do Brasil, segundo o ranking. De acordo com o diretor, os bons índices do Estado acontecem devido à destinação adequada dos resíduos na maioria dos municípios. Dos 497 municípios gaúchos, em torno de 420 destinam seus resíduos de maneira correta, relata o diretor. "O lixão é aquele local que não tem nenhuma preocupação com impactos ambientais. É uma área sem cuidado nenhum e tudo que for colocado lá, vai poluir", afirma.
Para Januzzi, a reciclagem ainda é um desafio em todo o Brasil. Segundo ele, o trabalho de reciclagem requer esforço tanto da população, com a separação do lixo orgânico e seletivo, quanto do governo municipal, dando infraestrutura na coleta de resíduos. Entretanto, o maior desafio acontece no pós-coleta, feito majoritariamente por corporações, explica o diretor. "Em nível nacional, os números mais elevados que temos é 10% de resíduos reciclados pelos municípios. Ainda tem muito para melhorarmos", explica o diretor.
Coleta de lixo é apontada como fator principal para bom resultados em três cidades gaúchas
Municípios ganharam notabilidade com boas práticas no setor
FreePik/Reprodução/Cidades
Outros três municípios no RS chamam atenção no índice e ocupam lugares de destaque entre as quatro mil cidades analisadas pela Abrema. Estação, Santa Rosa e Casca, alcançaram respectivamente o quinto, o décimo e o décimo oitavo lugar no ranking nacional da Abrema.
Para Anderson Mantei, prefeito de Santa Rosa, a inclusão da cidade no índice acontece devido à substituição da empresa que realizava a coleta e reciclagem do lixo. Ele ressalta que a fiscalização por parte da Secretaria do Meio Ambiente garante que o serviço entregue é aquele que foi contratado. “Não fizemos nenhum milagre. Aquilo que foi contratado pelo município está sendo entregue, junto a uma fiscalização e disposição da prefeitura, porque quando necessário o próprio município atua”.
Casca também destaca o processo de limpeza urbana como fundamental. Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Jonei Barbisan, no município acontece tanto a fiscalização da empresa terceirizada quanto das rotas de coleta de lixo, a fim de alcançar todas as comunidades, rurais e urbanas. A coleta periódica de resíduos diferenciados, como móveis, eletrônicos e eletrodomésticos, assim como um ponto fixo para descarte de pneus, para prevenir a proliferação de vetores e a poluição ambiental são destacados pelo secretário
Já Carla Carvalho, diretora de Núcleo de Meio Ambiente do município de Estação, reitera que a prefeitura mantém coleta seletiva implantada desde 1998, acompanhada de campanhas de conscientização. Carvalho também destaca a fiscalização contínua na limpeza urbana, além das coletas periódicas de entulhos, medidas que, segundo ela, ajudaram a cidade a alcançar o quinto lugar no índice.
Os três representantes afirmaram que a posição no ISLU tem consequências diretas na qualidade de vida do município, impactando desde a economia da cidade até a saúde da população, uma vez que a coleta de resíduos influencia na presença de doenças. Para Carla, o ranking também valida o esforço por parte da população e do município, “é uma validação do trabalho conjunto entre governo e população. Ele comprova o avanço na gestão ambiental e eleva a credibilidade da cidade, além de abrir espaço para atração de recursos e parcerias”.