O IV Fórum de Economia Azul teve início esta semana, integrando a programação do Festimar 2026 e reunindo autoridades, especialistas e lideranças para discutir caminhos estratégicos para o desenvolvimento regional a partir do potencial marítimo de Rio Grande.
A programação teve seguimento com a palestra magna ministrada pelo diretor e presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, sobre a infraestrutura portuária. O tema foi relacionado à Economia Azul no Brasil, reforçando o papel estratégico dos portos no crescimento econômico e na integração logística. No contexto regional, Povia reforçou o potencial da Bacia de Pelotas como local estratégico para o desenvolvimento energético e científico, tema que permeou os painéis seguintes.
O debate foi aprofundado durante o pitch promovido pelo Sicredi que relacionou a Bacia a possíveis contribuições à pesquisa sísmica. O momento foi mediado pelo sócio fundador e diretor da ARB.Legal, Arthur Baptista, e reuniu o vice-presidente executivo da TGS, David Hajovsky, o gerente de contas globais da TGS Brasil, João Corrêa, e o diretor geral IO-Furg, Eduardo Secchi.
Nesse contexto, a Bacia de Pelotas foi apontada como uma possível resposta estratégica — não apenas para o Rio Grande do Sul, mas para o cenário global. Habovsky ressaltou que os dados sísmicos atualmente em aquisição irão subsidiar pesquisas da universidade, avaliações ambientais e o planejamento da Economia Azul, gerando valor imediato para o Estado. “Isso não é um prêmio de consolação, mas um benefício estrutural da exploração de novas fronteiras”, afirmou.
Em entrevista concedida após o painel, Habovsky relacionou diretamente o cenário global com as oportunidades locais. Ao comentar o cenário do Estreito de Ormuz, ele destacou que a redução da oferta mundial de petróleo e gás eleva o risco e abre espaço para novas regiões produtoras. Nesse cenário, a Bacia de Pelotas, ainda considerada uma fronteira exploratória, depende de etapas para comprovação de seu potencial.
Outro painel do dia abordou a integração entre a cadeia marítimo-portuária e as novas fronteiras energéticas, como a eólica offshore e o hidrogênio verde. A mediação foi conduzida por Fernando Estima, gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Portos RS. Durante o painel, foram discutidos os desafios regulatórios, tecnológicos e estruturais para a implementação de projetos offshore no Brasil, além das perspectivas para a produção e exportação de hidrogênio verde. A programação do Festimar em Rio Grande segue até o dia 5 de abril.