Após o anúncio do Ministro da Educação, Camilo Santana, sobre a abertura de um novo curso de medicina em Bagé, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) emitiu um comunicado em que manifesta "profunda preocupação" com a autorização. Segundo o Cremers, trata-se de uma "decisão populista e contraditória do governo federal, que ignora tanto a grave crise estrutural da saúde no município".
O curso deve ser oficializado até o fim do mês, através do Diário Oficial da União, e confirmado para a Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Segundo o Conselho, o município de Bagé enfrenta uma crise sanitária, marcada pela escassez de médicos especialistas no SUS, falta de insumos básicos nas unidades de pronto atendimento e atrasos salariais para os médicos que atuam na cidade, muitos deles trabalhando sem vínculo formal. "Que espécie de formação médica pode ser oferecida em um ambiente onde faltam desde medicamentos básicos até condições mínimas de trabalho para os profissionais já estabelecidos? Os resultados da primeira edição do Enamed corroboram o alerta que o Cremers vem fazendo há anos sobre a precarização do ensino. Mas a aprovação do curso na Unipampa demonstra que critérios políticos continuam a se sobrepor a critérios técnicos e acadêmicos", disse a entidade, em comunicado.
O Cremers ainda afirma que vai tomar medidas judiciais e extrajudiciais para barrar a criação do curso. Em Bagé, o ministro da Educação disse que vai autorizar o número de professores e de técnicos, com ampliação de orçamento para a universidade, e que "falta apenas a infraestrutura para iniciar". O desejo do ministro é de que as aulas iniciem a partir do segundo semestre de 2026.