Porto Alegre,

Publicada em 24 de Março de 2026 às 00:30

UFSM quer reduzir tempo para pesquisa com novo laboratório

Estrutura será inaugurada no dia 31 e tem como foco o estudo sobre ingredientes para a criação de novos tipos de alimentos

Estrutura será inaugurada no dia 31 e tem como foco o estudo sobre ingredientes para a criação de novos tipos de alimentos

/Juliano Barin/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Maria Vitória Marca
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A inauguração do laboratório da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) acontece ainda em março, no dia 31. O projeto é coordenado por Juliano Barin e Maria Daniele Dutra, e é considerado o primeiro laboratório de Foodtech do Brasil. Dentro do espaço serão realizadas pesquisas voltadas a todo tipo de alimento, desde proteínas, animais e vegetais, até frutas e verduras, com equipamentos que podem alterar sabor, textura e formato. Assim, a inauguração do espaço deve facilitar o acesso de estudantes e empresas a pesquisas da área, além de agilizar o processo, que hoje só acontece durante o período de formação, como graduação, mestrado e doutorado. 
A inauguração do laboratório da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) acontece ainda em março, no dia 31. O projeto é coordenado por Juliano Barin e Maria Daniele Dutra, e é considerado o primeiro laboratório de Foodtech do Brasil. Dentro do espaço serão realizadas pesquisas voltadas a todo tipo de alimento, desde proteínas, animais e vegetais, até frutas e verduras, com equipamentos que podem alterar sabor, textura e formato. Assim, a inauguração do espaço deve facilitar o acesso de estudantes e empresas a pesquisas da área, além de agilizar o processo, que hoje só acontece durante o período de formação, como graduação, mestrado e doutorado. 
Segundo o professor Barin, o processo em torno das pesquisas na área de alimentos envolve empresas privadas. No atual cenário, para uma pesquisa acontecer, é necessário que o estudante esteja vinculado a um trabalho de conclusão de curso (TCC), tese de doutorado ou dissertação de mestrado. "Nossas interações com empresas dependem muito dos contatos que os pesquisadores possuem, não é um contato institucional. Com a criação do FabLab, vamos ter um ponto focal dentro da instituição e dentro do ecossistema de inovação de Santa Maria. Assim, o contato será mais acessível, isto é, empresas, pesquisadores, empreendedores e a sociedade civil podem nos procurar, pois seremos o ponto focal para interação com a comunidade", afirma o coordenador do projeto. 
Com a inauguração do laboratório, não há necessidade de estar vinculado com à universidade, que agora pode servir como prestadora de serviço, explica Barin. De acordo com ele, após o contato com o laboratório ser feito, será realizada uma triagem a fim de entender a necessidade. A partir disso, será possível optar por realizar uma prestação de serviço ou incluir a necessidade do empreendedor em uma pesquisa mais extensa, neste caso, envolvendo um aluno da UFSM. "Com o contato da empresa, vamos tentar identificar o melhor caminho para que aquilo que ela busca, aconteça", conta. 
Com esse processo facilitado as pesquisas devem demorar até oito vezes menos tempo para serem finalizadas. De acordo com Barin, pesquisas que antes levavam em torno de 24 a 48 meses devem passar a demorar menos de seis meses.
Para a coordenadora do projeto, Maria Daniele Dutra, o laboratório também é um avanço em questão de sustentabilidade. Com equipamentos que podem transformar a casca de laranja em corante alimentício, por exemplo, o espaço tem como objetivo criar soluções para o desperdício de alimentos. Além disso, há a possibilidade de alterar sabores e texturas dentro de mercados mais segmentados, como o vegano e o vegetariano. Dutra explica que, com as tecnologias presentes no novo espaço, é possível dar gosto de uma proteína animal a um vegetal, quase como se um novo alimento fosse criado. Um exemplo desse processo é a criação de nuggets à base de ervilha. Isso é possível por meio de equipamentos que transformam o sabor e textura da ervilha para que fique similar a de uma proteína animal, neste caso o frango.
De acordo a coordenadora, a inauguração do laboratório facilitará o acesso a equipamentos e tecnologias que hoje são restritas a grandes indústrias, de forma que o espaço funcionará como um ecossistema para a comunidade geral. Além disso, o FabLab desempenha um papel importante na nacionalização dessas tecnologias, afirma a coordenadora do projeto. Com acesso a um laboratório nacional a universidade reduz a dependência de importações caras e prova a competência técnica brasileira, "Se estamos criando aqui, conseguimos tornar essa tecnologia de inovação mais acessível e isso é transformador", afirma.

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