Com quatro casos de dengue confirmados somente em março, a cidade Estância Velha, no Vale do Sinos, estima que o número ultrapasse os 100 até o fim do ano. Se confirmado o montante, é mais do dobro do ano passado, que teve 42 registros da doença. A elevação deve acontecer devido ao ciclo de vida do vírus e à circulação dos sorotipos, explica o secretário municipal da Saúde, Yuri Campos. A prefeitura tem utilizado medidas preventivas para evitar a proliferação do Aedes Aegypti, normalmente associada à presença de água parada.
As regiões com mais focos da doença são os bairros Lago Azul e Rincão dos Ilhéus, dois pontos distantes entre si, afirma o secretário. Segundo ele, a medida mais efetiva utilizada pela prefeitura é as ovitrampas, um tipo de armadilha espalhada pelo município, feita por meio da cevada da cerveja, que atrai o mosquito a deixar seus ovos no local. Com esse monitoramento, é possível entender as regiões com mais presença do Aedes Aegypti, além de realizar o controle biológico, explica Campos. "Temos diversas ações na cidade que funcionam para frear a proliferação do mosquito", conta.
A maior parte dos locais atingidos são residenciais, que correspondem a 70% dos focos do mosquito, segundo o secretário. "A maior incidência acontece no pátio das pessoas. É algo simples, como água parada dentro do pote da flor nos fundos do quintal de casa, ou água parada em algum pneu, que não é descartado pelo morador", afirma o secretário. Qualquer água parada é um criadouro propício, explica, desde um pote com água parada até uma piscina sem tratamento, alerta Yuri.
Outra explicação para a previsão de casos para 2026 é o ciclo de vida do vírus na população e a circulação dos diferentes sorotipos da doença. Segundo Campos, após um surto, grande parte da população desenvolve imunidade ao sorotipo do vírus que estava em circulação, assim a transmissão diminui, mas só temporariamente. Ao longo de dois a três anos os casos tendem a crescer novamente, devido ao número de pessoas suscetíveis, seja porque não tiveram contato prévio com o vírus ou porque a imunidade coletiva diminui, explica o secretário.
Dessa forma, a previsão de casos de dengue em Estância Velha para 2026 se assemelha aos casos confirmados em 2024, que totalizaram 173. "Por esses fatores do ciclo do vírus e pelos fatores climáticos, que também afetam a proliferação, acredito na elevação dos casos este ano", afirma Campos