Porto Alegre,

Publicada em 26 de Fevereiro de 2026 às 18:05

Fuscoteca de Amadinho democratiza o acesso a livros em São Lourenço do Sul

Projeto, criado em 2025 por Rodrigo Seefeldt, deve ser ampliado em 2026 com a compra de um reboque maior para as obras

Projeto, criado em 2025 por Rodrigo Seefeldt, deve ser ampliado em 2026 com a compra de um reboque maior para as obras

Rodrigo Seefeldt/Divulgação/Jornal Cidades
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Maria Vitória Marca
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Um Fusca amarelo do ano de 1971 tem chamado a atenção na praça central de São Lourenço do Sul, no Sul do Estado. Desde o ano passado, a Fuscoteca do Amadinho realiza doações e trocas de livros, junto ao carro antigo. O dono do veículo, Rodrigo Seefeldt, conta que o veículo tem "vida própria" e que isso o inspirou a escrever um livro infantil, "As Aventuras do Fusca Amadinho".
Um Fusca amarelo do ano de 1971 tem chamado a atenção na praça central de São Lourenço do Sul, no Sul do Estado. Desde o ano passado, a Fuscoteca do Amadinho realiza doações e trocas de livros, junto ao carro antigo. O dono do veículo, Rodrigo Seefeldt, conta que o veículo tem "vida própria" e que isso o inspirou a escrever um livro infantil, "As Aventuras do Fusca Amadinho".
Além das doações, a Fuscoteca também realiza a troca de livros. Ao trazer um livro - pode ser qualquer gênero para qualquer idade - é possível retirar outros dois da coleção do projeto. Dessa maneira, o idealizador do projeto conseguiu continuar com a ação, que iniciou com doações de escritores, escolas e outras entidades. Desde o início o programa já recebeu 2.800 livros, sendo que desse número, dois mil já foram doados.
Amadinho foi adquirido pela família em 2014, quando buscavam por um veículo. Segundo Seefeldt, um amigo seu vendeu o carro a ele em cinco parcelas de R$ 200. "Ele era o nosso primeiro carro, só que veio cheio de ratos e todo deformado. A pintura corroída e pneus furados. Aos poucos fomos arrumando ele". Ele só foi conseguir usar o veículo em 2015, um ano depois, por conta das avarias. Por isso a ideia do carro ter vida própria, Seefeldt fala como o fusca ia para onde queria e quando queria.
Antes de levar seu Fusca para feiras e eventos, Rodrigo o usava para divulgar seu livro em escolas de São Lourenço do Sul. Foram oito escolas visitadas durante o último ano, nas quais o autor contava a história do veículo, além de incentivar a doação de livros e o interesse pela literatura. Foi durante o trabalho de divulgação que Maria Flor, filha de Rodrigo, e "irmã" do Amadinho, deu a ideia para a Fuscoteca, "Pai, não adianta nós irmos nas escolas, também precisamos dar a oportunidade para as pessoas conhecerem os livros", disse.
Com o dinheiro da venda do livro, Seefeldt arrumou o carro, melhorou a pintura e contratou um mecânico. Não só isso, por meio da Lei Aldir Blanc, o idealizador da Fuscoteca também adquiriu um reboque a fim de transportar os livros junto ao Fusca. Com isso, foi criado o projeto em 2025, que este por 10 oportunidades na praça central da cidade. O autor publica em seu Instagram (@fusca_amadinho) onde estará com o carro. "Nossas redes sociais tem uma grande interação, quando colocamos onde vamos estar as pessoas sempre vão junto", conta.
Já o nome, Amadinho, foi dado por Maria Flor em homenagem ao pai, que o tinha como apelido. Hoje, o fusca é uma espécie de "pop star" da cidade, fala Seefeldt, "Por onde a gente passa as pessoas acenam para ele".
A Fuscoteca continua durante 2026 e o autor sonha com um reboque maior, para conseguir transportar ainda mais livros para cidades mais distantes. "Esperamos levar o carro para vários lugares e cada vez mais longe. A doação sempre acontece, mas nosso maior desafio é conseguir chegar mais longe e atingir mais pessoas". Para esse ano, o objetivo é conseguir levar o projeto para a região rural de São Lourenço do Sul, afirma.
Para Seefeldt, o projeto é uma maneira de democratizar a leitura. Além disso, ele acredita ser ainda mais importante facilitar o acesso a livros físicos em um momento de predomínio das telas digitais. "Como estamos vivendo esse mundo diferente, que a tela nos chama cada vez mais, acredito que manusear um livro físico traz um benefício enorme", afirma. Além disso, Rodrigo busca desconstruir uma ideia que cresceu com ele, a de que leitura é para quem tem dinheiro. "Eu sou do interior, e lá sempre teve uma visão de que só pode escrever um livro quem tem dinheiro'. O projeto também serve para isso", conclui.

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