Porto Alegre,

Publicada em 12 de Fevereiro de 2026 às 14:28

URI e Unijuí lamentam revogação de edital para cursos de medicina

Instituições do Norte do RS avaliam medidas judiciais após decisão do MEC que cancelou chamamento para abertura de novos cursos privados no país

Instituições do Norte do RS avaliam medidas judiciais após decisão do MEC que cancelou chamamento para abertura de novos cursos privados no país

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Jornal Cidades
A revogação do edital que autorizaria a abertura de novos cursos de Medicina em instituições privadas de ensino superior provocou reação de universidades do Norte do Rio Grande do Sul. A decisão do Ministério da Educação (MEC), oficializada pela Portaria nº 129, de 9 de fevereiro, cancelou o Edital de Chamamento Público nº 01/2023, que previa a criação de até 95 cursos no país - quatro deles no Estado - e 5.700 novas vagas. URI e Unijuí, que participavam do processo, manifestaram contrariedade e avaliam a adoção de medidas judiciais.
A revogação do edital que autorizaria a abertura de novos cursos de Medicina em instituições privadas de ensino superior provocou reação de universidades do Norte do Rio Grande do Sul. A decisão do Ministério da Educação (MEC), oficializada pela Portaria nº 129, de 9 de fevereiro, cancelou o Edital de Chamamento Público nº 01/2023, que previa a criação de até 95 cursos no país - quatro deles no Estado - e 5.700 novas vagas. URI e Unijuí, que participavam do processo, manifestaram contrariedade e avaliam a adoção de medidas judiciais.
O chamamento havia sido lançado em outubro de 2023, no contexto da retomada do programa Mais Médicos, com o objetivo de descentralizar a formação e reduzir desigualdades regionais. Desde então, o cronograma foi sucessivamente adiado diante do grande volume de propostas e da judicialização de pedidos de abertura de cursos fora do edital. Segundo o MEC, mais de 360 ações resultaram em cerca de 60 mil vagas pleiteadas por decisões liminares. A pasta argumenta que a expansão recente - somada ao aumento de cursos nos sistemas estaduais, hoje com 77 graduações, e aos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que apontou desempenho insatisfatório em cerca de 30% dos cursos - alterou substancialmente o cenário que embasou o edital. Não há prazo para novo chamamento.
Na região das Missões, a URI Santo Ângelo afirma ter sido pré-selecionada e considerada forte candidata à implantação do curso. O projeto previa 60 vagas anuais, com reserva para cotas sociais via ProUni e ações afirmativas étnico-raciais e para pessoas com deficiência. Segundo o diretor acadêmico, Carlos Lemos, a universidade dedicou cerca de dois anos e meio à elaboração da proposta. “Concentramos toda nossa energia em um projeto de excelência, alinhado às exigências do edital”, afirmou, em comunicado emitido pela instituição. A URI não descarta buscar revisão judicial para resguardar os investimentos e o projeto.
A Unijuí, que concorria para implantar o curso no Campus Santa Rosa, também havia sido habilitada para a etapa avaliativa seguinte. O reitor Dieter Rugard Siedenberg atribui a revogação ao volume de judicializações e às mudanças regulatórias ocorridas durante a tramitação. Ele lembra que decisões judiciais autorizaram, em 2024 e 2025, a abertura de 77 cursos “por fora” do edital, com número de vagas semelhante ao previsto no chamamento cancelado. Embora avalie possíveis medidas judiciais, a instituição afirma que seguirá investindo na área da saúde, com a recente oferta de cursos como Biomedicina, Farmácia, Fisioterapia e Fonoaudiologia em Santa Rosa.
Para as duas universidades, a revogação frustra expectativas regionais, especialmente em áreas apontadas pelo próprio governo como carentes de médicos. O MEC, por sua vez, sustenta que a medida não interrompe a política de expansão da formação médica, mas busca reorganizar a oferta com foco na qualidade e na adequação às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

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