Porto Alegre,

Publicada em 09 de Fevereiro de 2026 às 11:28

Futebol levou 130 mil pessoas a Caxias do Sul no ano passado

Mesmo com ingressos mais caros nas partidas entre a dupla, demanda tem crescido

Mesmo com ingressos mais caros nas partidas entre a dupla, demanda tem crescido

Ricardo Duarte/Inter/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
A percepção sobre o impacto de investimentos na realização de eventos esportivos é reforçada pelo comércio.
A percepção sobre o impacto de investimentos na realização de eventos esportivos é reforçada pelo comércio.
O presidente do Sindilojas Caxias, Rossano Boff, lembra que, no ano passado, o futebol levou cerca de 130 mil pessoas de fora ao município. "Sempre que aumenta o fluxo de visitantes, o comércio sente. As pessoas circulam, passeiam e acabam consumindo", diz. Segundo ele, há tanto torcedores que fazem bate-volta quanto famílias que permanecem um ou dois dias, aproveitando a estrutura turística da cidade. De qualquer forma, o saldo é positivo.
Em Santa Cruz do Sul, onde hoje apenas o Avenida disputa a elite estadual, o secretário de Esportes e Lazer, Daiton Mergen, avalia que o impacto dos jogos da dupla é mais turístico do que esportivo. No duelo contra o Grêmio, além dos torcedores que lotaram o Estádio dos Eucaliptos, cerca de 2 mil pessoas utilizaram o Parque da Oktoberfest em ações ligadas à torcida visitante, movimentando bares, restaurantes e o comércio informal na região.
"O futebol acaba funcionando como porta de entrada. A pessoa vem pelo jogo, conhece a cidade e depois retorna para outros eventos", afirma Mergen, citando a Oktoberfest e competições nacionais como exemplos. Ele observa ainda que o entorno do estádio também se beneficia, com vendas distribuídas pelo varejo formal e informal.
Já no Norte do Estado, Erechim e o Alto Uruguai vivem o Gauchão de forma particular. Para o secretário Wallace Soares, a presença de Grêmio ou Inter supre uma lacuna histórica: muitos torcedores da região não têm o hábito - ou a facilidade, devido à distância - de se deslocar até Porto Alegre para assistir a jogos de Série A.
"Vem gente de toda a região do Alto Uruguai, de cidades como Frederico Westphalen, e até de Santa Catarina. Estamos a cerca de 40 minutos da divisa, e sabemos que o Oeste catarinense tem muitos torcedores da dupla. Isso faz com que a rede hoteleira, os restaurantes e o setor de serviços tenham um acréscimo muito significativo de movimento e por vezes lotem", conta.
Soares chama atenção também para a importância da bilheteria para clubes do Interior, como o Ypiranga. "Esses jogos costumam gerar lucro e ajudam a garantir a sustentabilidade financeira do nosso time local", afirma, lamentando que o impacto diminui quando as equipes de Porto Alegre vêm com times reservas, mesmo que siga relevante.
Em comum, os municípios enxergam no turismo esportivo uma aposta contínua. Seja como um grande evento pontual, seja como estímulo recorrente à circulação de visitantes nos municípios de destino, os jogos do Gauchão - especialmente aqueles que envolvem Grêmio e Inter - seguem sendo, longe de Porto Alegre, uma das expressões mais claras de como o futebol se mistura ao cotidiano, à economia e à identidade regional.

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