Porto Alegre,

Publicada em 16 de Fevereiro de 2026 às 14:00

Entrada de argentinos por Uruguaiana é quase 40% menor que o verão passado

Principal impacto da diminuição do fluxo na temporada 2025-2026 está no setor hoteleiro, onde movimento caiu até 50%

Principal impacto da diminuição do fluxo na temporada 2025-2026 está no setor hoteleiro, onde movimento caiu até 50%

EDUARDO ROCHA/DIVULGAÇÃO/JORNAL CIDADES
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Maria Vitória Marca
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A fronteiriça Uruguaiana, que separa o Brasil de Paso de Los Libres, na Argentina, é a principal porta de entrada de argentinos que buscam as praias tanto do litoral catarinense, quanto os que permanecem no Rio Grande do Sul durante o verão. Mas, se os meses de dezembro de 2024 e janeiro de 2025 registraram a passagem mais de 300 mil estrangeiros pelo posto migratório, volume quase 90% superior ao mesmo período entre 2023 e 2024, a temporada atual teve um fluxo de 195.449 argentinos, representando uma queda de 39,5%.
A fronteiriça Uruguaiana, que separa o Brasil de Paso de Los Libres, na Argentina, é a principal porta de entrada de argentinos que buscam as praias tanto do litoral catarinense, quanto os que permanecem no Rio Grande do Sul durante o verão. Mas, se os meses de dezembro de 2024 e janeiro de 2025 registraram a passagem mais de 300 mil estrangeiros pelo posto migratório, volume quase 90% superior ao mesmo período entre 2023 e 2024, a temporada atual teve um fluxo de 195.449 argentinos, representando uma queda de 39,5%.
A diminuição impactou principalmente a rede hoteleira de Uruguaiana. De acordo com Edson Ricardo Mainardi, sócio administrador do hotel Monte Carlo, a expectativa de hóspedes para a alta temporada era até maior do que 2025, já que os números haviam sido muito superiores a períodos anteriores. “Fizemos um grande preparativo para atender da melhor maneira possível este ano. Desde contratação de novos funcionários na recepção, até camareiras e lavanderia do hotel. Entretanto, não tivemos o movimento esperad.”, afirma.
Segundo Mainardi, durante o mês de janeiro o número de hóspedes argentinos foi 50% menor do que no mesmo período de 2025. Um dos motivos apontados pelo gestor tem a ver com a modernização dos trâmites de entrada no país, com o uso de QR Codes no processo. “A rapidez na aduana brasileira, num primeiro momento, diminui o nosso movimento em hospedagem, mas planta uma semente de uma boa rota para as praias brasileiras”, avalia.
Outro possível motivo é apontado pela secretária municipal do Desenvolvimento Econômico, Luciana Reis Semude: a escolha da via aérea para chegar ao Brasil. Segundo ela, os argentinos têm preferido fazer a viagem de avião até Porto Alegre ou Florianópolis. Para a secretária, a falta de duplicação na RS-290 influencia na escolha pela via aérea em vez da via terrestre: “São pontos que a gente precisa sentar após esse período e analisar”, afirma.
Mesmo tendo muitas vezes como destino final as praias de Santa Catarina, o Rio Grande do Sul é o lugar de entrada dos argentinos no Brasil. A fronteira influencia o comércio e a rede hoteleira durante todo o ano, mas os meses de verão e férias escolares impactam ainda mais os free shops e hotéis da cidade, salienta Luciana. Por isso, segundo ela, a qualidade do comércio da cidade convence o turista a parar em Uruguaiana antes de seguir viagem. A questão cambial também é relevante: “eles conseguem comprar muito mais aqui”, pontua.
Nesse sentido, mesmo com a redução no trânsito estrangeiro na cidade, o resultado no comércio não foi especialmente negativo. “Uruguaiana já está acostumada com altos e baixos em relação aos argentinos. Mesmo assim, o comércio não teve uma queda muito grande, porque os argentinos das regiões próximas vêm para fazer as compras aqui. Eles vêm para a cidade especificamente para fazer compras aqui, seja em mercados, seja no centro ou em free shops”, explica.
Além disso, apesar de a chegada no Brasil acontecer por Uruguaiana, isso não implica na entrada no perímetro urbano do município. Para Semude, faz parte do perfil do turista argentino visitar a cidade na viagem de volta, que é feita com mais calma, uma vez que a ida ao litoral é marcada com paradas rápidas em postos de gasolina na estrada, para não perderem tempo.
Além da qualidade do comércio no município, a secretária também vê a diversidade de produtos vendidos em free shops como um atrativo de compra para os argentinos. Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, a alta temporada de turismo, 60% das vendas feitas em lojas com isenção de impostos são para estrangeiros, durante o restante do ano essa porcentagem chega a 40%, de acordo com a Associação Brasileira de Lojas Free Shop, resultado da contínua presença de turistas argentinos na cidade.
 

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