Com atletas já em deslocamento, hospedagens reservadas e custos elevados assumidos, a organização optou por não cancelar a etapa. Em menos de um dia, a sede foi transferida para uma arena esportiva em Gravataí, onde o torneio acabou acontecendo no último final de semana. A mudança, no entanto, gerou perdas significativas: mais de 100 duplas desistiram da competição, e novos gastos foram necessários com transporte, nova produção de uniformes e logística.
"O prejuízo total passa de R$ 200 mil. Só em passagens aéreas foram mais de R$ 60 mil, além da produção de cerca de 3 mil uniformes com os logos do evento e da prefeitura, gastos com hotel e o fretamento de ônibus para levar atletas que já estavam no Litoral Norte até Gravataí. Grande parte desses custos não tem como reverter, e não houve reembolso de hospedagens já contratadas", lamenta Thales Melo.
Em nota enviada à reportagem, a prefeitura de Xangri-Lá negou ter firmado qualquer compromisso formal com o campeonato. A administração afirmou que, após verificação nos canais institucionais, não foi localizado plano de trabalho, solicitação formal ou documento protocolado que previsse apoio ao evento. Segundo o município, tratativas informais não podem ser consideradas válidas do ponto de vista administrativo, por não garantirem segurança jurídica nem respaldo legal para ações do poder público.
A prefeitura acrescentou que permanece aberta ao diálogo com organizadores e demais interessados, desde que as demandas sejam apresentadas pelos meios formais e dentro dos trâmites previstos. A nota não comentou diretamente os prejuízos relatados nem a mudança de sede às vésperas do evento.
Diante do ocorrido, a organização do torneio de futevôlei informa que irá adotar medidas judiciais para responsabilizar o município por danos financeiros, morais e de imagem. "Não é só pelo prejuízo financeiro, é pelo impacto na vida dos atletas, dos patrocinadores e de todo mundo que acreditou no evento", finaliza Melo.