São Borja é uma cidade que foi palco de fatos centrais na história do Brasil, como as missões jesuíticas e a guerra do Paraguai, além de ser o berço de dois presidentes da República. Para fazer jus a essa imagem, a prefeitura planeja criar uma rota turística com alguns dos principais atrativos históricos do município: a Praça XV de Novembro, considerada um sítio missioneiro, o casarão da família Goulart, o museu-casa de Vargas, além da construção do novo Museu Missioneiro de São Borja, cujos trabalhos foram iniciados em dezembro do ano passado e devem ser concluídos até setembro de 2026.
O projeto do Museu Missioneiro faz parte de um pacote de investimentos estaduais no valor de R$ 50 milhões, voltado para as áreas de turismo, cultura e infraestrutura nas regiões das missões jesuíticas, que completam 400 anos em 2026. O investimento foi anunciado em junho de 2025, quando o governo estadual formalizou 16 convênios com 12 municípios. Para a cidade de São Borja especificamente, foram destinados R$1,8 milhões para a construção do museu, com contrapartida de R$ 180 mil do município.
A abertura do Museu Missioneiro formará um conjunto com os demais atrativos, uma vez que o prédio está sendo construído em um terreno adjacente à casa memorial de Vargas, próximo também da praça XV de Novembro e do casarão Goulart, todos na avenida Presidente Vargas. O terreno destinado ao projeto tem 498 m², dos quais 382m² corresponderão à estrutura do museu com espaços para exposições fixas e temporárias, que devem ser interativas e voltadas para o audiovisual, explica o arquiteto responsável pelo projeto, Diego Eggres Bicca.
Atualmente, o tema das missões jesuíticas já faz parte do Museu Municipal Aparício Silva Rillo. Nomeado em homenagem a um poeta, compositor e historiador de São Borja, o local tem exposições focadas na história do município, desde sua fundação até a atualidade. Entretanto, a parte mais conhecida do seu acervo refere-se ao período das missões: das 563 peças presentes nele, 38 fazem referência à herança jesuítica da cidade, o que o popularizou como museu missioneiro.
Com o projeto exclusivamente devotado ao período das missões, o acervo jesuítico do Museu Municipal deve passar a fazer parte do novo local. O conjunto inclui itens como uma coleção estatuária missioneira, peças de escultura em madeira da época e até motivos religiosos em arte barroco, que integrarão uma exposição fixa. Com santos, mártires, anjos guerreiros, sinos, objetos antigos do catolicismo e pedras com inscrições centenárias, o acervo é considerado um dos maiores do Estado, perdendo apenas para o Museu Missioneiro de São Miguel das Missões.
Bicca pontua a importância do local, ressaltando que o período "também faz parte da identidade de São Borja". “A cidade tem um grande potencial histórico e cultural. Além de sermos a terra dos presidentes, também somos considerados um dos primeiros dos sete povos das missões. Tudo isso é importante para o pertencimento do povo de São Borja”, salienta.
Entre as imagens que se destacam no acervo do museu, estão a de Santo Isidro Lavrador, costumeiramente levado junto aos índios que trabalhavam na lavoura para abençoar a jornada; a estátua do Senhor dos Passos, em tamanho natural, além de uma pintura de Nossa Senhora do Socorro, feita em óleo e têmpera sobre madeira, em formato irregular e simétrico.