Porto Alegre,

Publicada em 06 de Fevereiro de 2026 às 13:19

Projeto é alternativa para lidar com saturação imobiliária no centro

Desafio da gestão é transformar planejamento urbano em política pública consistente

Desafio da gestão é transformar planejamento urbano em política pública consistente

simulação/prefeitura de gramado/divulgação/cidades
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
Mercado imobiliário e contexto recente

Mercado imobiliário e contexto recente

O debate sobre a Nova Centralidade ganha força em um momento específico do mercado imobiliário local. Como noticiou o Jornal Cidades no ano passado, Gramado e Canela registraram recuperação nas vendas de imóveis após o impacto das enchentes de 2024, com crescimento de 32,8% nas unidades comercializadas entre julho de 2024 e junho de 2025. Ao mesmo tempo, os lançamentos seguiram contidos, reflexo de limitações do Plano Diretor e de uma estratégia de cautela por parte dos incorporadores.
Entrevistado à época, o vice-presidente do Sinduscon-RS Pedro Bronstrup, afirmou enxergar a expansão planejada da Região Norte do município como uma alternativa para lidar com a saturação das áreas centrais e de bairros tradicionais, desde que acompanhada de infraestrutura adequada. Sobre esse ponto, o secretário Rafael Bazzan pondera que “não se trata apenas de abrir novas áreas para ocupação, mas de direcionar os investimentos de forma qualificada, garantindo redes, mobilidade e serviços antes que os problemas apareçam”.
Sobre a audiência pública com a comunidade, realizada na tarde da última terça-feira (3), Bazzan avalia que o encontro reuniu um público considerado recorde e evidenciou tanto o interesse quanto as dúvidas em torno do projeto. Segundo a Secretaria de Planejamento, questionamentos e resistências pontuais são esperados em uma proposta dessa escala, mas o desenho da Nova Centralidade vem sendo debatido há cerca de dois anos, em reuniões com proprietários das áreas incluídas nos 900 hectares, conselhos municipais e representantes da sociedade civil, além das discussões ocorridas durante a tramitação do Plano Diretor. Ainda está prevista ao menos mais uma audiência pública no âmbito da Câmara de Vereadores, etapa em que novas contribuições poderão ser incorporadas ao projeto.
Agora, o próximo passo é o envio do projeto à Câmara Municipal. A regulamentação está prevista em duas etapas: uma lei geral, que define o modelo espacial da área de expansão e as estratégias de gestão, e uma segunda lei específica para a Operação Urbana Consorciada da Zona de Ocupação Intensiva.
A expectativa da administração é encaminhar a primeira proposta ainda na primeira quinzena de fevereiro e a segunda em março. A meta é ter o arcabouço legal aprovado no primeiro semestre, permitindo que os primeiros movimentos práticos ocorram ainda em 2026. Apesar disso, o próprio governo municipal reconhece que se trata de um projeto de horizonte longo, pensado para moldar a cidade ao longo das próximas décadas.
Para Bazzan, o desafio agora é transformar o planejamento em política urbana consistente. “Estamos falando da Gramado dos próximos 30 anos. O papel do poder público é orientar esse crescimento, direcionar os investimentos e garantir que a cidade continue sendo boa para quem mora aqui e desejada por quem nos visita”, conclui.

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