O governador Eduardo Leite assinou, na manhã deste domingo (1), o contrato entre o governo do Estado, por meio do Badesul, e a empresa Rodoplast Indústria e Comércio de Componentes Plásticos Ltda para a implantação de uma planta de produção de hidrogênio verde (H₂V) integrada à gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU) no município de Vacaria. O projeto foi selecionado no edital de Desenvolvimento da Cadeia do Hidrogênio Verde (H₂V-RS), coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) em parceria com a Casa Civil e integra a estratégia de descarbonização do Estado.
A assinatura ocorreu no Parque de Exposições Nicanor Kramer da Luz, durante o Rodeio Internacional de Vacaria. A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite; da secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann; do gerente Regional Serra da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Fabio Decorato; do proprietário da Rodoplast, Omar Secchi; do prefeito de Vacaria, André Luiz Rokoski; além de outras autoridades.
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Durante a assinatura, Leite afirmou que o projeto representa um marco na estratégia de desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Sul. A secretária Marjorie Kauffmann destacou que o projeto simboliza um avanço importante na agenda de descarbonização do Estado, ao unir inovação tecnológica, gestão responsável de resíduos e produção de energia limpa.
O projeto da Rodoplast foi contemplado por meio Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Hidrogênio Verde do governo do Estado, no qual o Badesul atua como operador do edital e é responsável pelo acompanhamento da execução dos recursos. A iniciativa receberá uma subvenção de R$ 30 milhões do governo estadual, com contrapartida de R$ 15,3 milhões da empresa, conforme previsto no edital.
Na ocasião, foi entregue a Licença Prévia e de Instalação (LPIA), emitida pela Fepam, que autoriza a ampliação do empreendimento para a instalação de uma unidade piloto de tratamento térmico de resíduos e produção de hidrogênio, em Vacaria. A licença corresponde a uma das etapas de implantação do projeto da Rodoplast e permite o processo de pirólise, que deverá operar inicialmente em caráter experimental, mediante autorização específica para a realização de testes pré-operacionais. Essa etapa tem como objetivo comprovar a viabilidade técnica e ambiental da tecnologia, subsidiando a futura licença de operação. O sistema funcionará de forma contínua, com capacidade de processamento de até 15 toneladas de resíduos por dia.
O projeto prevê a implantação de uma planta para a produção de hidrogênio de baixo carbono, com um diferencial tecnológico: a integração direta com o sistema municipal de gestão de resíduos sólidos urbanos. O processo começa com a transformação dos resíduos em um Composto Biossintético Industrial (CBSI), que converte biomassa e plásticos em um material estável, com propriedades de combustível.
Na etapa seguinte, o CBSI passa pelo processo de pirólise, que consiste na decomposição térmica de materiais orgânicos em altas temperaturas e na ausência ou com baixa presença de oxigênio. Essa fase é fundamental para a produção do óleo que será utilizado na obtenção do hidrogênio de baixo carbono.
A iniciativa contribui para a redução do passivo ambiental local e fortalece os princípios da economia circular, ao alinhar desenvolvimento industrial, eficiência energética e gestão ambiental. O hidrogênio produzido será destinado, prioritariamente, ao uso em transporte e mobilidade sustentável, incluindo o abastecimento inicial de caminhões de coleta de resíduos urbanos movidos a hidrogênio, além de aplicações estacionárias para geração de energia elétrica, conforme a evolução do projeto. A proposta foi desenvolvida pela Rodoplast em parceria com a Ambientalplast Indústria e Comércio Ltda. e a Universidade de Caxias do Sul (UCS).