Durante os meses de dezembro e janeiro acontece a colheita da melancia, fruta que precisa do calor e da umidade para crescer e adocicar. No Vale do Paranhana, cidades como Taquara e Parobé realizam eventos que envolvem a venda do fruto, que colocam produtores rurais em contato direto com compradores.
Andreia Santos, agricultora de Parobé, fez sua primeira plantação em agosto de 2025 e já teve duas colheitas das quais ela mesma comercializou no município. Ela faz parte de uma família agrícola que passou o conhecimento do plantio de geração em geração, primeiro com seu avô, Hortencio, depois seu pai, Luiz Carlos, que então passou para ela e está sendo ensinado para o seu filho.
A fruta faz parte da tradição familiar, uma vez produzida pelo seu avô, mas não é o único cultivo da propriedade. A agricultora explica que o solo é rotativo, quando não se produz milho, devido ao clima, há a produção da fruta. Além desses cultivos, Andreia também comercializa ovos caipiras, milho verde e possui um hortifruti.
Para a melancia, foram separados dois hectares de terra dos 30 que pertencem à propriedade. O preparo do solo foi subsidiado pela prefeitura de Parobé com o envio de máquinas e mão de obra a fim de deixar a terra pronta para o plantio. A proprietária ad
quiriu em torno de quatro mil mudas da fruta, dos tipos Manchester, Top Gun e Jubilee.
O cultivo aconteceu em duas levas, a primeira em agosto do ano passado, colhida em dezembro, e a segunda em outubro, colhida para a Festa da Melancia em janeiro deste ano. Com o falecimento do pai em 2025, foi a primeira vez que Andreia realizou todo o processo sozinha, e por isso precisou buscar ajuda das amigas quando teve dificuldade em achar mão de obra, inspirando o nome de sua banca As Gurias do Agro. "O nome é uma questão de representatividade, geralmente a mulher fica atrás do homem na agricultura, mas no meu caso não", afirma a produtora rural.
Andreia diz que em torno de 80% da produção da melancia foi feita apenas por mulheres, que a ajudavam com a casa enquanto ela precisava se preocupar com a plantação, além de ajudarem no cultivo, como na preparação das covas para o plantio das mudas. Uma vez pronta para a comercialização, a venda ocorre diretamente pela agricultora junto a seu caminhão, na entrada do bairro Alexandria em Parobé. A fruta é vendida inteira, precificada entre R$ 25 e R$ 30, variando de acordo com o tamanho e não pelo quilo, como é feito no varejo. Durante a venda na Festa da Melancia, o preço permaneceu o mesmo e deve continuar até o fim do estoque, em fevereiro. A produtora também foi premiada com a melancia a mais pesada da festa em Parobé, com 26 quilos.
O investimento para o plantio da fruta vai além das compras das mudas, adubos e calcário. Mesmo que a melancia precise do calor, temperaturas acima dos 30 graus podem prejudicar a plantação, sendo necessário a instalação de irrigação. Além disso, a produtora também precisou adquirir um reboque, com custo de em torno de R$ 10 mil e uma tobata, equipamento utilizado para transportar a melancia do campo ao galpão de armazenamento, no valor de R$ 30 mil.
Por outro lado, o investimento gera lucro, uma vez que cada muda pode gerar duas frutas Entretanto, a produtora explica que o lucro acontece depois de alguns meses, por isso a necessidade da rotação de plantio, "Para manter os cinco meses de plantio sem ter renda, é onde entra o milho, o aipim, os ovos. a gente Vamos administrando dentro das possibilidades", explica Andreia. Com o estoque a expectativa da agricultora é finalizar o estoque até o fim deste mês.
Falta de mão de obra impede que famílias ampliem a produção
A propriedade da agricultora Andreia Santos tem dois hectares para plantação da fruta
Andreia Santos/Arquivo Pessoal/Divulgação/Cidades
Quando precisou de mão de obra para iniciar o cultivo, Andreia se deparou com um problema que é bastante comum em diversas regiões do Rio Grande do Sul: a falta de mão de obra. A partir dessa necessidade, ela buscou pessoas conhecidas para que conseguisse vender e produzir a fruta na sua propriedade em Parobé.
A ausência de pessoas para trabalhar no cultivo da melancia também obriga a produtora a gerar uma espécie de rotatividade no plantio. Com o fim do calor necessário para melancia, os hectares separados para seu cultivo vão para outros sustentos, como o milho, aipim e ovos caipiras, cultivos que Andreia afirma serem mais fáceis de serem manejados sozinha.
Em Taquara, problemas semelhantes refletem nos eventos do município, como a Feira de Melancia, na Rua Coberta. Gilson Redin, secretário da Agricultura da cidade, conta que dos 30 produtores comerciais de melancia, apenas quatro participaram do evento. “O que eles me falam é que são somente eles e a família. Por isso, não conseguem ficar o dia inteiro dedicados ao evento, pois os demais serviços ficam pendentes”, explica.
A falta de mão de obra foge do plantio de melancia e tem sido cada vez mais uma preocupação geral na agricultura familiar. Desde a produção de morango até a de leite, a dificuldade de encontrar trabalhadores para colher a fruta e tratar os animais acontece não só no Estado, mas em todo o Brasil, acredita Redin. “Os jovens quando vão para fora da comunidade estudar e voltam para cidade acabam se encantando por outras atividades. Com isso, não ficam mais no meio rural”, argumenta.
Para Redin, algumas propriedades de agricultura familiar poderiam se voltar ao turismo rural. Para 2026, a prefeitura planejou uma iniciativa com 10 fazendas de Taquara, que fazem parte de uma rota de visitação chamada de rota “Entre Olivas, Malte e Tradições”, com previsão para início em 8 de fevereiro, com saídas aos sábados, domingos e segundas. “Em Taquara, nós temos em torno de 2.000 pequenas propriedades rurais, com uma pequena criação de gado, uma paisagem bonita, existe gastronomia e existe a atividade rural que deve ser mostrada”, complementa.