Modo de fazer cuca artesanal deve virar patrimônio imaterial do RS
Tradicional doce alemão foi introduzido à culinária gaúcha pelos imigrantes durante a colonização, no século XIX
Lilian Alice Marques/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Os modos de fazer cuca artesanal, tradicional produto da gastronomia gaúcha, podem se tornar patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), produziu um parecer técnico visando realizar esse registro. Conforme notificação publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (26), o documento foi encaminhado para análise da Câmara Temática do Patrimônio Cultural Imaterial do Iphae.
Interessados no registro desse bem cultural que quiserem fazer uma interposição ao parecer devem encaminhá-la ao Iphae em até 30 dias. Os modos de fazer cuca artesanal, se oficialmente transformados em patrimônio cultural e imaterial do Estado, serão inscritos no Livro de Registro dos Saberes. Recentemente,
o modo de fazer o queijo artesanal ganhou a honraria.
Os modos de fazer cuca artesanal referem-se a processos que abrangem a aquisição dos ingredientes, a sua mistura para preparar a massa e os recheios e o ato de assá-los, com vistas ao consumo em família ou à comercialização em feiras, festas comunitárias, celebrações e demais espaços de troca. Em cada uma dessas etapas, encontram-se referências que indicam a particularidade do modo de fazer na construção identitária das comunidades gaúchas.
As cuqueiras são as principais guardiãs desse saber, uma referência cultural que vem sendo passada por meio das cozinhas, do aprender fazendo e do seu caráter inventivo. As receitas, transmitidas de geração em geração, provêm de saberes trazidos por imigrantes durante a colonização do Rio Grande do Sul, ao longo do século XIX. Entretanto, a cuca teve sua receita original modificada ao longo dos anos, adaptando-se às culturas agrícolas que já eram cultivadas no Estado por populações originárias e colonos portugueses.
A solicitação de registro, a documentação sobre o bem cultural e a declaração de anuência estão assinadas pela Associação de Cuqueiros e Cuqueiras de Rolante (Ascur) - representante dos detentores do bem cultural - e foram produzidas pela Prefeitura de Rolante, por meio do Departamento de Cultura, e pela Associação dos Amigos do Museu Histórico do município.