Júlia Fernandes

Com apenas 12 anos, Duda Chaieb lança livro em parceria com seu pai

Júlia Fernandes

 Paulo Caroli é representante da ThoughtWorks, empresa de consultoria e desenvolvimento de software no Brasil. Alguns anos atrás ele trouxe a multinacional para Porto Alegre, que hoje tem sede no TecnoPuc. O empresário já é bem conhecido na área e já é um autor conceituado no ramo. Não seria surpresa ele lançar um novo livro, se a nova obra não fosse uma produção em conjunto com a Duda Chaieb, sua filha de 12 anos. Isso mesmo, com 12 anos Duda já tem seu primeiro livro juvenil, que foi lançado em junho.
 Paulo Caroli é representante da ThoughtWorks, empresa de consultoria e desenvolvimento de software no Brasil. Alguns anos atrás ele trouxe a multinacional para Porto Alegre, que hoje tem sede no TecnoPuc. O empresário já é bem conhecido na área e já é um autor conceituado no ramo. Não seria surpresa ele lançar um novo livro, se a nova obra não fosse uma produção em conjunto com a Duda Chaieb, sua filha de 12 anos. Isso mesmo, com 12 anos Duda já tem seu primeiro livro juvenil, que foi lançado em junho.
Duda sempre foi uma criança, e agora pré-adolescente curiosa. Pai e filha tinham em comum o horário de realizar as tarefas do trabalho e escola respectivamente. “Eu sentava aqui na mesa e começava a escrever e ela começava ‘pai o que tu estás fazendo? Posso escrever contigo? ’”, conta Paulo. A paixão de Duda por escrever vem desde cedo, mas o pai só foi descobrir o talento após uma visita na escola ler a revista do colégio e encontrar como matéria central um texto da filha. “Eu escrevi um texto que era um manual de ser um bom estudante”, explica Duda. Quando Paulo leu, reconheceu nas palavras da adolescente um pouco do estilo dele de escrever e se sentiu emocionado. “Eu quase chorei quando vi aquilo, fiquei feliz, porque não imaginava a influência que eu tinha”, comenta.
Sempre que chegava da escola a estudante do sexto ano, muito animada contava detalhadamente o dia para o pai, que no fim achou que seria uma boa ideia escrever uma história inspirada nos relatos da filha. Prontamente Duda aceitou a proposta e aí começou a produção em setembro do ano passado. Inicialmente era mais uma brincadeira e alguns parágrafos soltos. Um mês depois chegou Carolina, a nova integrante da família, filha caçula de Paulo. Foi aí que ele decidiu que estava na hora de passar um tempo a mais com os filhos e a esposa e resolveu tirar uma licença paternidade. Não uma licença de 5 dias concedidos normalmente pelas empresas, mas sim de 4 meses para ficar com a esposa, o bebê, Duda e o João, filho do meio.
Durante 4 meses a família ficou na praia. “Eu acordava às 5 horas da manhã e assumia a Caroline a partir deste horário. Nesse meio tempo quando ela pegava no sono eu escrevia”, comentou Paulo. De noite Duda chegava em casa sentava com o pai e lia o que ele tinha escrito durante a manhã. “Ela fazia eu rescrever tudo. Tudo que era expressão de velho ela dizia para eu trocar”, brinca ele. “A gente fazia muita pesquisa também e eu sempre falava quando achava que podia melhorar”, complementa Duda.
Foi suficiente um mês e meio, com duas horas diárias de dedicação dos autores para “O Mistério do Colégio Alipuo” nascer. A ficção que conta a história de um sequestro de um grupo de meninas, conta com romances, aventuras que vão desde os dias atuais até a Guerra do Paraguai. Assim que terminaram de escrever o livro digital ficou disponível em site para baixar. Eles resolveram fazer um teste, Duda começou a pedir para seus amigos fazerem download do livro e Paulo falou com seus sobrinhos no Rio de Janeiro. De início tiveram algumas dificuldades, então tiveram a ideia de produzir um pequeno vídeo explicando como fazer para obter a obra e logo depois espalharam o vídeo pelos grupos de WhatsApp e assim o livro começou a se espalhar. Nesse meio tempo Paulo aprendeu a imprimir, fez a capa do livro para disponibilizar no formato físico também. “Eu já escrevia, mas por causa dela eu aprendi a fazer todo o resto”, comenta ele.
Segundo Duda, o livro foi um sucesso entre os amigos “Todo mundo falava sobre ele, postavam no Instagram, meus amigos gostaram bastante”, comenta ela, que se mostra satisfeita e orgulhosa por já ter seu primeiro livro ainda em parceria com o pai.
Segundo Paulo, a produção do livro foi um xx para se aproximar da filha. Os dois que já eram próximos, passaram a se conhecer melhor a partir da criação da obra. E é isso que os dois desejam, fomentar a relação e a leitura entre pais e filhos.
Com o lançamento do livro Paulo abriu uma editora, e resolveram também criar um site para o livro, pois não pretendem vender a obra em livrarias. “O mundo está mudando, a Amazon, lá fora 80% dos livros comprados são dela. Eu não quero livraria do estilo antigo que a gente tem que pagar para botar na frente”, comenta o autor.
Até o momento foram mais de 200 livros vendidos só online e futuramente eles pretendem levar o livro para as escolas. “Eu tenho mais interesse em escolas onde os alunos não podem comprar. Por isso não divulguei muito, por exemplo, na escola da Duda. A gente já tem acesso a isso, quero ajudar quem não tem”, explica Paulo. Os dois não visam lucrar em cima do livro, todo dinheiro que vem de vendas eles revertem para a produção de novos livros para distribuir para escolas públicas.
Duda garante que esse será só o primeiro de muitos que pretende escrever. “Eu amo isso, quando eu estou muito feliz eu escrevo, quando estou triste também. É à minha maneira de me expressar. E escrever é algo bonito ninguém te tira isso e tu consegue muita coisa a partir disso”, conclui a autora mirim, que já é motivo de orgulho ao pai. No dia 2 de novembro os autores estarão fazendo uma sessão de autógrafos na Feira do Livro.
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