Isadora Jacoby

O workshop é o primeiro oferecido pelo ateliê Mhel com tradução para a Língua Brasileira de Sinais

Empreendedoras de Porto Alegre lançam curso de costura em Libras

Isadora Jacoby

O workshop é o primeiro oferecido pelo ateliê Mhel com tradução para a Língua Brasileira de Sinais

Foi com o objetivo de resgatar o propósito da moda, indo na contramão das produções em série e das roupas padronizadas, que as irmãs Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira criaram o Mhel Ateliê de Costura. Hoje, além dos serviços de reparos e produção de peças, as duas criaram um curso de costura online com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais), a fim de aproximar e capacitar mais pessoas que desejam entrar nesse universo. 

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Foi com o objetivo de resgatar o propósito da moda, indo na contramão das produções em série e das roupas padronizadas, que as irmãs Maria Helena Silveira de Medeiros e Elvania Santos da Silveira criaram o Mhel Ateliê de Costura. Hoje, além dos serviços de reparos e produção de peças, as duas criaram um curso de costura online com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais), a fim de aproximar e capacitar mais pessoas que desejam entrar nesse universo. 
Elvania, que é graduada em Relações Públicas, conta que ela e a irmã, que é advogada, deixaram para trás as profissões anteriores para empreender na costura, abrindo o ateliê, em 2019, na rua Vieira De Castro, nº 285. Com a pandemia, o carro-chefe até então do espaço, que era a produção de roupas para festas, não teve mais tanta demanda. Foi o momento de se reinventar. "As professoras da escola onde fazíamos aula de costura sempre foram nossas parceiras, e foi aí que surgiu a ideia de ter cursos presenciais e online", conta Elvania. Mas a dupla queria algo mais para diferenciar o novo serviço, e foi então que decidiram que o conteúdo seria traduzido em Libras. "A moda ainda é muito voltada à vaidade, e, de alguma forma, isso não batia com a nossa ideia, estava faltando alguma coisa na nossa aula. Foi quando tive a ideia de inserir a tradução em Libras e tudo teve sentido. Contribuir para profissionalizar pessoas que não têm condições de entrar no meio da moda bateu nos corações de todas nós. Para muitas pessoas, não adianta apenas ter legenda, pois o Português é como uma língua estrangeira", explica Maria Helena. 
O primeiro curso online em Libras oferecido pelo Mhel, batizado como Workshop Agulha Negra, custa R$ 397,00 e é focado na técnica de moulage, que consiste na modelagem e costura a partir de um manequim. As aulas são ministradas pela professora Juliana Sander. "O curso é bem iniciante para quem quer aprender a costura. É o passo-a-passo do início até o feitio geral de uma saia. A ideia, depois, é fazer o corte e costura em modelagem plana", revela Elvania, que acrescenta na lista de próximos cursos moda praia, moda pet e acabamentos. As inscrições podem ser feitas no link que está nas redes sociais do espaço (@mhelatelie).
As sócias contaram com a parceria de uma empresa de tradutores e de um cineasta para elaborar o produto. Todo esforço e investimento foram recompensados, segundo Maria Helena, no momento de lançamento do curso. "A primeiro aluna que comprou o curso é surda. Foi uma alegria. As pessoas estão gostando muito da ideia da inclusão", diz a empreendedora. Além do cursos, as lives do ateliê também são traduzidas. O próximo passo, segundo elas, é incorporar a tradução também nas atividades presenciais, que aos poucos estão sendo retomadas. "Quando a pandemia baixar mais e conseguirmos aumentar o número de alunos, a nossa ideia é ter um tradutor aqui e ter inclusão presencial e de fato dessas pessoas. Quando o projeto começou a surgir, pensamos muito em como gostaríamos que fosse o mundo caso fossemos surdas. É a tão falada empatia, palavra da moda", reflete Maria Helena. 
Além dos cursos e serviços de reparos, o ateliê tem uma linha voltada aos pets, que, segundo Elvania, tem muita saída. "Nos desdobramos. Enquanto uma faz caminha de cachorro e tenta ganhar dinheiro em feira, a outra tenta manter o atelier para conseguirmos bancar a filmagem", conta a empreendedora, que diz não se arrepender, em nenhum momento, na guinada de carreira. "Não me vejo mais fazendo outra coisa que não costura", afirma. 
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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