Isadora Jacoby

A Jacinto Pane&Cucina é especializada em pães de fermentação natural

Casal leva referências internacionais para padaria no bairro Santana

Isadora Jacoby

A Jacinto Pane&Cucina é especializada em pães de fermentação natural

Negócios que passam muito tempo em um mesmo local acabam se tornando ponto de referência para os moradores da cidade. Foi sentindo a atmosfera de um "lugar de gente que trabalha" que Joana Gabech, 35 anos, deu vida nova ao número 209, da rua Jacinto Gomes, no bairro Santana. Com seu marido, Gabriel Durante, 39, ela abriu a Jacinto Pane&Cucina no espaço que abrigou, por mais de 50 anos, o Bar Salim, que era comandado por seus avós. A nova operação iniciou em janeiro e tem como foco pães artesanais de fermentação natural e uma linha de pratos congelados.

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Negócios que passam muito tempo em um mesmo local acabam se tornando ponto de referência para os moradores da cidade. Foi sentindo a atmosfera de um "lugar de gente que trabalha" que Joana Gabech, 35 anos, deu vida nova ao número 209, da rua Jacinto Gomes, no bairro Santana. Com seu marido, Gabriel Durante, 39, ela abriu a Jacinto Pane&Cucina no espaço que abrigou, por mais de 50 anos, o Bar Salim, que era comandado por seus avós. A nova operação iniciou em janeiro e tem como foco pães artesanais de fermentação natural e uma linha de pratos congelados.
Joana, por formação, é jornalista, e Gabriel, publicitário. No entanto, há alguns anos, a dupla percorria diversos destinos do mundo trabalhando com gastronomia, segunda formação de Gabriel, que há oito anos se dedica aos pães de fermentação natural. Quando a pandemia começou, os dois estavam morando na Itália, um dos primeiros epicentros da Covid-19 no planeta, o que provocou o retorno para o Brasil. "Voltamos sem saber muito bem o que fazer e vimos todo mundo fazendo pão em casa, mesmo quem não sabia. Então, começamos uma operação chamada A Entrega da Semana, com um cardápio semanal que incluía pães, antepastos e comida congelada", lembra Joana.
Foi o retorno positivo desse primeiro passo que deu origem à operação atual. No mesmo período, a avó de Joana faleceu e o espaço da rua Jacinto Gomes, que era gerenciado por ela, ficou disponível. "O lugar chamava Bar Salim, era um bar e fiambreria originalmente, que meus avós abriram nos anos 1950. Ele era o Salim e ela a Salima, de origem libanesa, e abriram o negócio como forma de sustentar a família. Era muito conhecido porque era um bar família, e também era muito frequentado por gremistas, que adotaram o espaço. Durou mais de 50 anos naquele ponto. Quando meu avô faleceu, minha avó fechou e alugou por um tempo", conta Joana. O espaço estava alugado desde 2005 para outros negócios, já que, segundo a empreendedora, nenhum integrante da segunda geração quis dar continuidade ao bar. "Reformamos todo o espaço, adaptamos ao que precisávamos. Ainda hoje não tem nem placa, porque pegamos todo dinheiro para reformar e comprar equipamentos. Pensamos que se o produto fosse bom, não precisava ter placa, as pessoas iam conhecer e iria dar certo. E assim está sendo", comemora.
Os moradores do bairro, afirma Joana, celebraram a inauguração do negócio. Muitos chegam contando histórias do antigo bar de seus avós, sem mesmo saber que ela está dando continuidade ao legado deixado por eles.
ARQUIVO PESSOAL/ DIVULGAÇÃO/ JC
"Passei a conhecer melhor meus avós através das histórias que eu escuto. É muito gratificante poder dar sequência para um lugar que foi importante para tanta gente", orgulha-se Joana, contando que o espaço também foi bem recebido por moradores mais jovens por levar renovação à região. "É um bairro mais tradicional. O comércio é o mesmo há muitos anos. A ferragem tem 40 anos, o mercadinho tem 30, o bar Salim tinha 50. Pensamos muito se era o lugar certo, mas não fazia sentido alugar outro lugar, então decidimos fazer aquele ponto dar certo. Tínhamos medo se o bairro ia receber bem o produto diferente. Mas, para nossa surpresa, as pessoas estão muito felizes, se surpreendem em encontrar um lugar do nosso formato ali", relata.
Operando de terça a sexta-feira, das 14h às 19h, e aos sábados, das 11h às 19h, o local tem como carro-chefe os pães de fermentação natural, mais especificamente o batizado, também, como Jacinto. "Farinha, água e sal e 48h de fermentação. São poucos ingredientes, de qualidade, valorizando técnicas e o sabor de cada coisa em si. Não tem mistério: é o simples bem feito", afirma Joana. Além dos pães e sanduíches, a Jacinto tem uma linha de congelados e, aos sábados, almoço fresco, reunindo experiências gastronômicas vividas pela dupla em outros países. "Quando pensamos em fazer o negócio, pegamos essas referências todas para apresentar e trazer para a cidade e para o bairro. Há um toque diferente do que se costuma encontrar aqui, sempre prezando por insumos de qualidade", pontua.
Na hora de manejar os recursos para investir no espaço, a placa da fachada ficou de fora. No entanto, os meses de portas abertas trouxeram outra ideia para o casal: retomar um elemento da antiga fachada do Bar Salim que, segundo Joana, era muito importante para os moradores da rua. "Tinha uma estrela cadente de neon na frente. Era a marca da rua, todo mundo conta, as pessoas dizem que era o iluminado da rua, me lembro de ser criança e ver. Queremos reproduzir isso depois para fazer essa alusão", revela.
Além dessa homenagem, Joana atribui os bons resultados do negócio até aqui também à atmosfera que encontra no espaço. "Acho que parte do negócio está dando certo, claro que pelo trabalho que estamos fazendo, mas também por essa energia que tem ali, de tudo que já foi feito no espaço por tantas décadas. É um lugar de gente que trabalha, que se dedica, e eu sinto isso. Estou muito feliz de fazer esse projeto ali dentro", afirma.
MARIANA ALVES/JC
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