Isadora Jacoby

O Luciamaria Cafés de Origem abriu há pouco mais de uma semana em Porto Alegre

Cafeteria especializada em grãos orgânicos abre na Casa de Cultura Mario Quintana

Isadora Jacoby

O Luciamaria Cafés de Origem abriu há pouco mais de uma semana em Porto Alegre

Um dos pontos mais tradicionais de Porto Alegre, a Casa de Cultura Mario Quintana recebeu, na última semana, uma nova operação. Em cerca de quatro metros quadrados e mesas espalhadas pela entrada da CCMQ, o Luciamaria Cafés de Origem propõe uma conexão dos visitantes do espaço com os produtores de cafés especiais. Para isso, os sócios David e Letícia Milhão viajaram para diversos destinos do Brasil para encontrar e conhecer quem está à frente da produção do grão no País. Após quatro anos de pesquisa e planejamento, e em meio à pandemia, o negócio saiu do papel. 

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Um dos pontos mais tradicionais de Porto Alegre, a Casa de Cultura Mario Quintana recebeu, na última semana, uma nova operação. Em cerca de quatro metros quadrados e mesas espalhadas pela entrada da CCMQ, o Luciamaria Cafés de Origem propõe uma conexão dos visitantes do espaço com os produtores de cafés especiais. Para isso, os sócios David e Letícia Milhão viajaram para diversos destinos do Brasil para encontrar e conhecer quem está à frente da produção do grão no País. Após quatro anos de pesquisa e planejamento, e em meio à pandemia, o negócio saiu do papel. 
David conta que, ao contrário do que se imagina de alguém que está abrindo uma cafeteria, ele não gostava de café. Foi frequentando, como cliente, a William & Sons Coffee Co., também na Capital, que ele e a esposa adquiriram apreço pela bebida. "Quando provei um café lá pela primeira vez, não acreditei que era café", lembra David. Com o desejo de ter o próprio espaço, o casal decidiu percorrer fazendas produtoras e conhecer a origem do grão. Quando retornaram para Porto Alegre e começaram a, de fato, desenhar a operação, o conselho de um amigo deu origem ao nome. "Recebemos um toque de que o primeiro contato que tivemos com o café foi na origem, e geralmente é o contrário, a pessoa faz um curso e aí abre o negócio. Então, a partir daí, surgiu a ideia de usarmos os nomes das nossas mães. Lucia é o nome da mãe da minha esposa, e Maria, da minha mãe", explica o empreendedor, agradecendo a ajuda de de diversos produtores e pessoas do segmento na execução do projeto. "São muitas pessoas para construir um negócio, e agradeço todos os amigos que o café me proporcionou", pontua. 
Como a preocupação com a história do grão está na essência da cafeteria, os sócios não queriam que a operação funcionasse em um espaço qualquer, e sim em um local que tivesse identidade própria. Foi então que surgiu a ideia de levar o Luciamaria para a Casa de Cultura Mario Quintana, um dos espaços mais importantes da Capital. "Era muito importante para nós que o local fosse preenchido por uma história, porque nós queremos também contar histórias. As histórias dos produtores de café, as nossas, histórias de perrengue, alegrias, tristeza", destaca. 
O foco do espaço são os cafés especiais, produzidos a partir de grãos orgânicos. No cardápio, há ainda quitutes pensados para manter a essência do negócio. Um dos carros-chefes, o bolo de milho, surgiu a partir das viagens de pesquisa do casal. "Experimentamos nas viagens o bolo de milho, e aqui em Porto Alegre é difícil de encontrar nos cafés, e combina muito bem. Então, desenvolvemos uma receita, que foi a primeira da casa, usando ingredientes orgânicos", afirma. David destaca que um pilar importante da operação é a preocupação com a sustentabilidade. "Sempre tivemos o objetivo de usar a menor quantidade possível de água potável, utilizar embalagens e produtos orgânicos, sustentáveis, e trazer isso para os nossos clientes, porque quando eles consumirem aqui vão participar dessa rede. Todas nossas embalagens são de madeira de reflorestamento, fibra de bambu ou amido de milho", conta David. 
Com boa parte de seu desenvolvimento e a própria inauguração em meio à pandemia, David conta que teve medo de dar esse passo em um momento de incertezas. Com os recursos previstos para operação, que teve investimento de cerca de R$ 45 mil e foi planejada por quatro anos, se esgotando, o casal decidiu que era a hora certa de abrir as portas. "Ficamos com medo. Muitos nos disseram para não abrir, outros questionavam que não abríamos nunca. Ficamos bem assustados, mas muita gente nos incentivou dizendo que daria certo. Então, resolvemos abrir e ver no que ia dar", conta David, que manteve o otimismo mesmo no momento adverso. "No fundo eu sempre acreditei que daria certo, então não olhei para os lados, porque se focasse nos problemas provavelmente não abriria, porque qual a chance de dar certo um local que precisa de público em meio à pandemia?", pontua. Em poucos dias de funcionamento, ele comemora a receptividade do público e as relações que já estão sendo construídas ali. "O feedback dos clientes tem sido maravilhoso. É uma experiência que é difícil colocar em palavras. É um sonho realizado", garante o empreendedor. 
LUIZA PRADO/JC
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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