Victória Paz

O Rumos Mais Pretos é uma ação afirmativa a fim de democratizar o acesso às agências devido aos cenários embranquecidos

Agência de Publicidade gaúcha cria programa de capacitação para estudantes cotistas negros

Victória Paz

O Rumos Mais Pretos é uma ação afirmativa a fim de democratizar o acesso às agências devido aos cenários embranquecidos

A DZ Estúdio, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), criou o Rumos Mais Pretos, programa que tem o objetivo de capacitar pessoas pretas, pardas e indígenas para o mercado de trabalho na área de Publicidade. Inspirado no projeto Rumos da Publicidade, criado por Elisa Piedras, coordenadora da Fabico, o programa somou 11 encontros online de três módulos: digital, criatividade e estratégia. As aulas, com 25 alunos, tinham uma hora e meia de duração e contaram com a participação de professores como Amanda Vieira, cofundadora do movimento AfroPython, Babu Santana, diretor do estúdio Paizão Records, e Verônica Dudiman, cofundadora da rede de apoio Indique Uma Preta.

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A DZ Estúdio, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), criou o Rumos Mais Pretos, programa que tem o objetivo de capacitar pessoas pretas, pardas e indígenas para o mercado de trabalho na área de Publicidade. Inspirado no projeto Rumos da Publicidade, criado por Elisa Piedras, coordenadora da Fabico, o programa somou 11 encontros online de três módulos: digital, criatividade e estratégia. As aulas, com 25 alunos, tinham uma hora e meia de duração e contaram com a participação de professores como Amanda Vieira, cofundadora do movimento AfroPython, Babu Santana, diretor do estúdio Paizão Records, e Verônica Dudiman, cofundadora da rede de apoio Indique Uma Preta.
A ideia surgiu através de uma sugestão de Aline Bohn, head de Pessoas e Cultura da DZ, que acompanhou os acontecimentos racistas nos Estados Unidos, em novembro de 2020. "Estou há três anos na empresa e, desde que cheguei, a questão da diversidade estava precisando de um olhar mais cuidadoso", conta Aline. De acordo com a head, seu local de trabalho tinha uma imagem embranquecida, onde não havia sequer uma pessoa negra como colega. Quando colocado em pauta, a DZ vestiu a ideia. "A primeira coisa que eu fiz foi chamar a Lu Daltro, curadora do projeto, e depois de muita conversa decidimos fazer um programa de capacitação mercadológica", expõe.
RUMOS MAIS PRETOS/REPRODUÇÃO/JC
Diferente do Rumos da Publicidade, que tem o objetivo de democratizar o acesso aos trabalhos de faculdade, o Rumos Mais Pretos é uma ação afirmativa a fim de democratizar o acesso às agências de publicidade, devido aos cenários desiguais, inserindo e capacitando alunos cotistas no mercado de trabalho. "O curso de Publicidade é muito acadêmico e quando os alunos chegam nas agências acabam ficando perdidos", explica Aline.
Um dos palestrantes do projeto foi Joca Lima, rapper, aluno cotista de Publicidade e Propaganda e redator da DZ Estúdio, que compôs o time da criatividade publicitária no ambiente digital. "Para mim, as aulas foram uma troca de ideia. Trouxe muita coisa do meu cotidiano, que já é algo natural", pontua o estudante. Um dos cuidados que a agência teve foi de conciliar as aulas com as férias dos alunos, sendo todas a noite e com diferentes métodos de ensino para que fossem envolventes. "Tivemos limitações pelo suporte digital, mas, na medida do possível, os alunos interagiram bastante, seja comentando no chat ou contando suas histórias", orgulha-se.
Em agosto, os seis estagiários escolhidos, após a capacitação, irão dar início à sua formação na DZ Estúdio. "Estamos pensando muito no 'pós-Rumos' porque não queremos que o projeto caia. Queremos continuar nessa pauta para que o programa se estruture e forme grupos de trabalho de pessoas pretas com reconhecimento e acolhimento", afirma Aline. Para a head, este tipo de iniciativa deve ser priorizado. "O Rumos é um marco, um grande passo para nunca mais deixar de priorizar. É preciso ter estratégia para que a empresa dê verba para os projetos funcionarem, eles demandam tempo e dinheiro", pontua.
Aline e Joca não deixam de ressaltar que o Rumos Mais Pretos é mais do que um programa de estágio, pois além de impactar de forma conteudista e emocional nos alunos, os impactou. "Quando eu entrei no curso de graduação, sempre ouvi falar que a publicidade, principalmente no atendimento, poderia ser racista. Eu temia meu emprego e deixava de falar coisas, mas hoje eu me sinto a vontade na DZ", relata o redator. "Durante as aulas, eu via o Joca nas outras pessoas. Percebi que a auto sabotagem é consequência do racismo estrutural. Somos profissionais e temos algo para apresentar. Minha trajetória tem valor e é vitoriosa", expressa. Aline também trabalhou a autocrítica e, sendo uma mulher branca, tinha receio de que as pessoas não confiassem nela por não ser a cara do projeto. "Consegui flexibilizar o acesso à publicidade e trocar ideias com pessoas pretas. Hoje me sinto orgulhosa do resultado", comemora.
O programa de estágio e capacitação ainda não tem data marcada para uma nova edição. Quem deseja se informar mais sobre o Rumos Mais Pretos basta acessar o site da DZ Estúdio (dzestudio.com.br) ou o Instagram (@dzestudio).
RUMOS MAIS PRETOS/REPRODUÇÃO/JC
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Victória Paz - estagiária do GeraçãoE

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