Isadora Jacoby

Além dos produtos de armarinho, o Mãnus oferece oficina de diversas técnicas manuais

Mãe e filha abrem espaço criativo para artes manuais no Bom Fim

Isadora Jacoby

Além dos produtos de armarinho, o Mãnus oferece oficina de diversas técnicas manuais

Conectar-se com a ancestralidade do fazer manual atendendo à demanda de renovação. Essa é a proposta de Érica Arrué Dias, 29 anos, empreendedora à frente do espaço criativo e armarinho Mãnus, que abriu as portas no número 658 da rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim, há pouco mais de um mês. Junto da mãe, Lorena, Érica propõe uma modernização para esse mercado que, segundo ela, esteve estagnado por muito tempo.

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Conectar-se com a ancestralidade do fazer manual atendendo à demanda de renovação. Essa é a proposta de Érica Arrué Dias, 29 anos, empreendedora à frente do espaço criativo e armarinho Mãnus, que abriu as portas no número 658 da rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim, há pouco mais de um mês. Junto da mãe, Lorena, Érica propõe uma modernização para esse mercado que, segundo ela, esteve estagnado por muito tempo.
Graduada em Moda, Érica começou sua jornada no empreendedorismo e nas artes manuais em um momento de perda. Quando a avó paterna faleceu, deixou um blusão de tricô inacabado e ninguém da família sabia a técnica para terminar a peça naquele momento. "Foi o start para eu começar a trabalhar com a valorização do feito à mão", conta. A partir daí, surgiu o primeiro negócio: a Aurora, marca de lãs artesanais conduzida por Érica há seis anos. Da experiência na produção dos fios, veio o desejo de abrir o primeiro armarinho, que operou por quatro anos em Dom Pedrito. "Foi uma vontade de valorizar o feito à mão e de levar para o interior esse estilo de vida. Eu já morava em Porto Alegre, e ia a cada 15 dias para lá. Com a pandemia, comecei a achar desgastante passar tanto tempo fora de casa. Em 2021, decidimos vender a marca em Dom Pedrito, colocar os produtos no carro e trazer para Porto Alegre", conta Érica. 
O movimento de migrar o negócio de uma cidade para a outra foi, segundo a empreendedora, necessário para que ela pudesse agregar, em um mesmo local, a tradição do fazer manual e a renovação que essas técnicas estão tendo nos últimos anos. "Sempre quis ter essa parte mais moderna, mas não conseguia isso no interior, porque ainda se tem uma visão mais tradicional do fazer manual", explica. Érica e Lorena escolheram o Bom fim como nova casa e comemoram a receptividade do bairro e do público nesse primeiro mês de portas abertas. "Trazer para Porto Alegre foi um frio na barriga. Os custos são mais altos, mas a proporção de público também. Foi bastante tempo procurando o ponto ideal, mas a rua Fernandes Vieira sempre me chamou muito atenção, porque vejo o Bom Fim como uma cidade pequena. As pessoas se conhecem, se cuidam. O bairro nos acolheu muito e a aceitação foi bem maior que imaginávamos", celebra.
LUIZA PRADO/JC
 
No espaço, há itens de armarinho, como lãs naturais e acrílicas, linhas, agulhas, botões, tecidos nacionais e importados, além de um local dedicado à oficinas de diversas técnicas, como tricô, crochê e bordado. "O espaço manual fica no térreo, junto com a loja, para ter essa mistura entre produto e movimento. No mezanino, temos aula de costura, modelagem e patchwork, tudo que precisa mais maquinário", descreve Érica, revelando que há, nesse espaço, peças importantes para a conexão dela com o fazer manual. "Uma das máquinas da sala de costura é a da minha avó. Acredito que retorno da valorização do trabalho manual passa por valorizar o saber as nossas antepassadas. Minha mãe é de uma geração que deixou isso de lado, que precisou provar que podia sair para a rua para trabalhar, e foi nesse momento que o manual se tornou uma coisa doméstica. É muito legal ver minha mãe se conectando com o manual, refazendo esse laço com o passado, valorizando o que as nossas antepassadas faziam que, por muito tempo, não foi tão valorizado. Tocar o negócio com a minha mãe é, justamente, valorizar o saber familiar feminino", acredita Érica. 
O Mãnus (@manus.poa) funciona de segunda-feira a sábado, das 9h às 18h e aos domingos das 11h às 17h. 
LUIZA PRADO/JC
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