Mauro Belo Schneider

Cheryl Edison, empreendedora do Vale do Silício, acredita que sociedade acordou para a noção de um mundo só

Pandemia faz negócios locais resolverem problemas globais

Mauro Belo Schneider

Cheryl Edison, empreendedora do Vale do Silício, acredita que sociedade acordou para a noção de um mundo só

A solução para a falta de seringas em um país pode estar em outro, no lado oposto do planeta. Assim como os tubos de oxigênio, os insumos para vacinas, as caixas de isopor. A pandemia do coronavírus provou que o mundo todo está conectado, formando uma rede única de fornecimento.

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A solução para a falta de seringas em um país pode estar em outro, no lado oposto do planeta. Assim como os tubos de oxigênio, os insumos para vacinas, as caixas de isopor. A pandemia do coronavírus provou que o mundo todo está conectado, formando uma rede única de fornecimento.
Para a norte-americana Cheryl Edison, que fará uma apresentação para os participantes do Startup Garagem, do Tecnopuc, nesta quinta-feira, por intermédio do consulado dos Estados Unidos de Porto Alegre, esse despertar geral da sociedade de que o ser humano é uma raça única representa o grande legado do surto de coronavírus. Ela empreende em série e dá palestras ao redor do mundo sobre o assunto. Em suas redes sociais, faz lives semanais com sessões de mentoria. Há mais detalhes sobre o trabalho dela em www.cheryledison.com.
Direto de San Francisco, Cheryl conversou com o GeraçãoE sobre como criar um negócio com essa visão global e quais os desafios que o ecossistema empreendedor enfrenta atualmente.
GeraçãoE - Como começar a pensar em soluções globais?
Cheryl Edison - Eu moro em San Francisco, pode me chamar de hippie, eu não me importo. Mas tenho a perspectiva de um mundo só. Na pandemia, as pessoas começaram a ver isso também, de como países estão lidando com o mesmo problema do outro lado do planeta. E, assim, puderam pensar em como expandir negócios. A pandemia destacou problemas de fornecimento, levando-as a se questionar: ‘se temos aqui, como levamos para lá?’. Abriu a consciência de todo mundo sobre isso.
GE - Os problemas aumentaram na pandemia?
Cheryl - Não. A quantidade dos problemas é uma característica de sua habilidade de ver o mundo e você mesmo. Não há menos ou mais problemas. Talvez, há mais pessoas cientes de que há apenas um mundo. Eu acredito nisso, que a conclusão número um da pandemia é de como estamos conectados como uma raça, um ser. Vimos que a pandemia se move em ondas e percebemos os ciclos que nos conectam.
GE - Nesses tempos de dinamismo, com tantos negócios sendo criados, quais os que permanecem?
Cheryl - Não é que as pessoas estão abrindo negócios porque sempre sonharam com isso, mas porque precisam para sobreviver. Os negócios estão surgindo dos instintos básicos de sobrevivência. O que posso fazer agora? Qual o meu valor? Vem de algo muito básico. Os melhores modelos de negócios são os que acham os maiores problemas que eles puderem. Quando uma pessoa decide lançar um negócio, há dois caminhos: seguir por “eu preciso de dinheiro” ou “qual o maior problema que eu posso encontrar, que está me incomodando, que eu esteja conectado”. No momento que as pessoas tiram a atenção delas próprias e colocam no problema, um bom negócio nasce. Os melhores negócios estão conectados às metas de desenvolvimento sustentável, pois são problemas reais. Nesses casos, há a oportunidade de criar algo com uma abertura enorme para criar alianças ao redor do mundo, para chamar atenção e atrair fundos, pois as pessoas se relacionam, é real.
GE - Quais desafios de empreender em meio à pandemia?
Cheryl - Para ser clara, os desafios não mudaram, são exatamente os mesmos. O que eu vejo como um desafio, nesse movimento de mais pessoas abrindo negócios, é que surgiram mais empresas oferecendo ajuda para dar suporte a empreendedores. Normalmente, pessoas que nunca abriram negócios querem ensinar outras a fazerem isso. O único negócio delas é ser coach. Elas instruem de um jeito que não ajuda os empreendedores. E não fazem isso de propósito, simplesmente não sabem. Estão oferecendo materiais baseados em gaps de seu próprio conhecimento. O processo de aprendizado começa com a noção de que não sabemos nada, passa para a de sabermos que não sabemos, até que chega no ponto de começarmos a saber. Aí, vem o estágio perigoso de achar que sabemos tudo. Nesse ambiente, estão surgindo muitos programas online, e isso é assustador. Eles estão matando negócios antes mesmo de nascerem. É muito triste.
GE - Como identificar a pessoa certa para servir como mentora, então?
Cheryl - Há um padrão claro que separa a euforia da realidade. Os que estão surgindo têm uma energia específica. Dizem “compre agora ou você não será nada sem mim”. Analise se eles existiam há um ano, se têm uma história. Todo indivíduo no planeta tem uma marca, assim como todo produto. Nós precisamos pesquisar sobre o que estamos comprando, é nossa responsabilidade. Toda decisão é emocional, temos que equilibrar a cabeça, o dinheiro e o coração. Ninguém vai nos salvar, é nossa responsabilidade.
GE - Qual a grande lição de empreendedorismo do Vale do Silício?
Cheryl - Há uma diferença entre empreendedores do Vale do Silício e outros ao redor do mundo: o mindset. O que acontece é que o Vale do Silício ficou conhecido por pessoas virem e expandirem seus negócios. Esse sentimento, no entanto, pode ocorrer em qualquer lugar do mundo. O Vale do Silício é um estado de espírito. Não importa onde você esteja, desde que tenha uma ideia que resolva um problema. E, para ter um negócio global, o empreendedor não precisa aprender tudo, mas tem que ter a visão de como sair daqui e chegar lá. Tem que achar quem pode ajudar. Nenhum negócio é feito de uma pessoa só, sempre há um time.
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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