Guilherme Jacques

O sabor banoffe, sugerido pela filha, foi o pontapé do negócio

Professora de inglês de Pelotas se reinventa fazendo tortas na pandemia

Guilherme Jacques

O sabor banoffe, sugerido pela filha, foi o pontapé do negócio

Do ponto de vista econômico, em meio à crise, a pandemia do novo coronavírus foi o momento de não deixar oportunidades passarem batido. A moradora de Pelotas, Ana Cláudia Garcez, de 42 anos, sabe bem disso. Atingida pelas restrições sanitárias, que diminuíram consideravelmente as aulas particulares de inglês que complementavam sua renda, a professora precisou se reinventar. E foi contando com o apoio da filha, Manuella, 19 anos, que, em plena capital nacional do doce, ela criou a Doces da Aninha (@docesdaaninhapel), marca que leva o apelido pelo qual prefere ser chamada e é conhecida por todos. “Um dia, minha filha me pediu para fazer uma torta banoffe e eu disse ‘o que é isso?’. Ela me explicou que era uma torta de banana e doce de leite. Fui pesquisar e acabei fazendo com a minha própria base para massa. Como éramos só nós duas em casa, acabei compartilhando com os vizinhos e todo mundo adorou”, lembra.

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Do ponto de vista econômico, em meio à crise, a pandemia do novo coronavírus foi o momento de não deixar oportunidades passarem batido. A moradora de Pelotas, Ana Cláudia Garcez, de 42 anos, sabe bem disso. Atingida pelas restrições sanitárias, que diminuíram consideravelmente as aulas particulares de inglês que complementavam sua renda, a professora precisou se reinventar. E foi contando com o apoio da filha, Manuella, 19 anos, que, em plena capital nacional do doce, ela criou a Doces da Aninha (@docesdaaninhapel), marca que leva o apelido pelo qual prefere ser chamada e é conhecida por todos. “Um dia, minha filha me pediu para fazer uma torta banoffe e eu disse ‘o que é isso?’. Ela me explicou que era uma torta de banana e doce de leite. Fui pesquisar e acabei fazendo com a minha própria base para massa. Como éramos só nós duas em casa, acabei compartilhando com os vizinhos e todo mundo adorou”, lembra.
A partir daí e dos pedidos de conhecidos e amigos para que ela fizesse mais da receita, em junho de 2020, Aninha decidiu produzir a torta para vender. A iniciativa, no entanto, fugiu do comum. Atenta à impossibilidade das pessoas de se aglomerarem para partilhar refeições e ao menor poder aquisitivo que atingia seus potenciais clientes, ela adaptou sua oferta. As banoffes eram vendidas em fatias, com um preço mais acessível. Deu certo e empolgou a empreendedora. “Em um final de semana, eu vendia em torno de 80 fatias. Foi, então, que criei tudo: conta no Instagram, logo, nome da marca e estratégias de divulgação. Meus amigos começaram a seguir, compartilhar, mandei cortesias para algumas pessoas. E uma coisa importante é que, no início, eu não associei a marca à professora Aninha, porque eu não queria que me procurassem por ser a professora vendendo”, revela.
Com o tempo, a torta banoffe seguiu sendo o carro-chefe, mas deixou de ser o único produto. Vieram tortas de limão e maracujá, brigadeiros, bolos de pote, mousse e bolos de aniversário, todos demandados pelos clientes que surgiam. Aninha conta que, quando percebeu, já estava recebendo encomendas de pessoas que não conhecia. Atualmente, as fatias de banoffe já saíram de linha. A torta inteira continua no catálogo, com mais uma série de produtos que se dividem em vários sabores. E a empreendedora segue à frente do negócio, mesmo com a alta demanda. São dela as responsabilidades que vão do marketing à produção, passando pelo atendimento e pelo controle de qualidade, que ela frisa existir para garantir que os clientes tenham sempre uma boa e uniforme experiência de consumo em termos de tamanhos e quantidades.
A sobrecarga de tarefas em seu empreendimento e a agenda cheia de encomendas - ela já possui pedidos para janeiro de 2022 - não a assustam. Pelo contrário, deixam-a mais entusiasmada para crescer no ramo, observar o mercado e aproveitar as oportunidades que seguem aparecendo. A Páscoa é uma delas. “Muitas pessoas me perguntam se eu vou fazer ovo de colher, mas não, para isso eu teria que ser uma expert no assunto. Não vou fazer nada em cima do laço, até porque a minha agenda está lotada.”
"Um dos últimos bolos que eu lancei, o Chocolatudo, está com as encomendas já fechadas para essa Páscoa, minha capacidade de produzir já esgotou. Além disso, vou investir nas embalagens com brigadeiros para as pessoas darem de presente, pois é algo com preço acessível neste momento, e na banoffe decorada para a ocasião, que é o nosso carro chefe", explica.
Os outros planos para o empreendimento, em longo prazo, vão além. Passam pela diversificação e pelo crescimento do negócio. Aninha já tem na manga, um novo produto para lançar, as slices cake ou bolos em fatia. Comuns em docerias, para serem consumidas no local, ela percebeu a oportunidade comercializar fatias separadamente a partir do surgimento das festas e comemorações em modelo drive-thru. Uma breve pesquisa, mostrou-lhe que essa variação do doce não era muito usual em sua cidade, mas tinha potencial. E assim, de novo produto em novo produto, a Doces da Aninha deve seguir crescendo, sempre com qualidade. "Eu me enxergo, depois que tudo isso passar (refere-se à pandemia), abrindo uma doceria, tendo um lugar bem legal. Eu vejo a Aninha, aposentada do magistério, sendo mais empreendedora, com um lugar fixo, para receber os clientes de forma bem aconchegante", projeta.
Guilherme Jacques

Guilherme Jacques - estagiário do GeraçãoE

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