Isadora Jacoby

Ser uma boa empregadora e colocar pessoas em primeiro lugar deveria ser prioridade para qualquer negócio

Empreendedoras iniciam hub de employer branding no Estado

Isadora Jacoby

Ser uma boa empregadora e colocar pessoas em primeiro lugar deveria ser prioridade para qualquer negócio

A experiência com o intraempreendedorismo fez Angélica Madalosso perceber que existia mercado para um novo negócio. Depois de, enquanto colaboradora, implementar estratégias de employer branding, que consiste na reputação de uma empresa como empregadora, ela se tornou empreendedora e lançou, em fevereiro, a ILoveMyJob. Com sua sócia Patrícia Bandeira, ela oferece serviços com o objetivo de fortalecer a relação entre funcionários e empresa por meio de uma percepção positiva do ambiente corporativo. O desafio, para elas, é tornar a segunda-feira tão esperada quanto a sexta-feira. "O employer branding não é apenas comunicar os diferenciais de uma marca empregadora. É principalmente fazer com que o colaborador dissemine essa mensagem no seu dia a dia. Quando alguém compartilha que ama o seu trabalho, ele também promove a empresa da qual faz parte", explica a relações públicas. Nesta entrevista, Angélica fala sobre a atuação no campo do marketing de recrutamento e como essas estratégias podem fortalecer uma marca no mercado. 

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A experiência com o intraempreendedorismo fez Angélica Madalosso perceber que existia mercado para um novo negócio. Depois de, enquanto colaboradora, implementar estratégias de employer branding, que consiste na reputação de uma empresa como empregadora, ela se tornou empreendedora e lançou, em fevereiro, a ILoveMyJob. Com sua sócia Patrícia Bandeira, ela oferece serviços com o objetivo de fortalecer a relação entre funcionários e empresa por meio de uma percepção positiva do ambiente corporativo. O desafio, para elas, é tornar a segunda-feira tão esperada quanto a sexta-feira. "O employer branding não é apenas comunicar os diferenciais de uma marca empregadora. É principalmente fazer com que o colaborador dissemine essa mensagem no seu dia a dia. Quando alguém compartilha que ama o seu trabalho, ele também promove a empresa da qual faz parte", explica a relações públicas. Nesta entrevista, Angélica fala sobre a atuação no campo do marketing de recrutamento e como essas estratégias podem fortalecer uma marca no mercado. 
GeraçãoE - Como surgiu a ideia de criar uma empresa focada em employer branding? 
Angélica Madalosso - Sou uma pessoa muito apaixonada por meu trabalho, e, há mais de 10 anos, já vinha utilizando a hashtag #ilovemyjob para compartilhar fatos e conteúdos que vivenciei ao longa da minha carreira, direcionada, nessa década, para desafios relacionados à área que a ILoveMyJob atua. Em 2018, durante a maternidade, quando ainda estava em casa, resolvi criar um perfil no Instagram com essa expressão, com o objetivo de compartilhar um pouco do meu conhecimento sobre employer branding, comunicação interna e endomarketing. Já havia percebido um gap no mercado, pelas empresas que tive a oportunidade de interagir, que era a inexistência de fornecedores com sólido conhecimento em comunicação e gestão de pessoas, capazes de olhar para a marca empregadora de maneira sistêmica, desde a atração até a transição de carreira, com um viés de consultoria, mas que também apoiasse na execução. Apresentei um projeto ao meu antigo empregador para estruturar uma área de employer branding e, com isso, tive uma experiência de intraempreendedorismo que foi a ponte para meu desafio atual. A implementação foi um sucesso, a área teve um faturamento positivo, mas houve algumas discordâncias de gestão e posicionamento que me fizeram perceber que aquela posição não fazia mais sentido para meu momento. Pedi desligamento no final do ano passado, sem ter algo concreto em vista, mas sabendo que era hora de encarar e entender que, de fato, o que eu queria era empreender. Tomei coragem após dividir a ideia que estava formatando com a Patrícia Bandeira, minha sócia e também founder da IloveMyJob, já empreendedora na área de carreira e psicologia e que está realizando um doutorado nessa área. Em menos de um mês, planejamos e tiramos a ideia do papel. Nos posicionamos como um hub de employer branding e de marketing de recrutamento por atuarmos em quatro frentes: geração de conteúdo, cursos e eventos, planejamento e serviços, que são as soluções que oferecemos para pessoas jurídicas, como diagnóstico de marca empregadora, criação de EVP (proposta de valor ao empregado), planejamento de marca empregadora 360, campanhas de comunicação interna, gestão de Canais de Carreiras e perfis de executivos no LinkedIn. A quarta frente é a tecnologia. Já temos em nosso plano de negócios um primeiro produto que está sendo prototipado, voltado para gestão de marca empregadora, e algumas outras ideias com foco em escalar as nossas entregas.
GE - O que é employer branding e marketing de recrutamento e qual a importância desses conceitos dentro de uma empresa?
Angélica - Employer branding é a construção de um posicionamento de marca empregadora e a utilização de estratégias de comunicação, marketing e storytelling para fortalecer esse discurso no mindset de futuros e atuais talentos de uma determinada empresa. Marketing de recrutamento é a estratégia de comunicação da proposta de valor de uma marca empregadora para o mercado (público externo) e a gestão e construção de relacionamento com determinados profissionais, com o objetivo de contratar os melhores talentos. Além das ferramentas de propaganda convencionais, são utilizadas técnicas de marketing digital, redes sociais, inbound marketing, vídeos, captação de leads, ativações de marca, CRM, assessoria de imprensa e muito mais. Esses conceitos tiveram seu boom no Brasil nos últimos três anos. Na Europa, essas frentes já eram bem valorizadas e nos inspiramos em muitos modelos de negócios que existem por lá há alguns anos. Hoje, diversas pesquisas mostram que a maioria dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil se dizem insatisfeitos com seu emprego. Além disso, fatos como a chegada da geração y em cargos de liderança e da geração z começando a atuar nas empresas fizeram as organizações repensar a forma com que lidam com as pessoas. Essas gerações almejam contrapartidas diferentes das anteriores e é necessário olhar para isso, pois são esses profissionais que formarão o futuro das empresas. As alterações impostas pela pandemia também exigem um esforço maior para manter o engajamento dos trabalhadores, bem como retê-los, já que muitos profissionais podem trabalhar de casa para empresas de outros continentes com mais facilidade.
GE - Qual perfil de empresa se beneficia do marketing de recrutamento? Empreendedores menores também devem estar atentos a essa frente?
Angélica - Todas as empresas são feitas e formadas por pessoas. Logo, ser uma boa empregadora e colocar pessoas em primeiro lugar deveria ser prioridade para qualquer negócio. Um relatório feito pela McKinsey em 2021, comprovou que colaboradores que dizem viver seu propósito em seu trabalho são quatro vezes mais produtivos e mais engajados. Contudo, hoje, as empresas maiores e de capital aberto são as que investem pesado nessa frente por terem que prestar contas à sociedade e pelo grande número de envolvidos no negócio. Entretanto, já temos sido procurados e muito bem recebidos por empresas menores, principalmente aquelas que dependem de profissionais de tecnologia, área com grandes desafios para atração e retenção de talentos. Nosso primeiro cliente, por exemplo, tem cerca de 200 colaboradores.
GE - Tornar as segundas-feiras tão atrativas quanto às sextas é uma das premissas da empresa. Qual o desafio de fazer disso uma rotina?
Angélica - Tem um esforço grande na mudança de mindset. Muitos empreendedores de sucesso ainda acreditam que seus negócios só deram certo pelas horas exaustivas de trabalho e pela dedicação total à vida profissional. Por outro lado, as novas gerações buscam qualidade de vida e não estão dispostas a gastar sua juventude sem ter resultados a curto prazo. Mas, na verdade, se você escolhe a carreira certa na empresa certa ou resolve montar um negócio que você de fato acredita, aquelas horas exaustivas passam a ser boas e, quando você entende que não precisa largar tudo para fazer isso, fica mais fácil. Óbvio que ao assumir um novo desafio profissional, o maior tempo da sua vida naquele momento será dedicado a isso, mas entendendo que dá para manter um hobby e relacionamento saudável com familiares e amigos.
Isadora Jacoby

Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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