Mauro Belo Schneider

João Pedro Brutshin Severo, diretor criativo da Nitrogênio Escrita Criativa, dá cursos sobre o assunto

Como elaborar nomes criativos para marcas

Mauro Belo Schneider

João Pedro Brutshin Severo, diretor criativo da Nitrogênio Escrita Criativa, dá cursos sobre o assunto

Com tantas ferramentas digitais ao alcance da maioria dos empreendedores e empreendedoras, nomes de marcas podem ser criados em segundos, com logo e tudo. Mas você já parou para pensar no significado que isso tem para o seu negócio?

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Com tantas ferramentas digitais ao alcance da maioria dos empreendedores e empreendedoras, nomes de marcas podem ser criados em segundos, com logo e tudo. Mas você já parou para pensar no significado que isso tem para o seu negócio?
A Universidade Feevale, através do programa Pílulas da Inovação, oferece gratuitamente à comunidade um curso exatamente sobre isso. A capacitação tem como objetivo ajudar os participantes a elaborar nomes criativos para marcas, de forma que se destaquem no mercado. A iniciativa, que é desenvolvida pela Diretoria de Inovação da universidade, tem como missão inspirar acadêmicos, professores e atuais e futuros empreendedores no desenvolvimento de novos negócios.
O ministrante, João Pedro Brutshin Severo, diretor criativo da Nitrogênio Escrita Criativa, adiantou um pouco o que será abordado. A capacitação será realizada no formato online, no dia 17 de março, das 19h às 21h.
Os interessados em participar podem se inscrever pelo site www.feevale.br/pilulas até dois dias antes do evento. Confira a entrevista:
GeraçãoE - O que abordará no curso?
João Pedro Brutshin Severo - É o beabá do naming. Serve pra quem quer criar uma marca para si, para outros ou para quem quer aprender sobre o processo antes de colocar dinheiro na mão de qualquer agência e receber nomes que não podem nem legalmente ser utilizados. E, acredite, isso acontece muito. Falarei também sobre a diferença que faz ter um nome forte e distinto da concorrência, bem posicionado entre outras características que chamo de os 6 Elementos Básicos do Naming. Ou seja, o que um nome precisa ter pra ser ao menos razoável. O curso também abordará ferramentas e estudos de caso do portfólio da Nitrogênio. Sem esconder o jogo: vou ensinar mais do que eu tinha quando comecei e trabalhei no meu primeiro projeto. E, no final, haverá um desafio criativo com direito ao nosso eBook de brinde.
GE - Qual a importância do naming?
João - O nome de marca é como uma tatuagem no teu rosto. Vai marcar tua vida para sempre. Dá para trocar de nome depois? Bom, quanto custa trocar uma tatuagem do rosto? É basicamente virar uma outra pessoa. Logo, pensar em um bom nome já deve ser feito desde o começo. Partindo daí, o nome da marca tem duas funções importantes: se conectar com o público, transmitindo teu posicionamento e cativando as pessoas, e te distinguir da concorrência. Se destacar, fugir do padrão. Ser diferente não é dizer "eu sou diferente". Isso todo mundo diz, tu tens é que mostrar desde o começo.
GE - Como um nome ajuda a economizar nas ações de publicidade?
João - Quanto tua empresa atualmente gasta para produzir materiais e materiais apenas para dizer teu posicionamento ao público? Bom, boa parte desses custos seriam menores se tu tivesses um nome de marca que se conectasse com o cliente e já transmitisse, objetiva ou subjetivamente, o que queres passar. E esse é só um dos pontos. O nome distinto também te faz te destacar e te faz chamar a atenção. É que nem a história da Sopa de Frango da Vovó, que uso bastante em workshops e materiais. Em resumo, é o seguinte: tu estás em um restaurante e abres o cardápio. Lá há uma lista de sopas: Sopa de Legumes, Sopa de Carne, Sopa de Frango da Vovó. Essa sopa é diferente, ela não é só de frango. É da Vovó! Algo tem aí de diferente. Tu podes não saber exatamente o que "da Vovó" significa, mas já há várias conexões psicoemocionais que te causa. Sabor caseiro? Lembrança de infância? Um calorzinho no coração? Algo te ativa. E quanto tu economizas se com duas palavras assim já passares tanta informação?
"Ser diferente não é dizer 'eu sou diferente'. Isso todo mundo diz, tu tens é que mostrar desde o começo."
GE - Quais são os elementos e processos básicos de criação?
João - Primeiro, vem o Posicionamento. É o que queremos transmitir com o nome. Depois, a Distinção. Queremos nos destacar do mercado, não ser mais do mesmo. Então, temos Pronúncia, Aparência e Sonoridade, que se relacionam diretamente entre si. Pronunciar, ouvir, ler e escrever um nome são processos que transmitem sensações e mensagens. E, por último, o mais objetivo: Possibilidade de Registro. De nada adianta o nome se não puder, legalmente, usá-lo. Quanto ao processo de criação, vai depender do estilo de nome que queremos produzir. Porém, há um grande ponto em comum: brainstorm. Escrever, escrever e escrever. Prepara tua estratégia e depois encha quantas folhas tu puderes com palavras e mais palavras. Quando um cliente contrata a Nitrogênio para um projeto de seis opções de nomes, ao menos 600 palavras são escritas, filtradas, selecionadas. Brainstorm, bem direcionado, nunca é demais.
GE - Quais os erros mais comuns que os empreendedores cometem durante a criação?
João - Fazer a marca para eles mesmos. A marca é para o público! Eles que se identificarão, divulgarão a marca, comprarão dela. Desculpe informar: o teu nome próprio ou teu apelido de infância muito provavelmente não significa nada para o teu público. Outro erro é o medo de sair da zona de conforto. "Isso não parece nome de empresa do ramo tal." Bom, maçã parece nome de marca de computadores? Exatamente, não parece e por isso que é uma ótima marca. E a Apple não nasceu grande, ela se tornou grande no rebranding que veio com o nome.
GE - Hoje, com acesso a aplicativos que fazem logo na hora, que cuidados as pessoas precisam ter na hora da criação instantânea?
João - O cuidado de não usá-los. Nomes e logos transmitem sentimentos, mensagens, sensações. E querem ser distintos. Pensar fora da caixa, surpreender. Não é algo que se consegue com um aplicativo que segue um algoritmo de lógica sem capacidade de empatia. Aliás, também vai te fazer soar completamente sem graça, padrão e indistinguível da concorrência. Isso é, esse aplicativo vai atrás de um padrão e vai segui-lo, ou vai tentar uma estratégia comum e previsível. Nomes entediantes surgirão e não é isso o que queremos. Sem contar que: quantos concorrentes estão fazendo a exata mesma coisa?
GE - Qual o principal ponto a ser considerado pelos empreendedores na hora de elaborarem o nome das suas marcas?
João - O nome de marca é uma ferramenta de marketing. Ele tem funções e deve ser pensado com calma, estratégia e se colocando no lugar do público. É uma oportunidade única, a ponta de uma lança, o começo da conversa. Não pense de forma pessoal, não pense em homenagear alguém irrelevante para o público. Nem espere nomes milagrosos por quais tu vais te apaixonar de cara. Defina seu objetivo de mensagem a ser transmitida, padrão a fugir e o que mais for importante no nome. Ele é uma grande e única oportunidade: não desperdice.
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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