Mauro Belo Schneider

Dirlene Silva usa o LinkedIn para falar sobre finanças e empreendedorismo

Economista de Canoas integra lista 25 Top Voices do LinkedIn

Mauro Belo Schneider

Dirlene Silva usa o LinkedIn para falar sobre finanças e empreendedorismo

É uma economista mulher, negra, de Canoas, uma das 25 pessoas mais influentes do LinkedIn. Dirlene Silva integra a lista 25 Top Voices da rede social, um reconhecimento que lhe dá motivação para seguir concretizando seus objetivos.

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É uma economista mulher, negra, de Canoas, uma das 25 pessoas mais influentes do LinkedIn. Dirlene Silva integra a lista 25 Top Voices da rede social, um reconhecimento que lhe dá motivação para seguir concretizando seus objetivos.
Ex-aluna da universidade La Salle, ela ganhou o título em 2020, ano que foi difícil para todo mundo, mas que se tornou ainda mais marcante por ter sido demitida, após 28 anos de carreira. Sem emprego, decidiu empreender. Dirlene abriu a DS Estratégias e Inteligência Financeira com o propósito de "desmistificar economia e finanças através da prestação de serviços de consultoria, coach e mentoria". É o começo de uma nova trajetória, aos 46 anos.
GeraçãoE - Como é o processo de seleção do Top Voices do Linkedin?
Dirlene Silva - A lista do LinkedIn Top Voices Brasil existe desde 2016. A plataforma no Brasil possui mais de 46 milhões de usuários e, ao longo destes cinco anos, apenas 125 pessoas foram eleitas LinkedIn Top Voices. É uma lista que destaca os 25 profissionais brasileiros que promovem networking através de conversas relevantes na plataforma. São consideradas métricas como engajamento nos posts, número de curtidas, frequência das publicações e crescimento de seguidores no último ano. O LinkedIn também utiliza um filtro qualitativo para selecionar estes perfis com base no conjunto de trabalho da pessoa: se suas contribuições são relevantes, promovem o diálogo e tratam de assuntos em alta. Se a pessoa busca dar e receber ajuda, sem promover a si mesma.
GE - Por que tu ganhaste?
Dirlene - Embora eu utilizasse o Linkedin desde 2010, foi somente em junho deste ano que me tornei ativa na rede, passando a publicar e a interagir para buscar visibilidade. Primeiro, com a intenção de recolocação. Posteriormente, quando optei por empreender, para alavancar os negócios da empresa. Contudo, a premiação foi uma total surpresa. Tanto que quando eu recebi o e-mail de um colaborador do LinkedIn, dizendo que eu estava na lista dos pré-selecionados, quase deletei o e-mail achando que era "fake". Sou a única economista da lista. Falo de Economia e Finanças de uma maneira diferenciada, buscando simplificar os assuntos, trazendo-os para o dia a dia de forma que seja compreensível a todos os públicos. Também abordo temas como inteligência emocional, a importância da autorresponsabilidade e protagonismo. Ainda participo do projeto intitulado "Corrente do Bem", que apoia pessoas em recolocação, divulgando currículos e vagas. Além disto, eu tinha 1 mil seguidores em junho e, em novembro (data da premiação), tinha quase 10 mil.
GE - Como tu construíste a tua carreira?
Dirlene - Sou economista. Apaixonada pela profissão, tanto que comemoro o dia 13 de agosto, Dia do Economista, como minha segunda data de aniversário. Possuo Mestrado em Gestão e Negócios, MBA em Finanças Corporativas, MBA em Gestão de Pessoas e Pós-MBA em Inteligência Emocional. Além das formações em Mentoria Organizacional, Coach Financeiro e Coach em Gestão da Emoção. Tenho 28 anos de carreira, sendo que atuei por mais de 25 anos como líder nas áreas de Finanças e Gestão Estratégica de Empresas. Contudo, a vontade de empreender me acompanha por, no mínimo, 10 anos. Sempre me senti incomodada com o tabu em torno de economia e finanças, que são considerados assuntos da elite. Não falamos sobre dinheiro na família ou entre amigos. Entretanto, casais se divorciam por causa de dinheiro (motivos financeiros representam a segunda maior causa de divórcio, perdendo apenas para traições), famílias brigam por causa de heranças, pessoas são assassinadas e se matam por dívidas e, mesmo assim, não nos damos conta que economia e finanças fazem parte de nosso dia a dia.
GE - A pandemia mudou a forma como as pessoas se relacionam com as finanças?
Dirlene - A pandemia nos trouxe muitas lições sobre economia e finanças. Aprendemos que é possível viver com menos. Tivemos que economizar e pesquisar preços, aprendemos a poupar dinheiro, luz, água, telefone e etc. Percebemos a importância e o poder de negociar, assim como a finalidade de ter uma reserva de emergência. Quem não tinha precisou aprender a fazer dinheiro através de uma fonte de renda extra. Além disso, muitos, assim como eu, optaram por empreender. No ano passado, 74% dos jovens entre 18 e 35 anos tinham a intenção de empreender. A pandemia acelerou a tendência de aumento do empreendedorismo que, agora, só tende a crescer.
GE - O que esse reconhecimento do Linkedin representa para uma empreendedora negra?
Dirlene - O prêmio coincidiu com minha decisão por empreender, ocorrendo no mesmo mês que passei a divulgar a empresa e no mesmo dia em que publiquei minha trajetória de vida no LinkedIn através do artigo "Do Lixo a Paris", em que conto que passei a infância sendo chamada de "filha da empregada" e parte da adolescência de "filha da lixeira". Logo, representa que meu esforço valeu a pena e que ter me guiado e acreditado no pensamento de Mandela, que diz que "a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para melhorar o mundo", fez a diferença na minha vida. Ratifica, ainda, que "nem sempre o melhor vence e sim aquele que mais persiste". Confirma que a Lei da atração é realmente irrevogável.
GE - Como a tua história pode inspirar outras mulheres?
Dirlene - Sempre tive receio de contar minha história, pois rejeito o papel de vítima. Sou uma protagonista de minha vida. Quando passei a escrever para o blog Prateleira de Mulher (www.prateleirademulher.com.br), que conta histórias de superação, fui incentivada pelas colegas a escrever minha história. Contudo, resistia em escrever por escrever. Aí, veio a ideia de usar minha história para demonstrar que o investimento em educação vale a pena, pois ver os crescentes e sedutores apelos em prol dos investimentos monetários, dicas de como enriquecer antes dos 30 anos e até listas de motivos dizendo que não vale a pena estudar, me incomodava bastante. Hoje, vendo a repercussão, tenho a certeza de que usei o tom certo e adequado. Minha escrita foi inspiradora e não vitimista. Tenho a confirmação disto quando, diariamente, pessoas me contatam dizendo o quanto foram impactadas e inspiradas por um artigo meu.
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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