Vitorya Paulo

A iniciativa já tem imóveis cadastrados em seis cidades gaúchas

Futuro do trabalho passa por espaços compartilhados

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A iniciativa já tem imóveis cadastrados em seis cidades gaúchas

A sociedade está saindo da era da individualidade e posse para entrar na era do coletivismo e compartilhamento. É nisso que acreditam Alissa Soares Zani, 30 anos, Daniela Lima Gomes, 30, Gabriella Rassier Madruga, 31, e Rodrigo Mathias, 34. Juntos, eles comandam a plataforma gaúcha Localpass, especializada em conectar usuários que desejam fazer locações avulsas de espaços a donos de imóveis que queiram alugá-los nesta modalidade.

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A sociedade está saindo da era da individualidade e posse para entrar na era do coletivismo e compartilhamento. É nisso que acreditam Alissa Soares Zani, 30 anos, Daniela Lima Gomes, 30, Gabriella Rassier Madruga, 31, e Rodrigo Mathias, 34. Juntos, eles comandam a plataforma gaúcha Localpass, especializada em conectar usuários que desejam fazer locações avulsas de espaços a donos de imóveis que queiram alugá-los nesta modalidade.
A iniciativa está em seis cidades gaúchas (Porto Alegre, Eldorado do Sul, Gravataí, Gramado, Novo Hamburgo e Passo Fundo) com mais de 200 espaços cadastrados, entre auditórios, consultórios, coworkings, escritórios, salas de reuniões e treinamentos, estúdios, salões de eventos e espaços ao ar livre. Inicia, também, o funcionamento em Santa Catarina. Nesta entrevista, os empreendedores falam sobre a iniciativa e o nicho.
GeraçãoE - Como surgiu a Localpass?
Alissa Zani, Daniela Gomes, Gabriella Madruga - Tudo começou em setembro de 2019, em uma conversa entre amigas. Sentimos a necessidade de existir uma plataforma que reunisse diversos espaços para locação avulsa, que proporcionasse a comparação destes espaços disponíveis e fosse possível reservar com maior facilidade e agilidade. Lembramos das nossas experiências de quando precisávamos locar um espaço para realizar algum evento. O quão trabalhoso e burocrático era fazer uma cotação, perguntar sobre a disponibilidade, entrar em contato com cada local. Levantamos também a questão da necessidade que muitas pessoas têm de locar espaços para atendimento, e também de otimizar o uso do seu consultório, pois sabemos que nem todos os profissionais utilizam o seu espaço 100% do tempo do horário comercial.
GE - Como funciona a monetização da Localpass?
Alissa - A Localpass não realiza cobrança de taxa para o usuário que efetua a reserva através da plataforma. A pessoa realizará o pagamento do valor integral para o proprietário do espaço que for reservado. Cada local possui sua própria política de pagamento, cancelamento e regras de uso. Para o interessado em anunciar o espaço na Localpass, não é cobrado nenhum tipo de taxa de adesão e mensalidade, apenas uma taxa sobre o valor da locação, quando houver reserva através da Localpass.
GE - Por que investir em compartilhamento de espaços?
Gabriella - Investir no compartilhamento de espaços é o futuro do relacionamento da humanidade com o consumo. Não é uma mera tendência passageira, vai muito além disso. Estamos saindo da era da individualidade e posse para entrarmos na era do coletivismo e compartilhamento. Nos últimos anos, temos visto surgir globalmente diversas plataformas baseadas neste mesmo modelo que têm transformado o nosso estilo de vida significativamente, como a Uber e o Airbnb. São plataformas que possibilitam utilizar um bem por um certo período de tempo, sem a necessidade de adquiri-lo. Afinal, o foco está em usufruir e não possuir. Por mais que já exista, há muitos anos, locações por temporada de casas e carros, assim como serviços de táxi, foi somente a partir do surgimento destas plataformas atuais que percebemos aumentar a oferta e a procura em massa por estas facilidades. Aliadas à busca pela praticidade, pelo conforto e economia. Tudo isto é muito positivo para a sociedade, poupamos recursos naturais e financeiros e ampliamos o acesso a bens e serviços por meio de um modelo de consumo sustentável, consciente e racional.
GE - Como a digitalização e a tecnologia auxiliam um negócio como a Localpass?
Rodrigo Mathias - Cada vez mais, percebemos que o ambiente virtual aumenta a velocidade de interação entre todas as partes interessadas: o proprietário do espaço que possui períodos vagos, os usuários finais que precisam de flexibilidade de horários com custo acessível, e nós, da Localpass, que administramos esse fluxo. A empresa já nasceu na nuvem pensando no futuro. A arquitetura do projeto em si é focada no crescimento horizontal e descentralizado do negócio. Ou seja, independentemente do crescimento do número de usuários, a plataforma segue funcionando com eficiência.
GE - Quais tipos de profissionais vocês almejam?
Alissa - Segmentamos nossos serviços para atender três tipos de necessidades: os autônomos que precisam reservar espaços para as suas atividades; as empresas que precisam de espaços para eventos, feiras, salas de reuniões e treinamentos; e, por fim, pessoas físicas que necessitam espaço para realizar eventos e atividades de lazer.
GE - Como enxerga o futuro do mercado imobiliário no Brasil?
Alissa, Gabriella - Notamos uma forte tendência na ampliação da disponibilidade de espaços para compartilhamento. A economia compartilhada está cada vez mais introduzida na vida das pessoas em diversos segmentos, incluindo o imobiliário. É possível notar que o uso é mais importante que a posse para as novas gerações. Em função do advento da pandemia, muitos segmentos foram impactados e o modo de viver das pessoas mudou completamente. Acreditamos que algumas dessas mudanças irão perdurar nos anos seguintes. Após a necessidade de trabalhar em casa, a busca por apartamentos e casas maiores, que sejam mais confortáveis e tenham espaço reservado para trabalho, aumentou. É interessante para a sociedade que se mantenha esta opção de trabalho home office no período pós-pandemia. Porém, com a consciência de que, às vezes, somente o espaço privado não é suficiente. Acreditamos que a venda dos imóveis comerciais irá ganhar força com a introdução da rentabilidade através da locação avulsa, seja por hora, turno ou diária. Além da possibilidade habitual de locação mensal, ter mais esta opção de rendimento será um incentivo para esses investidores.
GE - Acha que a pandemia pode afetar o mercado imobiliário?
Alissa - Nota-se uma mudança de comportamento dos consumidores após a pandemia em todos os setores. Sempre existem oportunidades em tempos de crise. Houve uma crescente procura por espaços compartilhados neste período. Os usuários não precisam ter mais um espaço fixo, com custos fixos elevados para manter o seu consultório ou escritório particular. Existem diversas opções no mercado disponíveis de espaços totalmente equipados e com uma infraestrutura completa, possibilitando uma redução de custos para autônomos e empresários. Durante a pandemia, o estilo de trabalho home office foi adotado por diversas empresas. Acreditamos ser uma tendência essa mudança no estilo de trabalho adotado e permanecerá após a pandemia. Os profissionais têm cada vez mais trabalhado de casa e, quando precisam, procuram um espaço compartilhado por hora para realizar reuniões com a equipe ou clientes.
GE - Qual o desafio de ter três sócias mulheres e um homem no comando?
Daniela, Alissa, Gabriella - Enxergamos muito mais como um diferencial do que como um desafio. O importante é contar com um time multidisciplinar, identificar as oportunidades e construir um crescimento sustentável da empresa. Consideramos ser um diferencial que a equipe da Localpass seja composta por três mulheres empreendedoras e um homem, com experiências em diferentes áreas, que se complementam no desenvolvimento das atividades da empresa. A liderança feminina vem ganhando espaço no ambiente corporativo e quebrando paradigmas.
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Vitorya Paulo - repórter do GeraçãoE

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