Mauro Belo Schneider

CEO do Me Poupe! afirma que a única forma de dobrar um patrimônio é empreendendo

Dinheiro não foi feito para ser guardado, diz Nathalia Arcuri

Mauro Belo Schneider

CEO do Me Poupe! afirma que a única forma de dobrar um patrimônio é empreendendo

Em meio à pandemia do coronavírus, muitas pessoas se deram conta da importância das reservas financeiras. Seja para cobrir os meses de negócio fechado ou a ausência de renda pela perda de um emprego, quem tinha dinheiro guardado evitou – ou, pelo menos, reduziu – o nível de estresse causado pelo contexto que a humanidade vive.

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Em meio à pandemia do coronavírus, muitas pessoas se deram conta da importância das reservas financeiras. Seja para cobrir os meses de negócio fechado ou a ausência de renda pela perda de um emprego, quem tinha dinheiro guardado evitou – ou, pelo menos, reduziu – o nível de estresse causado pelo contexto que a humanidade vive.
Há cinco anos, a jornalista Nathalia Arcuri foca no tema de investimentos em seu projeto, o Me Poupe!, que lhe rende o título de CEO de um dos maiores canais de finanças do mundo no YouTube e que impacta diretamente mais de 14 milhões de pessoas por mês. Nath, como é chamada por seus seguidores, trocou um salário de cerca de R$ 13 mil como repórter para viver ensinando o público a ter uma relação mais saudável com o dinheiro.
Ao participar de uma live do GeraçãoE, pelo Instagram, Nath contou que antes de empreender, vivia com 30% de seu salário e investia 70%. Quando pediu demissão, tinha a possibilidade de ficar um ano e meio sem trabalhar.
Não há milagre para multiplicar o dinheiro, segundo a especialista em finanças, pois é um processo que envolve planejamento, disciplina e paciência. “Hoje em dia, só não aprende quem não quer”, provoca. Sua equipe lançou, também, durante a pandemia, uma vitrine para pequenos empreendedores, o SOS Me Poupe. Confira trechos da conversa e assista na íntegra pelo IGTV do GE.
GeraçãoE - Quem era a Nath antes de ser CEO da maior plataforma de entretenimento financeiro do Brasil?
Nathalia Arcuri – Desde pequena, gosto de ensinar. Sempre era aquela aluna que estudava na véspera da prova, fazia resumos bem organizados e gostava de explicar para os meus colegas naquela meia hora antes do teste. Nunca me vi como professora, e sempre gostei de finanças, com objetivos claros. Quando tinha 7 anos, já queria ter um carro. Aos 18, um apartamento. Queria poder parar de trabalhar aos 45. Isso fez com que eu aprendesse mais cedo.
GE – Quando você fez o seu primeiro investimento?
Nath – Aos 18 anos. E não havia didática, linguagem, nem internet como hoje. Eram poucos blogs especializados em finanças, e com uma linguagem difícil. Sempre gostei de estudar isso para mim mesma, enquanto seguia minha carreira de jornalista. Fiz carreira na TV, meu grande sonho era trabalhar como repórter e apresentadora, e ia estudando para multiplicar o meu dinheiro. Queria poder ter minha independência financeira aos 45 anos. Em determinado momento, comecei a perceber que as pessoas perto de mim tinham comportamentos destrutivos em relação ao dinheiro. Conseguia perceber isso em todos os níveis sociais. Comecei a notar, também, que era muito mais uma questão de cultura, do que aprendemos sobre dinheiro, de como agimos, do que uma questão matemática.
GE – De que forma você usou essa informação no seu novo projeto de vida?
Nath – Comecei a falar com as pessoas, mas era difícil, pois elas não gostam de conversar sobre dinheiro. Parece que é uma ofensa quando você questiona alguém sobre se a parcela de uma conta é realmente necessária. Comecei a estudar como eu era capaz de mudar o comportamento delas e descobri algumas ciências e técnicas que, agora, me permitem promover essa mudança na cabeça da galera. No fundo, o conhecimento sempre esteve disponível, as pessoas é que não queriam conhecer. Para mudar a questão social, primeiro, precisamos mudar a cabeça, abri-la para ter apetite pelo conhecimento. Porque, do contrário, todo o resto não acontece.
GE – O que são comportamentos destrutivos?
Nath – É você fazer coisas que racionalmente, quando para para pensar, se dá conta que não sabe por que fez. Na pandemia, por exemplo, muita gente comprou coisas que não precisava, como: máquina de pão, airfryer, equipamento de ginástica, acessórios de cozinha. São itens que você acha que vai usar e, quando chega, você pensa: “por que eu comprei isso?”. Por que você vai comprar mais roupas se não sai de casa? Quando você começa a colocar racionalidade, entende. Isso ocorre porque o ser humano não é racional com o dinheiro. Tem vários estudos que demonstram isso.
GE – O que deveríamos estar fazendo com o dinheiro gasto com bobagens?
Nath – Se a gente não sabe para que o dinheiro vai servir, qualquer coisa serve. Não devemos usar o dinheiro para guardar, pois dinheiro não é colecionável, figurinha para completar um álbum. Dinheiro é só um objeto que tem certo valor e algo que você troca por outro objeto ou serviço que vai fazer a diferença para você. Vejo muitas pessoas que continuam em empregos que não gostam, que não viajam, que não dão mais conforto para a família porque não entenderam que isso é mais importante que essas comprinhas banais que fazem no dia a dia. A compra gera sensações positivas no nosso cérebro, mas a conquista de uma grande meta gera sensações muito mais poderosas. A pessoa tem que atrelar os investimentos dela aos objetivos, e isso é viciante. Tão viciante quanto uma compra. A sensação de você ver R$ 100,00 virar R$ 101,00 sem fazer absolutamente nada é muito mais prazerosa do que comprar algo.
GE – O que precisamos pensar na hora de começar a investir?
Nath - Não é o dinheiro pelo dinheiro, é o que ele vai te proporcionar. Precisamos investir o dinheiro pensando na viagem do ano que vem, na faculdade dos meus filhos, em comprar a minha casa à vista. Aí, os investimentos começam a fazer mais sentido.
GE – Como lidar com o crescimento “lento” do dinheiro investido?
Nath – Mas é lento em relação a quê? Ele é devagar quando você não sabe para que aquele dinheiro está lá. Tem muita gente que junta um pouco e gasta. São pessoas que estão “guardando” o dinheiro. Dinheiro não foi feito para ser guardado. Dinheiro foi feito para ser investido. Você guarda uma calcinha, uma camiseta. Dinheiro a gente investe ou usa. Devemos separar parte do dinheiro para ser empregada para curto, médio e longo prazo.
GE – Qual o melhor lugar para deixar o dinheiro?
Nath – Depende. Cada objetivo e cada prazo terão investimentos diferentes. Quanto mais longo o prazo, mais diversificada tem que ser sua carteira. Imagine que você quer comprar uma casa à vista daqui a 20 anos. Não é só um investimento que você terá que fazer, serão vários. Se você tomar mais riscos, o dinheiro se multiplicará mais depressa. Não adianta querer deixar o seu dinheiro na poupança para daqui a 20 anos comprar uma casa. Será muito frustrante. Porque a poupança é um dos piores investimentos. Tesouro Selic é para reserva de emergência. Se você quer sonhos de mais longo prazo, vai ter que aprender a investir em ações e fundos. Há mais de 900 vídeos sobre isso no Me Poupe.
GE – É simples investir?
Nath - Não é do dia para a noite. Há quem queira resultados imediatos, e isso não existe. É por isso que tanta gente é feita de trouxa em esquemas de pirâmide, por exemplo. O ser humano é muito imediatista. A única coisa que faz dobrar dinheiro é empreender. É o que o Silvio Santos fez, é o que eu fiz. Vai lá, compra 100 canetas a R$ 0,50 e vende a R$ 1,50. Pronto, você vai dobrar o seu dinheiro, mas terá que trabalhar, colocar o seu na reta.
GE – Se eu tenho R$ 100 mil no banco, quanto devo usar desse dinheiro para empreender?
Nath – O ideal é: nada. O melhor momento para você pegar dinheiro emprestado para um empreendimento é quando você tem dinheiro. Quando você tem dinheiro em caixa, o banco vai lhe dar taxas de juros mais baixas. Daí, você não precisa se desprender do seu dinheiro. Para isso, tem de ter um plano de negócios muito bem estruturado. Dessa forma, você não se descapitaliza e sabe o que pode esperar do dinheiro que pegou emprestado.
GE – Que tipo de ajuda o empreendedor iniciante mais precisa?
Nath – O maior problema é a dificuldade de lidar com o dinheiro. Fizemos uma pesquisa e descobrimos que acesso a crédito e saber separar a conta física da jurídica é o que eles acham mais difícil. Mesmo que você seja autônomo, precisa se enxergar como uma empresa, pois não vai funcionar se todo dinheiro que entra você pega para ir à padaria comprar pão. Desse jeito, sempre ficará com a sensação de que está enxugando gelo.
GE – Que lição de empreendedorismo fica da sua experiência?
Nath – No início, é você com você mesmo. Ninguém vai lhe ajudar. E você precisa ter habilidades para trazer pessoas para dentro do seu mundo. Parceria é a coisa mais importante no começo de qualquer negócio. Há quem já queira fazer uma baita propaganda, investir em marketing, contratar alguém de mídias sociais sem nem saber quem é. Não vai rolar.
GE – E se eu não tiver tempo para investir?
Nath – O tempo que você não está usando para isso é o tempo que você precisa trabalhar mais. Porque, enquanto o seu dinheiro não estiver trabalhando, você é quem vai estar. É uma questão de escolha. Eu prefiro que o meu dinheiro trabalhe para mim, para que eu possa trabalhar menos. Ou só se eu quiser. Vai dizer que você não tem 20 minutos por dia?
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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