Isadora Jacoby

Rafael Chanin, professor da Pucrs, e Carolina Kechinski, sócia da Cacau Show, debateram os desafios de empreender em tempos de coronavírus

Sócia de lojas da Cacau Show conta como faturamento on-line passou de 1% para 60% durante a pandemia

Isadora Jacoby

Rafael Chanin, professor da Pucrs, e Carolina Kechinski, sócia da Cacau Show, debateram os desafios de empreender em tempos de coronavírus

Após três meses de pandemia, empreendedores e empreendedoras de diversos setores criaram soluções para permanecer no mercado. No primeiro Debate GE, conversa promovida pelo Zoom entre empreendedores e a equipe do GeraçãoE, Rafael Chanin, professor da escola politécnica da Pucrs, e Carolina Kechinski, sócia das lojas próprias da Cacau Show, discutiram como empreender nesse momento e de que maneira criar soluções viáveis para os negócios. 

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Após três meses de pandemia, empreendedores e empreendedoras de diversos setores criaram soluções para permanecer no mercado. No primeiro Debate GE, conversa promovida pelo Zoom entre empreendedores e a equipe do GeraçãoE, Rafael Chanin, professor da escola politécnica da Pucrs, e Carolina Kechinski, sócia das lojas próprias da Cacau Show, discutiram como empreender nesse momento e de que maneira criar soluções viáveis para os negócios. 
À frente de lojas físicas da Cacau Show em todo País, Carolina conta que, à priori, a pandemia e as restrições foram um baque para o negócio, já que o fechamento das lojas foi próximo da Páscoa, data que representa 30% do faturamento do ano. No entanto, a empreendedora conta que não ficou apenas observando as mudanças e correu atrás de soluções que incrementassem as vendas mesmo nesse contexto. "Foi um momento único de reinvenção. Tínhamos as lojas físicas, que representavam 98% dos nosso negócio, e o e-commerce representava muito pouco. Vimos esse 1%, 2%, virar 60% da noite para o dia. Não tínhamos nem plataforma, não sabíamos que o WhatsApp tinha metade dos recursos que tem", conta Carolina, orgulhando-se que, mesmo nesse cenário, conseguiu superar a performance do ano anterior. "Nunca trabalhei tanto quanto nessa Páscoa. Tínhamos uma meta bem agressiva de crescimento de 25% em relação ao ano passado. Realizamos 80% da meta. Ou seja, conseguimos, sem ter nenhuma loja, vender mais que o ano passado. Mas foi com muito trabalho, com muita garra. Vendi em lugares que nunca tinha vendido na minha vida, de formas que nunca tinha pensado. Os funcionários trouxeram soluções", complementa. 
Rafael acredita que, por sua natureza, as startups têm vantagens em cenários adversos, como o ocasionado pela pandemia da Covid-19. "O mundo das startups é um mundo caótico. Diferente de um negócio tradicional, onde, de certa forma, é possível prever vendas, canais, clientes. Em uma startup, tudo é caos. Em muitos casos, não se conhece os clientes, não se conhece os canais, que mudam de um dia para o outro. É um mundo acostumado com essas mudanças bruscas. A vantagem é que a startup já tem o mindset de rapidamente se adaptar", expõe Rafael, que pondera, no entanto, que o contexto de 2020 era inimaginável mesmo para essas organizações acostumadas com rápidas mudanças. 
Com um e-commerce que foi ao ar em dois dias e usando diversos novos recursos tecnológicos e logísticos, Carolina afirma que o mais importante é não ficar parado e conhecer novas maneiras de fazer o negócio acontecer. "O bacana de tudo isso é que aprendemos canais que antes não conhecíamos. E esses canais não vão embora. Quando as lojas retornarem, tudo isso que aprendemos vai ficar", acredita. Ela conta que viu muitos empresários paralisados pela crise, sem buscar novas soluções e maneiras de monetizar seus negócios. "Lógico que, como empresária e empreendedora, eu preciso de receita. Sem receita, não consigo pagar conta, isso é muito simples. Mas, ao mesmo tempo, temos outras formas de gerar receita e temos que entender, caminhar nessa direção, buscando alternativas para viabilizar o negócio", pontua Carolina. 
Rafael ainda complementa que é preciso não ser somente um otimista frente às dificuldades, e sim analisar de forma prática o contexto para conseguir fazer movimentos e adequações no negócio. "É legal a gente ser positivo, mas temos que pensar nos cenários. Não posso ficar esperando 2021, porque aí sim eu vou quebrar. Tenho que pensar hoje, o que eu posso fazer assumindo que o cenário é que os shoppings não vão abrir, os mercados não vão abrir, as aulas não vão voltar. Preciso jogar com as variáveis que tenho hoje", defende Rafael. 
Analisando as mudanças que aconteceram nos últimos meses, como uma ampla adesão ao universo digital, vendas on-line e delivery, Rafael acredita que esses movimentos aconteceriam ao longo de anos. "As mudanças que aconteceram nos últimos dois meses talvez fossem acontecer nos próximos cinco anos, e foram compactadas. É mais difícil para alguns, mas não adianta reclamar. É preciso ter proatividade e buscar alternativas", diz Rafael, salientando que é na tentativa e no erro que surgem as soluções. "Se errou, adapta e vai de novo, porque é o caminho."
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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