Vitorya Paulo

Filha do fundador da Dado Bier, Manoela Bertaso está, aos poucos, liderando o braço gastronômico do negócio

De pai para filha: os novos caminhos da Dado Bier

Vitorya Paulo

Filha do fundador da Dado Bier, Manoela Bertaso está, aos poucos, liderando o braço gastronômico do negócio

Quem acompanhou as redes sociais da Dado Bier, tradicional rede de restaurantes fundada por Eduardo Bier, nas últimas semanas, notou um detalhe diferente. A curadora de gastronomia e filha de Eduardo, Manoela Bertaso, 22 anos, formada no ramo pela Unisinos, tem produzido receitas para os seguidores do perfil do Instagram da marca (@dado_bier).

Ops! Este conteúdo é exclusivo para assinantes...

Quem acompanhou as redes sociais da Dado Bier, tradicional rede de restaurantes fundada por Eduardo Bier, nas últimas semanas, notou um detalhe diferente. A curadora de gastronomia e filha de Eduardo, Manoela Bertaso, 22 anos, formada no ramo pela Unisinos, tem produzido receitas para os seguidores do perfil do Instagram da marca (@dado_bier).
Segundo ela, o intuito foi manter o público engajado nas redes sociais mesmo com os negócios fechados devido à pandemia e conectar as pessoas cada vez mais ao braço gastronômico da Dado Bier. Nessa entrevista, Manoela fala sobre esse processo e como enxerga o mercado da gastronomia pós-pandemia.
GeraçãoE - Como está sendo a resposta do público tradicional da Dado Bier?
Manoela Bertaso - Recentemente, comecei a aparecer nos canais da Dado Bier, falando, mostrando meu rosto. Era algo um tanto inédito para mim. Porém, tem sido muito legal a repercussão. Nosso público é muito diverso, muito plural, sempre observamos isso. Então, esse processo todo tem sido muito recompensador. Os retorno são positivos e as trocas têm sido excelentes.
GE - Como é o mercado da gastronomia para as mulheres?
Manoela - Como todos os negócios e setores, há muitos desafios para as mulheres. Não vivemos uma realidade que preze pela equidade, o que faz com que as oportunidades não sejam as mesmas, assim como os salários também não. Na gastronomia, como qualquer outro mercado, isso não é diferente e temos muitas discussões nesse âmbito. Acontece que a mulher é vista, tradicionalmente, como chefe e líder dentro da cozinha de uma casa, mas quando ela vai para o mercado profissional, muitas vezes, os principais papéis dentro de um restaurante são entregue aos homens. Essa é uma luta diária para as mulheres terem a mesma representatividade nesse negócio e conquistarem as mesmas posições.
GE - E o ramo cervejeiro? É acolhedor para elas?
Manoela - O que consigo observar é que não é tão diferente da gastronomia. Afinal, em todas as esferas da vida profissional há a dificuldade das mulheres terem as mesmas oportunidades. Ainda que a realidade tenha mudado, o caminho segue sendo de muita luta.
GE - Acha que assumir esse braço do negócio pode ser uma inspiração para outras mulheres?
Manoela - Espero que sim. Pensar em uma posição de inspiração é um privilégio. Eu me inspiro muito em mulheres que vejo em posição de liderança e destaque em qualquer atividade que elas exerçam. Tanto é que me inspiro nas mulheres que convivo e as vejo como exemplo. Por isso, pensar que eu poderia inspirar outras mulheres é emocionante, é uma honra.
GE - Como está sendo esse período de pandemia para o negócio (recentemente foi fechada a unidade da Dado Bier no bairro Moinhos de Vento)? 
Manoela - Em geral, tem sido de dificuldade - poucas empresas se excluem desse cenário. É um momento de decisões difíceis e, acima de tudo, muita adaptação. A pandemia e o isolamento social aceleraram muitas transformações que já havíamos começado a falar, que estavam em nosso radar, mas que não imaginávamos que aconteceriam tão rápido. A transformação digital é um exemplo disso. Tem sido um processo de adequação e revisão de modelos de negócios, de pensar em novas estratégias. Com isso, há novas oportunidades e a necessidade de proteger seu negócio, saber mapear novas oportunidades, adaptar planos. Exemplo disso é o planejamento que tínhamos para esse ano que, na prática, foi jogado fora com essa crise. Tivemos que refazer tudo e nos adaptar. Ainda que pareça repetitivo, realmente acredito que a melhor expressão para o momento é adaptação, assim como flexibilidade e aceitação. No caso, não negar o que acontece, mas entender o cenário, mudar e se adaptar o mais rápido possível. Estamos no meio de todo esse processo. Ou seja, repensamos diariamente todas nossas ações.
GE - Quais acha que serão os legados do coronavírus ao ramo de gastronomia em geral?
Manoela - Acredito que, basicamente, a segurança alimentar é o primeiro ponto. Isso já era uma preocupação do cliente e agora ele está cada vez mais atento, mais preocupado com a segurança de seu alimento. E essa dimensão de segurança alimentar compreende a proteção contra o vírus. Houve vários formatos de produtos e serviços de gastronomia que tiveram que ser repensados para atender estes novos parâmetros de segurança alimentar. A questão da experiência em casa também é um ponto que merece atenção. Como a gastronomia, que sempre foi muito pautada pela comensalidade, pelo serviço, pela mesa posta nos estabelecimentos, pode oferecer essa experiência para quem está em casa? Como isso se torna um pilar dos negócios de gastronomia? De fato, estamos passando mais tempo em casa e também aprendendo a consumir experiências em casa. E esse legado de consumir mais delivery e take away, assim como outras formas de experiência, também será algo que ficará.
GE - Já se percebem mudanças no contato do cliente com a marca?
Manoela - A pandemia também trouxe a ideia de consumir do pequeno e apoiar o local. Sem dúvida alguma, isso será um comportamento de consumo que perdurará. Na gastronomia, isso se aplica no apoio aos produtores locais e na sazonalidade. São movimentos que já existiam, mas ganharam força neste período. O apoio a quem está próximo de nós, cozinhar com os produtos da época e o senso de colaboração e comunidade são pontos fundamentais. Esse é um modelo cada vez mais forte em todos os tipos de negócios. O Food-Hall da Dado Bier é um exemplo de espaço colaborativo. Temos uma união de pessoas e negócios. Então, essa troca tem sido muito valiosa. Não temos todas as respostas. Contudo, o grupo vai mais longe junto. Por isso, a rede de comunidade, tenho certeza, será um dos principais legados dessa crise.
>>> Live do GE aborda crise e superação dos negócios com Dado Bier. A transmissão acontece nesta sexta-feira (19), às 11h, no Instagram do GeraçãoE (@jcgeracaoe).
Vitorya Paulo

Vitorya Paulo - repórter do GeraçãoE

Receba matérias deste autor
Vitorya Paulo

Vitorya Paulo - repórter do GeraçãoE

Receba matérias deste autor

Deixe um comentário