Mauro Belo Schneider

Operando em modo piloto na cidade de Sapiranga, o Simot foi desenvolvido pela Paipe

O papel das empresas de tecnologia na busca de soluções para a pandemia

Mauro Belo Schneider

Operando em modo piloto na cidade de Sapiranga, o Simot foi desenvolvido pela Paipe

Foi notícia, na maioria dos veículos de comunicação, que a Paipe, companhia de tecnologia de Campo Bom, desenvolveu um aplicativo para as prefeituras controlarem como está a temperatura dos trabalhadores em tempo real. Por meio do aplicativo Simot - Sistema de Monitoramento de Temperatura, as empresas informam, diariamente, qual a temperatura e demais sintomas dos funcionários. As secretarias da saúde dos municípios têm acesso a esses dados imediatamente, por meio de um painel de alertas, informando se há indício do vírus em determinada empresa ou região.

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Foi notícia, na maioria dos veículos de comunicação, que a Paipe, companhia de tecnologia de Campo Bom, desenvolveu um aplicativo para as prefeituras controlarem como está a temperatura dos trabalhadores em tempo real. Por meio do aplicativo Simot - Sistema de Monitoramento de Temperatura, as empresas informam, diariamente, qual a temperatura e demais sintomas dos funcionários. As secretarias da saúde dos municípios têm acesso a esses dados imediatamente, por meio de um painel de alertas, informando se há indício do vírus em determinada empresa ou região.
Nesta entrevista, Marcelo Dannus, sócio e CEO da Paipe, fala sobre o projeto e sobre como foi a adaptação do negócio para atender essa nova demanda surgida a partir da pandemia do coronavírus. A primeira cidade a utilizar o app é Sapiranga, mas a expectativa é que o projeto se espalhe pelo Brasil.
GeraçãoE - Como foi a adaptação do negócio à demanda do novo coronavírus?
Marcelo Dannus - A ideia surgiu após percebermos que os prefeitos estavam sendo pressionados. De um lado, pelos empresários, para retomar as atividades. De outro, pela sociedade, para que fosse mantido o isolamento. Diante disso, desenvolvemos uma ferramenta que permite que as prefeituras controlem as empresas para que elas adotem os protocolos mínimos para voltar às atividades com segurança. Montamos um time especial para debater sobre a ideia e desenvolver um protótipo rápido para validar com a prefeitura de Sapiranga. Logo que foi apresentada, a ideia foi aprovada.
GE - O que a Paipe fazia antes?
Marcelo - A Paipe é uma empresa de tecnologia de Campo Bom fundada em 2014. Atua em duas frentes: outsourcing (mão de obra locada no cliente) e desenvolvimento de produtos de inteligência artificial e machine learning (como uma fábrica de softwares) a partir da demanda de clientes ou de necessidades identificadas na indústria de um modo geral. O foco é levar inovação para empresas da região, desde o ramo calçadista, agronegócio, manufatura, tecnologia, alimentício e outros. Entre os clientes da Paipe, estão a Calçados Beira Rio e Hygra.
GE - Como é lançar uma novidade em meio à uma pandemia?
Marcelo - Nesse momento, a nossa maior preocupação é contribuir com uma solução que seja útil para a sociedade, ajudar no enfrentamento da pandemia. Sentimos que estamos fazendo parte desse movimento que busca alternativas para lidar com a crise, exercendo nosso papel de cidadania, trazendo tranquilidade para quem quer voltar a trabalhar, auxiliando empresas e o poder público. Permitir que as autoridades públicas monitorem as empresas é uma forma de atuar para a retomada da economia com saúde e segurança.
GE - Qual a intenção de vocês com o projeto?
Marcelo - Queremos trazer segurança jurídica e de saúde para empresas e para os municípios. Por uma questão econômica, é importante que a indústria e o comércio retomem as atividades. A questão da saúde pública, porém, não pode ser deixada de lado. Ficamos inquietos diante disso, e o aplicativo é a nossa forma de auxiliar essa retomada de forma segura.
GE - Que campo de atuação vislumbram além da prefeitura de Sapiranga?
Marcelo - O Simot foi desenvolvido pensando em gestores municipais. Acreditamos que ele pode ser útil tanto para as prefeituras e até mesmo em nível estadual e federal. O cenário que buscamos é um sistema integrado com todos os municípios, pois um colaborador pode trabalhar e morar em cidades diferentes, por exemplo. Quanto mais empresas, hospitais e Upas aderirem ao app, mais completas serão as informações e mais unificadas, de forma a auxiliar as autoridades a adotarem as políticas públicas mais adequadas.
GE - O que ficará da experiência após a pandemia?
Marcelo - Falando como cidadão, são os valores que temos de respeito à vida, dos cuidados no dia a dia e consciência de que um vírus é capaz de parar o mundo de fato. Sempre me questiono sobre o que posso fazer para contribuir e para ser parte da solução. As pessoas podem fazer parte do problema ou da solução. Ao invés de ficar discutindo o que é certo ou errado, na Paipe escolhemos potencializar as ideias e gerar as soluções para sair do problema. A polarização que vemos nas mídias e redes sociais não leva a nada. As pessoas precisam se preocupar em fazer algo pelo bem comum, desde ajudar os mais necessitados, vizinhos, instituições, fazer parte de movimentos, ser voluntário. Existem diversas formas de ajudar. A Paipe, como trabalha com tecnologia, resolveu ir além da ajuda de doações, que já vínhamos fazendo, e optamos fazer algo em uma área que dominamos. A partir da pergunta "o que a tecnologia pode trazer de beneficio nesse momento?", chegamos ao Simot. Vamos sempre olhar os problemas do ponto de vista da solução, unindo as pessoas em prol de um resultado benéfico a todos.
GE - O que o aplicativo incrementará em termos financeiros à empresa?
Marcelo - A prefeitura de Sapiranga está utilizando o Simot em formato piloto e sem custo. Antes de pensarmos em rentabilizar a plataforma, nossa intenção é resolver um problema da sociedade. Queremos que o Simot seja uma ferramenta para a transformação, que se torne o monitor oficial dos municípios e até mesmo do governo federal na tentativa de auxiliar o poder público no combate da pandemia. Em um segundo momento, faremos uma análise dos custos para manter o sistema ativo.
Mauro Belo Schneider

Mauro Belo Schneider - editor do GeraçãoE

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