Isadora Jacoby

Saipos, startup gaúcha, foi selecionada no programa Scale-up RS, da Endeavor

As tendências do foodtech em meio à crise

Isadora Jacoby

Saipos, startup gaúcha, foi selecionada no programa Scale-up RS, da Endeavor

A Saipos, startup de São Leopoldo que oferece soluções para bares e restaurantes, atende 1,5 mil estabelecimentos no Brasil e pretende triplicar esse número em 2020. Um dos pilares que sustenta essa perspectiva positiva foi a seleção para o Scale-up RS da Endeavor, programa que reúne 10 startups para criar conexões entre empreendedores e acelerar o crescimento das empresas.

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A Saipos, startup de São Leopoldo que oferece soluções para bares e restaurantes, atende 1,5 mil estabelecimentos no Brasil e pretende triplicar esse número em 2020. Um dos pilares que sustenta essa perspectiva positiva foi a seleção para o Scale-up RS da Endeavor, programa que reúne 10 startups para criar conexões entre empreendedores e acelerar o crescimento das empresas.
Especialista no mercado de foodtech, a origem da Saipos foi com o aplicativo Devorando, lançado em 2013 e vendido três anos depois para o iFood. "Depois da venda, ficamos meio perdidos. Foi, então, que um dos sócios levantou a ideia de permanecemos no setor de food service. O antigo negócio nos revelou uma grande oportunidade: um sistema de gestão para bares e restaurantes que fosse simples, ágil e inteligente. Nosso sistema quer gerar mais tempo para o dono de restaurante. Por isso, algumas das nossas principais funções são as integrações com os aplicativos de delivery do País, controle de estoque e financeiro, módulo de delivery e central de pedidos", explica Bruno Tusset, um dos quatro sócios da startup.
Nesta entrevista, ele faz um panorama do mercado de tecnologia voltado à gastronomia e avalia os impactos do coronavírus nas operações.
GeraçãoE - Como está o mercado brasileiro de foodtech?
Bruno Tusset - O mercado de foodtech no Brasil está em crescente aquecimento. É fácil de perceber isso quando olhamos para os investimentos que os grandes aplicativos de delivery, como iFood, Rappi, Uber Eats e 99, vêm recebendo. O cenário deve se manter aquecido por muito tempo e vamos ver ainda muitas mudanças no modelo que estamos acostumados a ter contato. A tecnologia já mudou a forma com que pedimos nossa comida. Aos poucos, vão surgindo mudanças em toda a cadeia de alimentação e impactando os consumidores. Isso tudo para gerar, cada vez mais, experiências positivas por meio da tecnologia, novos sabores e sentimentos.
GE - Os donos de restaurantes mais tradicionais optam por sistemas inteligentes para solução de problemas?
Bruno - Os mais tradicionais (aqueles que aqui no Rio Grande do Sul chamamos de raízes) ainda são um pouco resistentes. Mas, aos poucos, as barreiras vão se quebrando e eles também vão entendendo a importância da tecnologia. Pois, assim, eles podem ter mais tempo para passar com sua família e aproveitar um pouco tudo que construíram durante os anos. Para os mais ousados, investir em um sistema inteligente é a oportunidade para expandir o negócio e abrir filiais.
GE - De que maneira soluções como as oferecidas pela Saipos podem incrementar o faturamento de um estabelecimento?
Bruno - Costumamos falar que para se ganhar dinheiro existem sempre dois caminhos: o primeiro, e mais óbvio, vender mais. Para isso acontecer, trabalhamos muito forte com as integrações com os aplicativos de delivery e o uso do aplicativo próprio para os restaurantes. Empregamos tudo que aprendemos com o Devorando, de como fazer restaurantes venderem utilizando WhatsApp, redes sociais, SMS e outras ferramentas. Além de termos um modelo de venda guiada para delivery, onde se trabalha muito para crescer o ticket dos pedidos. A segunda forma é gastar menos, e esse é um dos segredos do sucesso para muitos restaurantes. Oferecemos duas ferramentas: o controle e análise financeira e o controle de estoque e CMV, que podem ser feitas de forma simples com o nosso sistema.
GE - Como pretendem atingir o resultado de triplicar o número de clientes neste ano?
Bruno - Pensamos muito no coletivo. Bater as metas são importantes, mas não fazemos isso sozinhos. Temos uma equipe engajada, que sonha e cresce junto. Parece um pouco utópico, mas o nosso crescimento de 2017 para cá foi enorme. Passamos de quatro sócios para uma equipe de 60 pessoas. Acredito que foi, justamente, por já mostrarmos um crescimento elevado que fomos selecionados para o Scale-Up RS da Endeavor. Então, é assim que pretendemos bater todas as nossas metas: investindo em pessoas.
GE - Qual a principal tendência de foodtech neste momento?
Bruno - Pelo que estamos vendo do mercado, a tendência mais forte atual são os autoatendimentos - que já encontramos em muitas redes como McDonald's, Burger King, Madero. A maior probabilidade é a popularização desse modelo. Assim como formas de baratear isso para grande parte dos restaurantes, porque o hardware ainda tem um custo significativamente alto para estabelecimentos com um poder financeiro menor. Mas, vale ressaltar, ainda, que o app de delivery (mesmo não sendo mais tendência por ser uma realidade) irá se difundir muito. Também existe a funcionalidade de self check-out. uma realidade em países como a China e está começando aqui no Brasil.
GE - Que soluções oferecidas para bares e restaurantes se adequarem neste momento que estamos passando no País com o coronavírus?
Bruno - Este é um momento delicado e de muitas incertezas. Por isso, estamos acompanhando a evolução do coronavírus desde o princípio lá na China. Mas redobramos atenção quando o vírus alastrou pela Europa, Estados Unidos e, agora, atingindo o Brasil. Estamos realizando muitos contatos para entender o comportamento do mercado. O padrão aqui é o mesmo do resto do mundo: restaurantes com atendimento no local estão tendo uma redução drástica de clientes e muitos empresários estão precisando dar férias coletivas. Por outro lado, o crescimento exponencial no delivery é notável. Nos preocupamos com os nossos clientes, por isso disponibilizamos, de forma gratuita, a nossa função de pedido on-line (para quem não tinha contratado essa função). Além disso, nossa equipe preparou diversos conteúdos gratuitos (blog.saipos.com) para os restaurantes se preparem para a alta demanda de pedidos por delivery.
GE - Quais são os próximos passos da empresa?
Bruno - Nosso time de inovação sempre está buscando alternativas para estar um passo à frente. Queremos entregar algo que vá ajudar o dono do restaurante a ter mais tempo para o negócio ou para a vida dele. Existem alguns caminhos, um deles, que é o mais padrão do nosso negócio, são as integrações. Somos integrados com mais de 10 aplicativos de delivery e todos os meses mais algumas ferramentas estão sendo incluídas no sistema. Também estamos construindo algo na linha do autoatendimento e self checkout pensando sempre em todos os perfis de clientes que temos - desde uma grande rede até o pequeno restaurante do bairro.
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Isadora Jacoby - repórter do GeraçãoE

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