Isadora Jacoby e Vitorya Paulo

Em meio a pandemia do novo coronavírus, apps, serviços de delivery e plataformas tecnológicas são alternativas para reduzir a circulação em espaços públicos

10 negócios que reduzem o contato humano para usar durante a pandemia do coronavírus

Isadora Jacoby e Vitorya Paulo

Em meio a pandemia do novo coronavírus, apps, serviços de delivery e plataformas tecnológicas são alternativas para reduzir a circulação em espaços públicos

Para evitar a propagação do novo coronavírus, as orientações dos serviços de saúde são claras: permanecer em casa, o máximo possível, mesmo sem sintomas. De acordo com o Ministério da Saúde, os casos suspeitos, confirmados, prováveis (contato íntimo com caso confirmado), portador sem sintoma e contactante de casos confirmados devem permanecer em quarentena - isolamento por 14 dias. A alarmante situação de saúde pública reforça uma discussão em torno de serviços que, cada vez mais automatizados, reduzem o contato entre pessoas. E-commerces, deliveries, aplicativos de entrega e plataformas digitais já disponíveis no mercado podem ser aliados para quem precisar reduzir as saídas de casa neste momento. Vale lembrar que, mesmo assim, a maioria desses serviços conta com pessoas tanto na linha de frente quanto nos bastidores. Cabe as empresas sempre prezarem pelo bem-estar e saúde de quem está na engrenagem de cada operação. 

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Para evitar a propagação do novo coronavírus, as orientações dos serviços de saúde são claras: permanecer em casa, o máximo possível, mesmo sem sintomas. De acordo com o Ministério da Saúde, os casos suspeitos, confirmados, prováveis (contato íntimo com caso confirmado), portador sem sintoma e contactante de casos confirmados devem permanecer em quarentena - isolamento por 14 dias. A alarmante situação de saúde pública reforça uma discussão em torno de serviços que, cada vez mais automatizados, reduzem o contato entre pessoas. E-commerces, deliveries, aplicativos de entrega e plataformas digitais já disponíveis no mercado podem ser aliados para quem precisar reduzir as saídas de casa neste momento. Vale lembrar que, mesmo assim, a maioria desses serviços conta com pessoas tanto na linha de frente quanto nos bastidores. Cabe as empresas sempre prezarem pelo bem-estar e saúde de quem está na engrenagem de cada operação. 

1. Orgânicos 

Para facilitar o acesso a legumes e verduras sem agrotóxicos, o Sítio do Guido (@sitiodoguido.organicos) disponibiliza entrega em alguns bairros de Porto Alegre. Entre eles, Anita Garibaldi, Auxiliadora, Bela Vista, Boa Vista, Chácara das Pedras, Cristo Redentor, Higeanópolis, Iguatemi, Independência, Jardim Botânico, Jardim do Salso, Lindóia, Moinhos de Vento Nilo Peçanha, Parque Germânia, Passo D'Areia, Petrópolis, Praça da Encol, Praça Japão, São Sebastião, Sarandi, Três Figueiras eVila Floresta. Os pedidos devem ser feitos pelo site (sitiodoguido.com) ou WhatsApp (984747640). As cestas, que têm preço único de R$ 50,00, podem conter até 10 variedades de produtos. As entregas ocorrem nas terças e sextas-feiras.

2. Entregas em geral

Loggi: A Loggi tem como objetivo facilitar a logística de entregas de itens variados. O pedido, feito via aplicativo no celular, é enviado a um centro de distribuição, onde os algoritmos da plataforma da Loggi criam rotas para a entrega ser realizada no menor espaço de tempo. De lá, uma frota de veículos inicia a entrega. A última etapa é uma atribuição do motoboy. Nesta parte do processo, o motorista que estiver mais próximo do destino final realizará a entrega, algo semelhante ao que acontece no aplicativo da Uber.
Pedal Express: A Pedal oferece a Porto Alegre um serviço semelhante ao da Loggi, com a particularidade de ser feito exclusivamente de bicicleta. A empresa busca e entrega documentos, pacotes, tubos, caixas e tudo o que couber nas mochilas dos entregadores. A entrega padrão é realizada em, no máximo, 90 minutos desde o momento da solicitação do serviço ou em 30 minutos na modalidade urgente, que agrega custos ao valor final. Para solicitar online, acesse www.pedalexpress.com.br
Rappi: O diferencial da Rappi é, além de comida, ter disponível qualquer coisa que o usuário precise. Na Capital desde 2018, o aplicativo opera em Porto Alegre em alguns bairros e oferece serviços de entrega de comida, supermercado, farmácia, entre outros. Consulte o site da Rappi para saber se seu bairro é atendido.

3. Coleta de exames

Alguns laboratórios de Porto Alegre disponibilizam a coleta domiciliar de exames, como o Weimann. Sem restrição de idade, a modalidade é indicada para idosos com dificuldade de locomoção e gestantes que precisam se deslocar constantemente até uma unidade para realizar exames de análises clínicas. Além de coletar em casa, o laboratório disponibiliza a coleta no local de trabalho do paciente. Mais detalhes no site: www.weinmann.com.br

4. Comida

Uber Eats e iFood: Principais aplicativos de delivery operando na Capital, o Uber Eats e iFood oferecem uma gama ampla de restaurantes e lanchonetes disponíveis para entregar refeições no conforto de casa. Para pedir, o usuário precisa criar uma conta com login e senha diretamente nos aplicativos.

5. Supermercado

MAGODRIVE/DIVULGAÇÃO/JC
Operando desde 2016, o Mago Drive é um supermercado drive-thru. Através do site (www.magodrive.com.br), o cliente escolhe os produtos e marca um horário para retirada. Chegando ao local, basta apresentar um documento de identificação e as compras são colocadas no porta-malas, sem necessidade de descer do carro. O drive-thru fica na avenida Ipiranga, nº 7815. Além dessa modalidade, é possível receber as compras em casa por meio de um serviço de delivery que atende cerca de 40 bairros da Capital.

6. Reparo de celular 

Mais do que nunca, este é um período em que o celular é essencial. Com mais de 250 unidades no País, a Suporte Smart oferece serviço de delivery de reparos de aparelho. No site da empresa (suportesmart.com.br), é possível buscar, através do CEP, o contato do técnico mais próximo. Serviços como troca de tele quebrada são feitos na hora, em frente ao cliente. Também é possível acessórios, como cabos e películas, no momento da visita técnica.

7. Serviços de beleza

O Beca Beleza é um aplicativo que oferece serviços de manicure, pedicure, maquiagem e escova, conectando os profissionais da área diretamente com a clientela. Em operação na Capital, nos sistemas Android e IOS, a plataforma permite que os usuários agendem os serviços desejados para o dia seguinte, escolhendo a hora e o local que gostariam de receber o atendimento. 

8. Aulas de inglês

Há quem use o WhatsApp para falar com a família, enviar notícias sobre o coronavírus para amigos ou participar de grupos de discussões. A professora de inglês paulista Erika Belmonte utiliza a ferramenta como meio de trabalho e, consequentemente, de renda. De Iowa, nos Estados Unidos, ela envia dicas sobre o idioma três vezes por semana para seus milhares de assinantes espalhados pelo Brasil. O English Bites pode ser contratado pelo site da teacher (clubedoingles.com) por R$ 24,90 - há desconto para planos semestrais e anuais.

9. Lavagem de roupa

LUIZA PRADO/JC
Se a máquina de lavar estragar e você não quiser ir a uma lavanderia lotada, há uma alternativa. A Colocker oferece serviço de lavanderia em lockers (armários, em inglês) instalados em prédios comerciais. Operando desde o dia 3 de março, o primeiro ponto inteligente da empresa está alocado no Centro Administrativo da Sicredi, em Porto Alegre, e seu uso é restrito aos cerca de 2 mil colaboradores que circulam pelo local.
Aline Busch, 26 anos, conta que a ideia surgiu durante um intercâmbio na Europa. Desde seu retorno, em 2018, está construindo o projeto com seu sócio, Lucas Zaperlan, 30. "Tive o primeiro contato com armários inteligentes em uma cidade da Alemanha e achei muito legal a questão de depositar alguma coisa e depois retirar quando quiser só pagando uma taxa pelo aplicativo", expõe. O investimento da dupla foi de R$ 120 mil, valor que estimam recuperar em dois anos de operação.
O armário funciona da seguinte maneira: através do aplicativo da Colocker, o cliente deve fazer a leitura do QRcode que fica no armário para abrir uma das portas. O compartimento é escolhido de acordo com o volume de roupas que o usuário vai deixar no local. A partir daí, uma lavanderia parceira é notificada e vai buscar as peças, processo que acontece em poucas horas, garante Aline.
No momento em que o pedido é registrado, o cliente é notificado e deve realizar o pagamento. Após essa transação, passa a correr o prazo de 48 horas para a devolução das peças limpas no mesmo armário. A ideia dos sócios é explorar prédios comerciais onde os frequentadores usem roupas formais, como camisas e ternos, para trabalhar. Essas, afirma Aline, são as principais demandas das lavanderias. "Além da conveniência de estarmos onde a pessoa trabalha, ela não precisa esperar um entregador e nem pagar nenhuma taxa de coleta, que normalmente é cobrada por lavanderias que têm o serviço de delivery", pontua.
A empreendedora explica que, quando outros armários inteligentes da startup estiverem em funcionamento, cada lavanderia será responsável por um ponto, para que não seja um leilão entre as parceiras de quem chega primeiro ao local. As lavanderias que desejem fazer parte do serviço devem ser próximas dos pontos dos lockers e pagam uma mensalidade, que varia de acordo com o ponto da cidade que o armário está. Embora trabalhe com diferentes parceiras, Aline garante que os preços não sofrerão grandes variações, seguindo uma média de mercado regulada pela startup, que capitaliza a operação através de uma porcentagem em cima dos serviços. O valor para lavar uma camisa, por exemplo, na unidade da Sicredi, é de R$ 11,00 e para um blazer, R$ 20,00.
O segundo armário será aberto ao público e deve começar a operar em abril no prédio Trend City, na avenida Ipiranga, nº 40, em Porto Alegre. O próximo passo da dupla é tornar os lockers endereços alternativos para compras on-line. Pessoas que moram em casas ou em prédios sem portaria, poderão destinar suas compras feitas em e-commerces para os armários da startup.

10. Terapia para manter a mente bem

Vittude/Divulgação/JC
Com tanto estresse por conta do isolamento, algumas pessoas precisarão de terapia. Praticar a atividade sem sair de casa já é uma realidade. Criada em 2016 pela engenheira civil Tatiana Pimenta, 38, e pelo engenheiro de produção, Everton Hopner, 33, a Vittude tem como objetivo facilitar a vida de pacientes e profissionais da Psicologia com consultas online. Há, também, a modalidade presencial, em que a plataforma conecta, por proximidade, os terapeutas. Porém, garante Tatiana, as sessões remotas representam 80% da procura. “Nas últimas semanas, devido ao coronavírus, esse número cresceu", pontua.
A ideia do projeto começou a florescer em 2012, após uma crise de depressão que atingiu a vida de Tatiana e o desencadeamento da síndrome de burnout (esgotamento físico e mental intenso) em Everton. “As pessoas ficam surpresas porque foram dois engenheiros que criaram a empresa, mas eu digo que somos apenas dois pacientes”, afirma. Na época, com a dificuldade de encontrar bons profissionais pelo plano de saúde, Tatiana teve que passar por três psicólogos até encontrar, por indicação, o terapeuta que a tratou. “Mas ficava distante da minha casa. A consulta levava três horas pra acontecer, contando com o deslocamento”, lembra.
Com essas dificuldades em acessar o tratamento, a engenheira iniciou pesquisas na área de telessaúde e percebeu que a legislação brasileira havia regulamentado as consultas on-line de psicólogos e psicanalistas. Com o projeto da Vittude desenvolvido, o investimento para colocar a plataforma no ar foi de R$ 56 mil. “Nos primeiros 20 psicólogos que tivemos na plataforma, o que tinha menor tempo de formado era de 25 anos”, explica sobre a curadoria dos profissionais. Para se inscrever na plataforma, os psicólogos passam por curadoria e análise de currículo para atestar se o profissional possui experiência clínica. “A média de tempo de formado, hoje, é de 15 anos”, afirma.
São 4.140 profissionais cadastrados na plataforma em âmbito nacional. Em Porto Alegre, são 93. Porém, para as consultas on-line, o paciente pode se conectar a psicólogos de qualquer parte do Brasil, dependendo da especialidade que procura e do preço que está disposto a pagar. “Temos consultas que vão de R$ 50,00 a R$ 350,00, além de filtros por assunto, como ansiedade, relacionamento, depressão”, pontua Tatiana.
Assim, é possível procurar o psicólogo que mais se adequar à necessidade. “Dependendo de qual é o diagnóstico, o on-line é mais eficiente, como em casos de síndrome do pânico, agorafobia ou depressões mais profundas, em que a pessoa não consegue sair de casa”, afirma. O importante, para a sócia, é que o tratamento seja iniciado e que o estigma da terapia seja vencido. “Temos um tabu na sociedade. As pessoas associam cuidar saúde mental à loucura”, pontua.
Para os profissionais interessados em ingressar na plataforma, há modelos de assinatura trimestrais e semestrais, onde se paga um valor fixo e uma taxa de 5% que cobre os custos de transações financeiras de pagamento de consultas, por exemplo. Os pacientes, porém, podem fazer quantas consultas quiserem sem compromisso. “Temos casos de quem procure o serviço para terminar um relacionamento, ou como lidar com o câncer”, explica Tatiana. Há, também, a modalidade empresarial, criada para que os RHs das companhias paguem uma parte do valor das consultas.
Nas últimas semanas, segundo a engenheira, devido à propagação do coronavírus, a orientação é que se fomente a migração das consultas para o on-line, evitando, assim, a disseminação da doença. Além disso, ela adianta que serão feitas transmissões ao vivo e vídeos com profissionais da plataforma nos canais da Vittude com o intuito de explicar os efeitos do vírus na saúde mental das pessoas. “Temos que explicar como as pessoas podem lidar com esses sentimentos, porque a ameaça do vírus desperta uma série de emoções, como a possibilidade de morrer”, destaca.

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