Vitorya Paulo

Há mais de 40 anos no verão porto-alegrense, estabelecimento continua se renovando

Sorveteria Joia cria novos sabores para a temporada

Vitorya Paulo

Há mais de 40 anos no verão porto-alegrense, estabelecimento continua se renovando

Para ajudar a fugir das altas temperaturas de Porto Alegre, que já alcançam máximas históricas neste ano, há quem invista em beber água gelada ou suco natural, comer um picolé ou aproveitar uma das iguarias mais comuns do verão: o sorvete. Versões mais rudimentares da sobremesa já figuram no mundo desde o Século I, como registra a história, e, desde então, a receita vem se adaptando ao paladar moderno.

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Para ajudar a fugir das altas temperaturas de Porto Alegre, que já alcançam máximas históricas neste ano, há quem invista em beber água gelada ou suco natural, comer um picolé ou aproveitar uma das iguarias mais comuns do verão: o sorvete. Versões mais rudimentares da sobremesa já figuram no mundo desde o Século I, como registra a história, e, desde então, a receita vem se adaptando ao paladar moderno.
É exatamente esse o processo que ocorre com a Joia, uma das sorveterias mais conhecidas e mais antigas da Capital. Situado na esquina da rua da República com a José do Patrocínio, o negócio, que mantém sua decoração antiga, já bate os 42 anos. Como lembra um dos fundadores e, hoje, único dono, João Klein, que trabalhava como zelador em um prédio no final da década de 1970, a abertura da Joia partiu de uma proposta que, de início, foi recusada. "O dono do minimercado à frente do prédio, Ismar Corrêa, me perguntou se eu não queria trabalhar com ele. Eu disse, brincando, que só trabalhava para gente rica", conta. Após um tempo, o homem voltou a procurá-lo, mas, desta vez, a proposta parecia melhor: ser sócio.
Assim, ao lado de Ismar e do terceiro sócio, Jorge Brandão, João deixou o trabalho de zelador e investiu no sorvete. Ele conta que, em 1978, quando a Joia foi inaugurada, os insumos para fazer o sorvete eram de baixa qualidade e o processo para fabricá-lo, mais complicado. A primeira máquina, importada da Alemanha por US$ 15 mil, "equivalia a um Passat zero quilômetro da época." Substituída por uma mais rápida e moderna, ela está exposta na sorveteria como lembrança afetiva. "Naqueles tempos de mais movimento, chegávamos a 150 litros de sorvete por dia e tínhamos seis funcionários."
Atualmente, a produção chega a 300 litros por semana. O atendimento no balcão fica a cargo do filho e da nora, que servem os 29 sabores de sorvete aos clientes. Chocolate, creme e banana caramelada são elegidos por João como os preferidos da clientela. Quando questionado sobre o seu sabor predileto, ele devolve com outra pergunta: "Já pensou ter três filhos e alguém pedir para escolher o preferido? É difícil." Mesmo com o coração dividido, ele escolhe duas bolas num cascão: leite condensado e iogurte com frutas vermelhas.
Das 29, uma das opções é vegana. Além do público que não consome derivados de origem animal, o produto também é uma possibilidade para intolerantes ou alérgicos à lactose. "É importante atender essas pessoas. Algumas vinham aqui e só assistiam os amigos tomando sorvete. Agora, elas também podem", pontua. Outro destaque, para ele, é o último sabor desenvolvido: chocolate com pimenta. "Foram meus clientes que me ajudaram a fazer. Uns pediam mais picante, outros, mais doce. Fui adaptando", conta.
É essa relação próxima, segundo João, que sustentou a sorveteria ao longo de quatro décadas. "Tenho clientes de 40 anos atrás. Quem trabalha com alimentação tem que se doar e manter o pé no chão, principalmente porque o sorvete é um momento de lazer, de escolha", diz. Na Joia, um copo com uma bola de sorvete sai a R$ 4,00 e o cascão, a R$ 5,00. Além da iguaria, também é servido o tradicional crepe, mais procurado nos dias frios. E o empreendedor adianta uma novidade: em março, o cardápio contará com tapioca. Típico do Nordeste, o prato está sendo estudado para fazer sucesso no inverno. Esse é, afinal, o mote de qualquer negócio: encher a casa em todas as estações do ano.
A Sorveteria Joia funciona todos os dias, das 12h às 23h30. Já a segunda filial (avenida Venâncio Aires, nº 539), comandada pelo irmão de João, funciona até às 0h, de segunda-feira a sábado, fechando às 23h aos domingos.
ALEXANDRO AULER/JC

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