Silvia e Silvio Formenton são sócios do Forcaffé Silvia e Silvio Formenton são sócios do Forcaffé Foto: /MARIANA CARLESSO/JC

Vizinhos empreendedores do Centro Histórico

Rota de passagem para milhares de pessoas, a região central de Porto Alegre tem negócios para todos os gostos. Conheça um novo, um antigo e um que deve abrir em 2020

A grande novidade do Centro Histórico de Porto Alegre é o Forcaffé, aberto em março na rua Vigário José Inácio, nº 245. O empreendimento causou muitos comentários nas redes sociais na época da inauguração devido à similaridade com a rede norte-americana Starbucks. Mas isso tem um motivo.
Silvia e Silvio Formenton, os empreendedores que administram a cafeteria, tentaram, durante muito tempo, trazer a franquia ao Rio Grande do Sul. Só obtiveram respostas negativas da marca.
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"O sistema deles é muito legal. Talvez um dia eles venham para o Sul, e, se quiserem ser nossos parceiros, estamos à disposição. Não queremos brigar com ninguém, temos nosso próprio produto e não tem igual, é específico", pondera o empresário. De acordo com Silvio, a torra do café é exclusiva, realizada na fazenda Pessegueiro, em São Paulo, o que deixa o espresso mais suave e menos ácido.
MARIANA CARLESSO/JC
Embora o Forcaffé tenha mudado de logo e de endereço físico, o casal empreende no ramo há 15 anos. Antes, o negócio chamava-se For Café e operava em uma galeria da Voluntários da Pátria. Isso, inclusive, era um empecilho para eles, pois dependiam do horário de funcionamento do espaço para abrir o empreendimento, o que frustrava clientes que gostavam de frequentá-lo mais cedo. "Nosso foco, além de quem visita, é quem trabalha no bairro", argumenta Silvia.
"Precisávamos de uma cara local. Foram várias tentativas até chegarmos a um produto visualmente atrativo", destaca Silvio. A dona do rosto que estampa os copos e produtos do café é Teiniaguá, também conhecida como Salamanca do Jarau, uma lenda gaúcha.
Alguns lanches e colaboradores do antigo For Café continuam no novo. "Antes, tínhamos xícaras de porcelana e dava muito trabalho para lavar, higienizar. Nossa ideia foi trazer o conceito do takeaway", explica Silvio.
MARIANA CARLESSO/JC
As embalagens, agora, são biodegradáveis, e a clientela pode comprar copos em bambu com tampa de silicone. "Fica muito prático, o cliente pode pegar o produto e já sair. As pessoas não costumam perder tempo aqui na região, é tudo muito rápido", entende ele.
Para a dupla, o Centro é o coração do Estado, portanto a localização se torna uma vitrine. "Estamos sendo muito assediados por shoppings interessados, na Zona Sul. Até no Interior e em Florianópolis nos procuraram", afirma o empresário.
Porto Alegre deve ganhar café inspirado na história do linguiceiro da Rua do Arvoredo
LUIZA PRADO/JC
Uma das histórias mais conhecidas de Porto Alegre deve ficar eternizada em forma de negócio. A psicóloga Miriam Nilles, 60 anos, decidiu transformar parte da casa dela em um café com temática inspirada na lenda do linguiceiro da Rua do Arvoredo, hoje chamada de Fernando Machado.
Dizem que foi no endereço, por volta de 1860, que um homem chamado de José Ramos matava pessoas atraídas por sua companheira Catarina, as esquartejava e levava os restos mortais para um açougue para transformá-los em linguiça. Essa trama deve estar representada em fotos, quadros e painéis a partir de 2020. Além, claro, da gastronomia: muitos dos pratos serão compostos por linguiças, e harmonizados com sangria.
Miriam afirma que os crimes não aconteceram de fato na casa dela, pois a construção do imóvel tem 116 anos, enquanto o episódio é mais antigo. Mas se desenrolaram naquele ponto da rua do Centro Histórico, como ela mostra nos mapas publicados em livros.
Para concretizar o plano do empreendimento, Miriam prevê um investimento de cerca de R$ 100 mil. Por enquanto, o que era a garagem da residência da família do marido foi nivelada e uma escada deve levar o público para os demais ambientes. Atividades culturais, organizadas pela filha, também já estão ocorrendo (a agenda é divulgada pelo Instagram @na_surdina).
LUIZA PRADO/JC
Miriam diz que o fato, jamais esquecido pelos gaúchos, tem uma mistura de verdade e de imaginário. “José Ramos e Catarina foram processados, porém nunca se provou que as pessoas viraram linguiça”, reforça. A psicóloga conta, ainda, que muita gente bate na campainha perguntando se era ali que morava o linguiceiro. Em breve, ela poderá convidar esses curiosos para entrar. Você se atreveria?
Chalé da Praça XV busca manter-se como referência
MARCO QUINTANA/JC
Localizado à esquerda do largo Glênio Peres, oposto ao Mercado Público, o Chalé da Praça XV é um cartão-postal da cidade de Porto Alegre. Inaugurado em 1885 como um quiosque para a venda de sorvetes, o prédio passou por um incêndio, três reformas (em 1909, 1911 e 1971), uma restauração (1999) e uma ampliação através de um edifício anexo (2011), já que o imóvel não pode mais ser mexido por ser Patrimônio Histórico Municipal.
À frente do negócio há 18 anos, Edemir Simonetti conta que assumiu o Chalé através de uma licitação na qual concorreu sozinho. "Não houve outro interessado. Estou na área de gastronomia há 40 anos. Fui garçom, gerente, abri um negócio com alguns sócios, tudo sempre no Centro. Passava pela Praça XV e meu olho brilhava com o prédio. Depois de 22 anos, pude realizar esse sonho."
O período em que Edemir assumiu o negócio, no entanto, não foi dos mais áureos. "O entorno era muito difícil, estava basicamente como uma cracolândia, nós padecemos. Nossa estratégia foi manter um preço competitivo, buscar produtos para o fim de tarde, ter um cardápio diferenciado e apostar no chope. Sabíamos que era cíclico. O Centro, hoje, está sucateado de forma geral, mas eu sempre acredito que dias melhores virão", explica o empresário.
A ampliação do Chalé ocorreu entre 2011 e 2013, visando à Copa do Mundo de 2014. O Caminho do Gol, programação cultural que ocorria entre o Mercado Público e o Estádio Beira-Rio, fez com que o investimento fosse necessário no restaurante.
"A ampliação nos tornou um local mais eclético, e isso nos deixa muito feliz. Se tu vieres de chinelinho está bem, o executivo de gravata está bem, todos podem participar. É um local democrático", analisa Edemir, sobre as vantagens de ter um espaço que choque o clássico com o contemporâneo e moderno.
A sexta-feira e o sábado são dias que dão bastante retorno ao Chalé, segundo ele. Porém o domingo, nem tanto. Mesmo assim, fechar nesse dia não é uma opção."O Chalé é uma sala para o turista. Como cidadão, é uma missão mantê-lo aberto. O Chalé não vai fechar aos domingos, mesmo que os números digam. Essa é minha maior satisfação pessoal. Dá vontade de morar aqui dentro", afirma o empresário.
MARCO QUINTANA/JC
Edemir é dono, também, do restaurante panorâmico da orla, o 360 POA Gastrobar. Ele acredita que os negócios se beneficiam."No 360, também não tive concorrentes na licitação. Não tinha respostas no mercado se daria certo. Porto Alegre descobriu, depois de 247 anos, que tinha um lago. Com o avanço da orla, prefeitura, secretarias e sociedade, entendem que o Centro Histórico precisa de nova vida. Vai trazer benefício para o Chalé", acredita.
Com a experiência, Edemir deixa um conselho sobre permanecer competitivo. "Ambiente, localização, qualidade e sorriso. Tendo esses elementos, conquista-se o cliente. Trabalhamos forte para que os colaboradores sejam nossos representantes, que defendam o negócio."
O Chalé funciona de segunda a segunda, abrindo sempre às 11h e variando no horário de fechamento. O almoço no buffet fica na média dos R$ 30,00. Há pratos especiais, sobremesas, petiscos e programação especial no happy hour.
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