A estilista trabalha com vestidos de noivas há cerca de 40 anos Estilista tem mais de quarenta anos de profissão Foto: LUIZA PRADO/JC

Em novo atelier, Solaine Piccoli assina joias e planeja linha de alfaiataria

Estilista acredita em renovação para se manter no mercado

Na década de 1950, a trilogia dos filmes da imperatriz Sissi, interpretada por Romy Schneider, encantou jovens em todo o mundo. A atriz austríaca usava vestidos deslumbrantes com saias volumosas, que recriavam a opulência da moda na metade do século XIX . Para a estilista gaúcha Solaine Piccoli, hoje com 73 anos, o fascínio no cinema foi imediato. “Minha carreira começou com a Sissi e hoje ela faz parte da nossa história em Viena”, conta. Solaine, que na infância ajudava a mãe costureira, tem seu nome presente em três ateliers: na capital da Áustria, em São Paulo e em Porto Alegre.
O último, desde agosto está em novo endereço, no bairro Três Figueiras. O espaço, relata, tem mais acessibilidade e estacionamento. “Está bem mais moderno e podemos atender a clientela com mais conforto”, diz. A estilista, com mais de quarenta anos de atividade e referência quando se fala em noivas, trata a qualidade como característica obrigatória nas roupas que faz. É por isso que planeja lançar uma linha de peças de alfaiataria. “Quero que dure no mínimo cinco anos, uma camisa que tu vais lavar várias vezes e não vai estragar”, explica. “A nova geração está se dando conta que não dá para comprar roupas na China, feitas por escravos. Está voltando o feito à mão, quem sabe fazer isso é ouro ”, completa.
Recentemente Solaine também assinou uma coleção de joias, expostas em sua sala no atelier. Afinal, possui experiência sobre acessórios que combinam com o look das noivas e clientes. Apesar de seu longo repertório, a gaúcha admite que sempre busca se atualizar. “Ano passado, vestimos cinco debutantes que eu tinha feito as roupas das mães delas. Tem uma outra que fiz o vestido de 15, de casamento, de batismo e de 15 das duas filhas e esse ano o casamento de uma delas. Mas pensamos, tanto tempo, como não envelhece no trabalho?”, questiona. “Pesquisando muito, se informando muito, se atualizando. As pessoas pensam que sabem de tudo, mas não sabem de nada. Cada dia aprendemos mais, existem novos processos”, responde. Ela cita ainda que o trabalho das filhas, Gabriela, Julia e Camila, na marca, rejuvenesceu o negócio.
LUIZA PRADO/JC
No atelier, Solaine incentiva as colaboradoras a se capacitarem para contar com uma mão-de-obra de excelência e assim poder dar a desejada alma ao vestido. “Sempre tivemos uma empresa estruturada, meus funcionários jamais trabalharam sem a carteira assinada. Na moda, tem que primar por isso, pois é um direito”, pondera. Para não demitir ninguém em 2018, reduziu metade do pro-labore. “Foi um ano de mudança, a noiva não tem mais aquele casamento estrondoso”, justifica.
LUIZA PRADO/JC
Esse problema, porém, afirma não se comparar ao enfrentado ao sair de Gravataí, quando iniciou do zero. “Com cada dificuldade, conseguíamos crescer. Minhas irmãs hoje têm suas lojas e todas trabalharam comigo. O importante é amar o que tu fazes. Agradeço por poder atuar com a idade que tenho. Dirijo uma hora para vir, uma para voltar, bem faceira. Acredito que isso é amor pela profissão”, justifica.
Mais que a arte de saber costurar e desenhar, a criatividade é presente na vida profissional da estilista. Numa época na qual comprar tecidos bons era muito mais caro e não havia faculdade de Moda, Solaine cursou Arquitetura - não chegou a se formar- e Artes para adquirir conhecimento. Ela começou a fazer as próprias roupas aos 12 anos e uma vez reformou um vestido de lã da mãe, fato que a matriarca só descobriu depois. O primeiro vestido de noiva foi para uma professora, em 1972. Criou-o com as técnicas que dominava, com aplicação de flores na parte superior e a saia godê. A peça, guardada com carinho, está exposta em Porto Alegre.
LUIZA PRADO/JC
A inspiração para o seu próprio vestido de noiva veio de outro longa-metragem que adora, Romeu e Julieta. A estilista decidiu fazê-lo lilás, com flores roxas. “Era uma afronta. Mas ficou ridículo, eu parecia uma viúva. Daí refiz branco, plissado e com a grinalda e o buquê roxos. Ficou maravilhoso, porém era uma ousadia”, recorda. Se fosse casar novamente, garante que usaria exatamente o mesmo modelo.
LUIZA PRADO/JC
Esse ano, Solaine vai resgatar as raízes ao realizar um sonho: conhecer a casa de Julieta, em Verona, na Itália. A nora comprou de presente o passeio sem saber anteriormente dessa paixão. Essa é só mais uma coincidência relacionada à sétima arte. A primeira foi quando se perdeu em Paris e entrou no Museu da Moda. A exposição naquela ocasião era justamente a de Sissi. De acordo com a empresária, um resumo pode defini-la: “Minha vida é um filme”, argumenta. E como em um bom roteiro da jornada do herói, ela passa o seu conselho aos empreendedores: "nunca desistam!" 
LUIZA PRADO/JC
Ouça também o episódio com Solaine Piccoli no podcast do GE >>
Compartilhe
Seja o primeiro a comentar

Publicidade
Mostre seu Negócio