Kelvin toca projetos com marcas e é sócio da Galeria Térrea Na Galeria Térrea, o artista plástico Kelvin Koubik expõe seu acervo Foto: MARCO QUINTANA/JC

Artista vive de intervenções em espaços públicos e privados

Quando pequeno, Kelvin Koubik desenhava cartazes para colar na rua

O porto-alegrense Kelvin Koubik, artista visual formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), conseguiu aliar suas pinturas às necessidades de marcas e espaços públicos. Por conta disso, transformou o que mais ama fazer na vida em sua fonte de renda.
Ele começou desenhando cartazes e colando na rua aos 13 anos. Continuou na arte urbana através do grafite até os 18. Com 20, iniciou sua formação como artista visual no Instituto de Artes. E foi lá que consolidou suas técnicas. "Sempre foi muito claro o que eu queria fazer, nunca teve outro caminho. Fora desenhar, toquei na noite durante 10 anos. A arte sempre foi o que eu busquei. Quando entrei no instituto, tive a certeza do que seria depois", conta.
Sócio da Galeria Térrea, situada no complexo cultural Vila Flores, Kelvin divide o espaço - que funciona como showroom - com outro artista.
"Fazemos exposições, temos nossos trabalhos individuais, mas é na galeria que algumas de nossas obras ficam expostas e disponíveis para compra na maior parte do tempo. Nossos ateliês estão lá também", explica.
Para ele, os rótulos que geralmente são relacionados aos artistas atrapalham o mercado.
"Há um estereótipo de artista vagabundo. Que acorda tarde, não leva a vida a sério. Seja na música, seja nas artes visuais. O pensamento é superficial. Meu expediente de trabalho, às vezes, é muito maior do que amigos que estão em empresas, por exemplo. Eu me coloco aqui e, por vezes, não vejo passar o tempo. Isso é uma das características - para não dizer um dos problemas - de se trabalhar com o que gosta."
Especialista em muralismo e na arte de galeria, o artista participa de intervenções artísticas em ambientes públicos e privados. Um de seus trabalhos de maior visibilidade é o prédio pintado na Rua da Cultura, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). Recentemente, venceu um edital da prefeitura de Cristal, no Sudeste do Estado.
"Embora eu tenha uma rotina e o reconhecimento de pessoas que fazem meu mercado girar, não posso esquecer que sou freelancer. No mês que eu ganho '2X', guardo 'X' para o outro mês. É só questão de acostumar. Às vezes, é difícil. Mas já peguei o ritmo", analisa.
A sobrecarga, quando se faz o que gosta, é um fator de risco para contribuir com problemas como estresse.
"Por eu trabalhar com o que gosto, tem horas que realmente não me toco que estou sete dias da semana, 20 horas por dia fazendo algo relacionado à pintura. Então, muitas vezes, minha companheira percebe e diz: 'vamos para a praia, vamos sair'. E eu sempre fico no 'tinha que buscar tal material, podia estar pintando na rua'. Quando vou, relaxo, percebo que estava precisando e volto com a cabeça bem mais lúcida. O ócio é importante", percebe.
Além do trabalho individual, Kelvin participa do projeto Koubiks, com o irmão, Richard. Para o futuro, uma mudança para o exterior não está descartada.
"Nova Iorque, Barcelona, entre outras capitas importantes, são os centros da minha área. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão crescendo bastante. Volta e meia penso com a minha companheira se sairemos do País ou não. Barcelona nos atrai bastante", projeta.
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